A Cozinha do Paço
Paço do Morgado de Oliveira, Estrada M527, km10, 7000-016 Évora. Terça a sábado, das 12h00 às 14h00, e terça a sexta-feira às 19h00. Menu Poda Longa 88 euros. Menu Poda em Vaso 120 euros. Harmonização Fitapreta Clássicos 135 euros/Fitapreta Clássicos e Colheitas Antigas 180 euros.
Foi há cerca de um ano que A Cozinha do Paço se instalou no Paço do Morgado de Oliveira, uma estrutura agrícola fortificada, nos arredores de Évora, que é também casa da Adega da Fitapreta. À sua frente está o jovem chef Afonso Dantas que, ao lado de António Maçanita, apresenta nesta cozinha o seu olhar madeirense daquilo que é o Alentejo e a sua gastronomia. A ideia de criarem um restaurante fine dining começou pelos vinhos e são estes que guiaram a carta, com os pratos desenhados para um pairing especifico com assinatura Fitapreta. A particularidade é que quase todas as referências que aqui se provam estão fora da rota comercial, sendo por isso exclusivos à experiência gastronómica d’A Cozinha do Paço. Nesta “adega onde se pode comer”, há assim seis opções de menu: o Poda Longa (seis momentos, 88 euros); o Poda em Vaso (nove momentos, 120 euros);o Fitapreta Clássicos (seis momentos, cinco vinhos, 135 euros); o Clássicos e Colheitas Antigas (seis momentos, cinco vinhos, 180 euros); Aquém e Além Mar (nove momentos, sete vinhos, 255 euros); e O Enxarrama (nove momentos, sete vinhos, 285 euros). Em cada um destes — menos naqueles que não têm harmonização vínica — o número de vinhos nunca é final. Nesta mesa alentejana não falta por isso o pão, feito de feno e soro de leite, o azeite e, claro, o vinho, que abrem caminho para um menu que une a tradição gastronómica da região à ilha da Madeira, com um coscorão salgado de borrego e uns cogumelos salteados com castanha fermentada e espuma de abóbora. O mar e a terra também se fazem representar, com a enguia fumada com manteiga de pinhão, o pregado grelhado com manteiga de ovelha e funcho selvagem e o frango de campo com frutos secos e praliné de couve-flor.


Largo do Paço
Largo do Paço 6, Amarante, 4600-017 Portugal. De terça-feira a sábado das 19h30 às 23h00. Experiência 13 momentos 150 euros. Experiência 15 momentos 170 euros. Harmonização Origem e Tradição 75 e 100 euros. Harmonização Viagem Sensorial sem Fronteiras 75 e 100 euros.
É a recuperação de uma distinção que a Casa da Calçada recebeu pela primeira vez em 2004 e que manteve até ter fechado para obras de recuperação, em 2023. A reabertura do hotel, situado num palácio do século XVI, deu-se em abril de 2025, com o chef Francisco Quintas à frente do Largo do Paço, o respetivo restaurante de fine dining. O Largo do Paço distingue-se pela criação de experiências de fine dining conduzidas pela mestria, criatividade e visão do chef de 27 anos. Cada refeição é pensada como um percurso sensorial que convoca todos os sentidos, da composição de cada prato à própria playlist que acompanha o momento, também escolhida por pelo chef que na gala de terça-feira foi ainda distinguido com o Prémio Jovem Chef. Francisco Quintas oferece assim modernos menus de degustação (13 ou 15 pratos, com harmonização de vinhos opcional), que combinam frescura, técnica e juventude, sempre com coerência, através de pratos como o trio de atum, brócolos, sapateira; a gamba violeta com batat e chilli; o lírio com ovas ikura, cucamelon, pepino e lavanda; a enguia fumada com cebola, crème fraîche, lima caviar e cogumelos; e as molejas com carabineiro, cebolinho, alho negro e macadâmia.

Kappo
Av. Emídio Navarro 23 A, 2750-337 Cascais. De quarta a sexta-feira das 20h00 às 00h00 e sábado e domingo das 13h00 às 15h00 e das 20h00 às 00h00. Menu Omakase 135 euros.
Há já dois anos que se falava na possibilidade de o Kappo estar na calha para uma estrela Michelin. Não foi na primeira gala, apesar de o chef Tiago Penão ter confessado na altura ao Observador que o restaurante tinha esse objetivo, mas sem expectativas, nem na segunda. À terceira gala do Guia Michelin exclusivamente portuguesa o restaurante japonês de Cascais alcançou a primeira estrela. Tudo depois de no ano passado terem fechado para obras com um foco ainda maior em alcançar a distinção. Dos 22 lugares, o Kappo passou a receber apenas 12, numa carta também ela com pratos renovados. O guia Michelin destaca assim o Kappo, cujo nome significa “Cortar e cozinhar” em japonês, pela sua elegância contemporânea e pelo seu formato, com um balcão em “L” como grande protagonista onde Tiago Penão funde tradição e inovação num menu Omakase onde sobressai a qualidade do produto e a hospitalidade própria da filosofia Omotenashi. Os nigiris, elaborados com técnicas como a maturação, a brasa, ou a maceração, vêm realçar o peixe e o marisco locais — e são feitos para comer à mão.

Schistó
R. de Vilarinho dos Freires 5050, 5050-364 Peso da Régua. De terça-feira a sábado das 19h30 às 23h30. Experiência 10 momentos 180 euros. Harmonização Vínica Quinta da Vacaria 80 euros.
Tal como nas edições anteriores, o chef Vítor Matos voltou a arrecadar mais um astro, desta vez para o Schistó, em Peso da Régua. É assim o chef português com mais estrelas Michelin: já são seis em cinco espaços diferentes. Desta vez foi para o restaurante Schistó, situado no hotel Torel Quinta da Vacaria, em Peso da Régua, onde lidera a cozinha com o apoio do chef Vítor Gomes. Os dois oferecem uma experiência gastronómica moderna e elegante, que reinterpreta a cozinha tradicional do Vale do Douro. O Schistó apresenta a cozinha aberta e oferece um único menu de degustação de dez momentos, construído, maioritariamente, com base em produtos de proximidade, como o vinho, o azeite ou as verduras da própria quinta. Dá ainda protagonismo aos peixes do ecossistema fluvial, como as trutas pescada no Rio Corgo, servidas com cabeça de porco fumada, enguia, açafroa e acelgas, e o lagostim e lúcio-perca do Douro, esta última servida com grão, caldeirada e línguas de bacalhau.

Alameda
Rua da Policia da Segurança Publica 10, 8000-151 Faro. De quinta a terça-feira das 19h00 às 00h00. Menu Peixe e mariscos 115 euros. Menu Vegetariano 95 euros. Harmonização Vínica 85 euros.
Começou em modo supper club em sua casa até abrir oficialmente portas em 2018 perto do jardim que lhe dá o nome, em Faro. O chef Rui Sequeira é quem comanda a cozinha do Alameda e quem subiu ao palco da gala do guia Michelin esta terça-feira para receber a primeira estrela. Natural de Faro, apresenta no seu restaurante uma declaração de amor às recordações que tem de um Algarve soalheiro, prestando assim uma homenagem à região, assente na utilização de peixes e mariscos autóctones. Ao combinar o bom senso, as técnicas modernas e a tradição, Rui Sequeira faz chegar à mesa momentos como a raia, servida com batata e coentros, a ostra da ria Formosa, com ponzu eucalipto e lima, o polvo de Olhão, com batata doce e pimentos fumados, ou o pithivier de codorniz com foie gras fumado e piri-piri. Tudo isto num ambiente contemporâneo. Para além do menu de degustação, o Alameda tem ainda a opção da carta e as sugestões vegetarianas.

MAPA
Herdade das Valadas, N4, 7050-031 Montemor-o-Novo. De quarta-feira a domingo das 13h00 às 16h00 e das 19h00 às 23h00. Menu Caminhos 175 euros. Menu Expedition 145 euros. Harmonização Vínica “Between Paths” 105 euros. Harmonização Vínica “Portugal on the Map” 145 euros. Harmonização Vínica “Expedition” 85 euros.
O restaurante MAPA, no L’AND Vineyards, em Montemor-o-Novo, trocou o selo da recomendação do guia pela primeira Estrela Michelin esta terça-feira, dois anos depois da sua abertura. Conduzido pelo chef David Jesus, que se formou no duas estrelas Belcanto, o restaurante afirma-se hoje como um dos projetos gastronómicos mais marcantes do Alentejo, com uma cozinha inspirada nas viagens marítimas portuguesas e no encontro de culturas, sempre com forte ligação ao território e ao produto, através de momentos como a sopa fresca de caranguejo de mar com kombu e kaffir, o atum dos Açores com tempura e algas ou o salmotene de Setúbal com folha de bananeira, sumagre, xerém, amêijoa da Rua Formosa e moqueca. O MAPA oferece ainda conforto e uma cozinha criativa, com base tradicional, através de dois menus de degustação (Expedição e Caminhos), inspirados em vivencias pessoais e em sabores portugueses, tanto do próprio território, como das antigas colónias.


dop
Lgo de S. Domingos 16, 4050-545 Porto. De terça-feira a sábado das 12h30 às 15h00 e das 19h00 às 23h00. Menu de 6 momentos 100 euros. Menu de 10 momentos 135 euros. Menu de 14 momentos 170 euros. Harmonização de vinhos 65, 90 e 110 euros.
Não foi só o chef Vítor Matos que arrecadou mais um astro. Também o chef Rui Paula viu as suas distinções aumentar com a atribuição de uma estrela Michelin para o seu restaurante dop, no Porto. O chef da Casa de Chá da Boa Nova conta assim com três estrelas. No entanto, não subiu sozinho ao palco para vestir a jaleca Michelin: Rui Paula fez-se acompanhar por Sandro Teixeira, o chef residente do dop. O restaurante situado num edifício histórico, completamente renovado, é destacado pelo Guia Michelin pelo seu ambiente acolhedor e moderno que recebe uma experiência culinária centrada num menu de degustação chamado “Não há futuro sem memória”, disponível em seis, 10 ou 14 momentos. As entradas são servidas no bar, antes de se passar para a sala de jantar, onde se provam pratos contemporâneos com raízes tradicionais e um certo toque asiático. Entre eles estão a sapateira com bacalhau, o carabineiro, oca e cogumelo, o lagostim com caril e couve-flor e a francesinha de lavagante.

Éon
R. de Ricardo Severo 21, 4050-515 Porto. De quarta-feira a sábado das 19h30 às 23h00. Menu 9 momentos 100 euros. Menu 14 momentos 150 euros.
Se no ano passado o casal Marlene Vieira e João Sá festejavam a conquista da chef que se tornou na primeira mulher em 30 anos a alcançar uma estrela em Portugal, este ano foi Tiago Bonito e Angélica Salvador quem se emocionou em palco. Ambos se juntam à lista dos restaurantes estrelados, com o Éon, de Tiago Bonito, no Porto, e o In Diferente, de Angélica Salvador, também na invicta. “Estou feliz ao quadrado”, afirmou a mulher do chef do Éon. No elegante Palacete Severo, um boutique hotel repleto de obras de arte, o chef Tiago Bonito apresenta no Éon a sua aventura culinária mais pessoal. A experiência centra-se no menu de degustação Lés a Lés, com a opção de escolher entre nove ou 14 pratos, todos inspirados em memórias e em sabores típicos de Portugal, em particular o doce da hospitalidade duriense: há cozido à portuguesa, bacalhau à brás, pão e brioche com fermento natural, ou a pescada de anzol. Tiago Bonito oferece assim uma cozinha de autor que reinterpreta pratos tradicionais.

In Diferente
R. Dr. Sousa Rosa 23, 4150-719 Porto. De terça a sexta-feira das 19h00 às 22h30 e sábado das 12h30 às 14h30 e das 19h00 às 22h30. Menu In Diferente 110 euros. Menu Homenagem 90 euros. Harmonização vínica 110 e 90 euros.
Segue-se assim a sua mulher. Para além de se juntar a Marlene Vieira enquanto uma das chefs com estrela Michelin em Portugal, Angélica Salvador fez ainda história ao tornar-se na primeira brasileira a conquistar esta distinção fora do Brasil. Tudo graças ao seu trabalho no In Diferente, no Porto, onde em 2021 alcançou a distinção de Bib Gourmand. Cinco anos depois, o guia Michelin atribui-lhe a estrela, ao que descreve como um restaurante “um pouco afastado das rotas turísticas habituais no Porto”. Na sua cozinha, a chef brasileira funde cozinha portuguesa e internacional através de uma pequena carta e de dois menus de degustação, o Homenagem e o In Diferente: há novilho Rubio Gallega com batata, anchovas e raiz forte, froie gras com enguia fumada, maçã verde e moscatel do douro ou carabineiro com caril verde, alho fermentado e iogurte grego. Os dois menus têm a harmonização de vinhos opcional, assim como flexibilidade para adaptar os pratos. A chef tem por hábito trabalhar com peixes frescos das lotas de Matosinhos ou de Aveiro, assim como com carnes locais.

Gastro by Elemento
R. Maria Adelaide Freitas Gonçalves 13, 4350-109 Porto. De terça-feira a sábado das 19h00 às 23h00. Menu de degustação orgânico 80 euros.
A chuva de estrelas que caiu no norte continua com a distinção do Gastro by Elemento, do chef Ricardo Dias Ferreira, no Porto. É junto ao Estádio do Dragão que o chef oferece uma cozinha ancestral, em que o fogo e o forno de lenha são os grandes protagonistas e dão sabor ao robalo, ostra e maçã, à pescada negra e caldo de bivalves, ao salmonete e tapenede de tomate seco, ao polvo do Algarve com cebola e pele de galinha crocante e ao porco alentejano e enguia fumada. Já com experiência a dominar as labaredas — de recordar o restaurante Elemento, o primeiro em Portugal a cozinhar tudo no fogo —, Ricardo Dias Ferreira mantém esse mesmo elemento no Gastro by Elemento através de um estilo minimalista e industrial, onde convida a sentar no balcão para observar-se o processo culinário e ir-se desfrutando dos aromas. O menu de degustação Orgânico by Gastro, composto por 15 momentos e pelo valor de 80 euros, evolui de acordo com a estação do ano, e dá destaque aos produtos do mar.
