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Após críticas de Passos, Hugo Soares defende "mudança tranquila e sem ideologia" conduzida pelo Governo

Se Governo ouviu críticas por falta de reformismo, líder parlamentar veio fazer balanço do trabalho do PSD, que representa "bloco do centro moderado". Os portugueses estão do seu lado, assegurou.

Mariana Lima Cunha
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O guião para a defesa do trabalho do Governo — e presumivelmente às críticas de falta de reformismo lançadas por Pedro Passos Coelho, mesmo que este nunca tenha sido mencionado — está escrito. Nas jornadas parlamentares do PSD em Caminha, o líder parlamentar, Hugo Soares, aproveitou o pretexto de se celebrarem dois anos desde a primeira vitória do PSD de Luís Montenegro, em 2024, para defender a “mudança tranquila” e “sem ideologia” que o Executivo está a conduzir, em jeito de balanço.

Desde logo, Hugo Soares traçou uma comparação com os tempos do Governo de Passos Coelho, reconhecendo que desta vez o PSD não herdou um país em crise ou pré-bancarrota, mas sim com um “autêntico colapso nos serviços públicos”. “Sabemos bem como estava a escola pública, o SNS, as áreas de soberania”, enumerou, traçando um retrato negro — também para justificar as mudanças que o Governo teve de fazer, e presumivelmente a demora que estas implicam.

Mas quis frisar um ponto principal: apesar das críticas ou “resistências” que está a enfrentar, este Governo tem o apoio dos portugueses, que até reforçaram a votação na AD em 2025. “Iniciámos uma mudança tranquila com a adesão dos portugueses. Se há algo de que nos podemos orgulhar é que temos connosco a adesão das pessoas”. As mudanças oferecem, muitas vezes, “resistência e bloqueios” nos do “costume”, mas fazem-se “com o povo”, quis sublinhar.

A tal mudança, que deve agora prosseguir no “novo ciclo” iniciado com a tomada de posse de António José Seguro, é dedicada a “transformar e resolver problemas concretos”, sem se preocupar com “taticismos eleitorais” ou se as medidas são mais à esquerda ou à direita, frisou. Assim, Soares argumentou a favor da estratégia que o Governo tem seguido (depois de Passos ter defendido que deveria ter procurando primeiro um acordo à direita, nem que fosse para responsabilizar IL e Chega por uma possível ‘nega’): “Na esmagadora maioria das matérias pode haver consenso, diálogo, construção de soluções entre bloco maioritário moderado que representamos, a direita populista e a esquerda do PS”.

Recapitulando o trabalho que o Governo e o PSD foram construindo nestes dois anos, e quando mesmo à direita se ouvem críticas sobre uma governação supostamente “à Costa” feita por Montenegro, o líder parlamentar explicou que o Governo não aumentou os funcionários públicos para “despejar dinheiro”, mas porque acredita numa mudança tranquila na administração pública em que o foco são os trabalhadores, assim como os pensionistas. “Estamos a fazê-lo porque queremos mesmo incutir uma mudança tranquila também comportamental. Queremos que saibam que com o nosso Governo valorizamos as suas vidas”.

Por isso, voltou a defender uma mudança “despida de ideologia, nem de esquerda nem de direita”. Se lhe quiserem chamar um “perigoso esquerdista” por o Governo ter aumentado pensões ou um “populista de direita” por regular a imigração, provocou, responderia: “Não me importo nada”. “O nosso foco não é de esquerda nem de direita, são as pessoas e os seus problemas concretos”. “Outros” deixam-se condicionar por esses critérios, mas o Governo “vai continuar no meio destes dois blocos, no centro moderado”.

Quis também deixar outros exemplos de reformas do Governo: está a fazer uma reforma do Estado e acabou com os conselhos fiscais nas Unidades Locais de Saúde, que estavam “bem vestidos de rosa”, ou seja, com elementos do PS em cargos “bem pagos”– e o PSD acabou com esses lugares “redundantes”, na tal mudança tranquila e sem “propaganda”. “Se calhar devíamos propagandear mais”. Falou também numa mudança “incrível” nas políticas de Habitação, incluindo nas regras de licenciamento, que “muitos tendem a desvalorizar”, e frisou que é “histórico” que tenha havido dois Orçamentos do Estado seguidos sem aumentos de impostos e que os descem.

Concluindo o seu guião sobre o trabalho do Governo, Soares sublinhou ainda a importância da proibição do uso de redes sociais para menores de 13 anos, falando numa “reforma comportamental”, que muda mentalidades. E recordou também os melhores indicadores económicos, sublinhando que o PSD deve promovê-los com “orgulho”. “Se não formos ambiciosos e orgulhosos do que fizemos até agora, ninguém vai ser por nós. E eu tenho mesmo muito orgulho do que fizemos até agora”, atirou.