No arranque das jornadas parlamentares do PSD, em Caminha, Hugo Soares deixou dois desafios ao PS. Depois de frisar que começa agora um novo ciclo — com o novo Presidente da República, António José Seguro, a pressionar os partidos para chegarem a consensos e entendimentos — o líder parlamentar aproveitou para desafiar aos socialistas a fazerem a sua parte, incluindo na periclitante reforma laboral.
Depois de esta segunda-feira as negociações terem terminado sem acordo, com doze pontos em que não foi encontrado consenso, Hugo Soares veio responsabilizar o líder do PS, José Luís Carneiro, voltando a sugerir que a UGT se está a colocar de fora dos entendimentos por motivos políticos. Assim, Soares disse ter ouvido José Luís Carneiro a pedir explicações a Montenegro por ainda não ter havido acordo sobre reforma laboral, ficando com a perceção de que na verdade o socialista quereria “encerrar já o diálogo”.
“Queria ser ele a decretar a morte do diálogo social. Apressou-se a tirar conclusões e a pedir explicações. Era muito mais motivador e responsável, bem visto pelos portugueses” se o líder do PS estiver a fazer cálculos eleitorais, “que tivesse aproveitado para apelar ao Governo para voltar às negociações — de onde nunca saiu — mas também à UGT, que tem uma tendência socialista muito vincada, para voltar às negociações”, sugeriu.
E quis frisar a importância que o PSD dá à concertação social, ironizando: ao contrário de outros não a considera uma “feira de gado”, como chegou a dizer o socialista Augusto Santos Silva num comentário num jantar de Natal do PS, pelo qual depois se viria desculpar.
Reconhecendo a dificuldade do atual trabalho parlamentar, que implica procurar entendimentos quer com o PS com o Chega — que por razões “pueris” fazem “birra” quando se entende quer com um, quer com outro, registou — Soares defendeu: “Na esmagadora maioria das matérias pode haver consenso, diálogo, construção de soluções entre bloco maioritário moderado que apresentamos, a direita populista e a esquerda do PS”.
Para isso, também quis voltar a envolver o PS na negociação da Lei da Nacionalidade, lançando o desafio ao PS e ao Chega para que no Parlamento se entendam sobre o diploma (que terá de ser alterado após o chumbo de algumas normas pelo Tribunal Constitucional). “O PS não pode ficar fora desta discussão”, que faz parte dos “princípios fundadores da pátria”, atirou.
O PS chegou a aproximar-se da posição do PSD, incluindo no número de anos durante os quais alguém tem de residir em Portugal para obter a nacionalidade portuguesa; mas os sociais democratas alinharam em várias alterações pedidas pelo Chega, que acabou por viabilizar a proposta. O PS pediu ao Tribunal Constitucional a fiscalização preventiva de várias dessas normas, tendo os juízes do Palácio Ratton considerado que cinco das oito normas referidas pelos socialistas suscitavam, de facto, problemas de constitucionalidade.