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Igreja Católica portuguesa já definiu compensações financeiras por abusos sexuais

Bispos portugueses ainda não revelaram os valores das compensações, que serão comunicados em breve às vítimas de forma individual, numa "a notificação devidamente fundamentada com a decisão".

Agência Lusa
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A Igreja Católica portuguesa já definiu as compensações financeiras a pagar às vítimas de abuso sexual e as propostas serão apresentadas aos queixosos, anunciou esta terça-feira o conselho permanente da Conferência Episcopal.

“Sabemos que nenhuma compensação apaga a dor vivida, mas este passo expressa o compromisso que sempre assumimos de reconhecer o sofrimento causado e que pretende contribuir para a reparação possível de quem sofreu tão duras vivências, colocando as vítimas no centro da nossa prioridade”, refere em comunicado o conselho permanente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP).

No final de janeiro, o presidente da CEP, José Ornelas, referiu que a Comissão de Fixação da Compensação estava “a analisar os primeiros 66 pareceres para, tão breve quanto possível, apresentar à CEP as propostas dos valores de compensação financeira a atribuir”, algo que agora foi feito.

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A 27 de fevereiro, em assembleia plenária extraordinária com a presença do Núncio Apostólico e de responsáveis da Conferência dos Institutos Religiosos de Portugal (CIRP), “os bispos definiram os montantes a atribuir aos pedidos analisados, tendo por base os pareceres da Comissão de Fixação da Compensação”.

“As vítimas que apresentaram o pedido receberão, em breve, a notificação devidamente fundamentada com a decisão. O processo continuará a decorrer com a devida reserva e no absoluto respeito pela privacidade das vítimas, garantindo confidencialidade e proteção de dados de todos os envolvidos”, adianta o comunicado.

Apesar de ter terminado o prazo para apresentação de pedidos de compensação financeira, a hierarquia religiosa “continuará a acolher e acompanhar as vítimas que venham a surgir”, assegurando que a “proteção de crianças e jovens nos ambientes da Igreja Católica em Portugal é uma exigência permanente”.

Contactada pela Lusa, fonte da CEP disse que não serão divulgados os valores das compensações até que as vítimas sejam notificadas.

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O Conselho Permanente agradeceu aos membros da Comissão de Fixação da Compensação e das Comissões de Instrução, “que terminaram os seus trabalhos com competência e dedicação, e foram fundamentais para que o processo decorresse no respeito pela dignidade das vítimas e com a devida consideração por cada situação”.

No comunicado desta terça-feira, o conselho permanente saudou também a tomada de posse de António José Seguro como Presidente da República, desejando um “mandato ao serviço do bem comum, num espírito de diálogo e de encontro com todos, com atenção à dignidade de cada pessoa, sobretudo dos mais vulneráveis”.

“Num tempo marcado por desafios sociais e tensões no contexto internacional, esperamos que o seu mandato contribua para promover a paz, a justiça e a coesão na sociedade portuguesa”, afirmam os bispos, manifestando ao chefe de Estado cessante “gratidão pelos últimos dez anos de serviço à nação”, procurando valorizar “o papel das instituições e a proximidade com as pessoas”.

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Sobre o comboio de tempestades que assolou Portugal entre janeiro e fevereiro, a CEP manifestou a sua “dor e proximidade às vítimas, às famílias enlutadas, aos desalojados e a todos os que perderam os seus meios de subsistência”.

“Em articulação com as autoridades civis e entidades locais, a Igreja, através das Cáritas, das paróquias e dioceses, tem procurado chegar a quem mais precisa com recolha e distribuição de bens essenciais, mobilização de voluntários e equipas técnicas, apoio social a famílias em maior fragilidade, alojamento de emergência; e acolhimento e acompanhamento pastoral”, refere o comunicado.

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Contudo, os bispos alertam que “as necessidades não terminaram com o fim da intempérie” e que “as carências sociais mais graves serão sentidas de forma mais impactante com o passar do tempo, atingindo sobretudo as famílias mais vulneráveis que nem sempre conseguem aceder em tempo útil às respostas disponíveis”.

Por isso, a CEP apela “a uma caridade concreta e atenta para que ninguém fique para trás e seja possível uma recuperação sustentada” do território.