Um juiz federal deu ao governo norte-americano um prazo até ao meio-dia de segunda-feira para apresentar uma explicação formal sobre a detenção da jornalista Estefany María Rodríguez Florez, jornalista que se encontra atualmente num centro de detenção no Alabama. Rodríguez, repórter do órgão de comunicação em espanhol Nashville Noticias que tem acompanhado de perto as operações da agência na cidade, foi detida na quarta-feira por agentes do ICE (Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos) enquanto se encontrava num carro identificado com o logótipo do meio de comunicação.
Por volta das 07h15 da manhã de quarta-feira, Estefany e o marido, cidadão norte-americano, chegavam ao ginásio. Terá sido nesse momento que agentes do ICE a algemaram e detiveram, segundo explicou o advogado da jornalista citado pelo próprio órgão de comunicação para o qual trabalha. A agência de imigração sustenta que Rodríguez faltou deliberadamente a duas entrevistas agendadas com os serviços responsáveis pelo processo, o que, no seu entendimento, a colocaria em risco de fuga. O ICE, que apenas terá contactado a jornalista em janeiro — cinco anos depois da sua entrada legal nos Estados Unidos —, alega ainda que Estefany permaneceu no país após o vencimento do visto.
A defesa contesta esta versão. Segundo o advogado, uma das entrevistas estava marcada para um dia de forte nevão em Nashville, o que terá impedido a jornalista nascida na Colômbia de comparecer. Durante uma conferência de imprensa realizada na quinta-feira nas instalações da Tennessee Immigrant and Refugee Rights Coalition (TIRRC) — organização onde se integra a equipa jurídica que representa Estefany — foi apresentada uma mensagem dos serviços de imigração a indicar uma nova marcação para 25 de fevereiro. O ICE afirma, contudo, não ter registo dessa remarcação no seu sistema.
Na manhã de segunda-feira, os advogados da TIRRC apresentaram uma emenda à petição judicial que tinham entregado na sexta-feira, dando conta de novos elementos sobre a forma como ocorreu a detenção. Segundo a defesa, os dados reunidos entretanto sugerem uma ação retaliatória ligada às reportagens da jornalista, violando as garantias de liberdade de expressão previstas na Primeira Emenda da Constituição norte-americana. Para os advogados, o facto de Rodríguez ter sido retirada de um carro claramente identificado como veículo de imprensa e detida sem mandado judicial levanta sérias preocupações.
O advogado Mike Holley sustenta que o documento divulgado posteriormente pelo Departamento de Segurança Interna (DHS) nas redes sociais foi emitido apenas depois de a jornalista já ter sido detida e transferida para um escritório do ICE.
https://twitter.com/DHSgov/status/2030339436156756271
A TIRRC sublinha que a situação é particularmente sensível por se tratar de uma jornalista de língua espanhola que frequentemente denunciava as políticas de imigração e as operações de fiscalização da agência. “A liberdade de expressão — especialmente a liberdade de denunciar quando o governo prejudica pessoas — é um dos pilares da democracia”, afirmaram os representantes legais. Holley acrescentou que a situação não é isolada: “O que aconteceu com Estefany é devastador, mas infelizmente não é raro”, disse, acusando o ICE de continuar a realizar operações e detenções sem mandado em várias partes do país.