O preço do gasóleo ultrapassou o da gasolina com os aumentos desta semana, estando 4 cêntimos por litro mais caro. As estatísticas da Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG) confirmam ainda que o gasóleo rodoviário aumentou quase 19 cêntimos por litro para 1,817 euros, enquanto a gasolina aumentou 7,3 cêntimos por litro para 1,776 euros.
No que toca à carga fiscal, e olhando apenas para o gasóleo, a decisão do Governo de baixar o imposto sobre os produtos petrolíferos (ISP) em 3,55 cêntimos por litro permitiu, de facto, anular o ganho que teria no IVA sobre este combustível. Tal como sinalizou o Ministério das Finanças, liderado por Miranda Sarmento, a carga fiscal no gasóleo manteve-se nos 0,840 euros por litro, abaixo do preço antes de impostos que atingiu os 0,978 euros por litro.
Já na gasolina onde não foi aplicada, para já, qualquer redução de imposto, o Estado arrecada mais 1,4 cêntimos por litro em IVA, à boleia de um acréscimo de quase seis cêntimos no preço antes de impostos. Foi devido à maior cobrança de IVA que o preço final subiu mais de 7 cêntimos.
Este ganho pode ser interrompido, caso a gasolina volte a subir na próxima semana e o aumento acumulado, face aos preços em vigor antes do início do conflito no Irão, supere os 10 cêntimos por litro. Só aí, é que será feita a devolução do ganho fiscal no IVA via redução do ISP também na gasolina.
As cotações dos produtos refinados voltaram a disparar na segunda-feira, embaladas pela maior subida diária do petróleo, mas os mercados acalmaram esta terça-feira, com o Brent a recuar mais de 13% no final do dia. No entanto, os produtos refinados podem ter dinâmicas próprias, como aconteceu na semana passada com o diesel que aumentou muito mais do que o crude.
Apesar de ter sido o maior aumento de sempre de uma só vez no gasóleo, os preços médios desta semana estão ainda longe dos máximos registados durante o pior período que se seguiu à Guerra da Ucrânia, ainda antes do Governo de António Costa ter aprovado uma descida mais acentuada do imposto petrolífero. Mesmo com essa descida, o gasóleo ultrapassou os dois euros por litro em junho de 2022.
O desconto fiscal temporário introduzido nessa conjuntura ainda não tinha sido totalmente recuperado quando se iniciou esta nova crise nos preços.