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(A) :: EUA. Hospitais da Universidade da Columbia protegeram médico de acusações de abuso sexual

EUA. Hospitais da Universidade da Columbia protegeram médico de acusações de abuso sexual

Dois médicos deixam hospitais da Universidade da Columbia e NewYork-Presbyterian após relatório concluir que a cultura institucional desencorajava denúncias contra Robert Hadden.

Mariana Marques Tiago
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Em 2023, o centro médico da Universidade da Columbia e o hospital NewYork-Presbyterian pediram uma investigação externa para perceber o que tinha falhado no caso de Robert Hadden, médico que terá agredido sexualmente mais de 500 mulheres em 25 anos nestas instituições. Esta terça-feira foi conhecida a conclusão: os responsáveis destes hospitais não agiram de forma correta face às denúncias que receberam contra este médico. Em resultado, dois médicos vão deixar estes hospitais.

No relatório de 156 páginas e que inclui testemunhos de mais de 120 vítimas (das quais cerca de metade terá sido vítima de Robert Hadden), lê-se que a cultura institucional instaurada desencorajava a denúncia de abuso sexual contra o médico em causa. Robert Hadden conseguiu tornar-se num dos principais médicos obstetras de maior relevo destes hospitais, usando essa alegada importância e destaque para abusar das vítimas. Segundo o relatório, apesar de serem apresentadas denuncias de má conduto contra Hadden, estas ficavam pelo caminho quando eram mencionadas à equipa de obstetrícia dos hospitais.

De acordo com o relatório elaborado por investigadores da firma de advogados Sidley Austin LLP, houve três fatores essenciais que permitiram o abuso de Robert Hadden: a ineficácia destes hospitais em escolher pessoal para observarem e acompanharem a realização de exames delicados; a existência de obstáculos que impediram pacientes e funcionários de denunciar condutas sexuais impróprias; e ainda a falha destes hospitais em responder às denúncias recebidas, escreve o Columbia Spectator.

“Várias denúncias sobre os abusos de Hadden chegaram aos médicos responsáveis ao longo dos anos”, mas as “instituições não responderam eficazmente”, lê-se no relatório, citado pelo New York Times.

Columbia está “ciente das falhas institucionais”

Esta terça-feira, em comunicado, a presidente interina da Universidade da Columbia disse que a instituição está “ciente das falhas institucionais que permitiram que Hadden explorasse o sistema, abusasse de pacientes e evitasse ser descoberto durante tanto tempo”. A responsável, Claire Shipman, garante ainda que a Universidade está empenhada em garantir que nada parecido se repetirá.

A presidente interina anunciou ainda que Mary D’Alton, médica que, de acordo com o relatório tinha “uma relação de trabalho próxima” com Robbert Hadden, irá deixar o seu cargo de líder do departamento de Obstetírica e Ginecologia do centro médico da Universidade da Columbia e do hospital NewYork-Presbyterian. Já o antigo reitor da Universidade da Columbia, Lee Goldman, irá reformar-se.