
A frase
O porta-aviões USS Abraham Lincoln, orgulho da marinha americana, foi atingido pelo Irã! E o mais impressionante: 4 MÍSSEIS BALÍSTICOS FORAM SUFICIENTES!
— Utilizador de Instagram, 01 de março de 2026
A 1 de março, logo a seguir ao início da guerra entre os Estados Unidos e Israel, de um lado, e o Irão, do outro, ter começado, a Guarda Revolucionária Iraniana afirmou ter destruído o porta-aviões Abraham Lincoln, da marinha norte-americana, com quatro mísseis balísticos.
“O porta-aviões norte-americano Abraham Lincoln foi atingido por quatro mísseis balísticos”, adiantou a Guarda, garantindo que “a terra e o mar vão cada vez mais tornar-se o cemitério dos terroristas agressores”.

Nas redes sociais, surgiram várias publicações que, através de um vídeo, mostram o navio em chamas e a afundar, depois da retaliação do Irão.
Mas pouco depois, o Pentágono desmentiu o rumor, sendo que a conta oficial do X do Comando Militar Central dos Estados Unidos partilhou imagens do porta-aviões para comprovar que não tinha sido atingido.
https://twitter.com/CENTCOM/status/2028124242273767557
Além desta confirmação por parte dos EUA, o Observador pesquisou frames do vídeo e concluiu que estas imagens já tinham sido partilhadas em junho de 2025, ou seja, meses antes dos Estados Unidos e Israel terem atacado em conjunto o Irão. Mais ainda: uma análise feita pelo SynthID, uma ferramenta da Google que deteta se um conteúdo foi gerado através de Inteligência Artificial, confirma que “há fortes indícios de que esta imagem não é real, tendo sido provavelmente gerada ou manipulada digitalmente”. O facto de apenas saírem chamas de um dos focos de fogo e do movimento das próprias chamas ser pouco realista sugerem também, logo a olho nu, que o vídeo não real.
Desde então, a Guarda Revolucionária Iraniana voltou a dizer que o porta-aviões se encontrava inoperável, uma alegação que os EUA voltaram a contradizer.
Conclusão
O vídeo partilhado nas redes sociais que alega que o Irão destruiu um porta-aviões norte-americano, é falso. As mesmas imagens já circulavam online desde junho de 2025, meses antes da guerra. Além disso, o vídeo apresenta inconsistências típicas de imagens geradas através de IA, como confirma o SynthID do Google.
Assim, de acordo com o sistema de classificação do Observador, este conteúdo é:
ERRADO
No sistema de classificação do Facebook, este conteúdo é:
FALSO: As principais alegações do conteúdo são factualmente imprecisas. Geralmente, esta opção corresponde às classificações “falso” ou “maioritariamente falso” nos sites de verificadores de factos.
NOTA: este conteúdo foi selecionado pelo Observador no âmbito de uma parceria de fact checking com o Facebook.