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"Incerteza lançada sobre o setor da economia social mantém-se". PS pede que Governo suspenda processo de saída da CASES

PS pede que Governo recue na decisão que já foi publicada através de uma resolução do Conselho de Ministros. Saída do Estado da CASES é contestada por várias entidades do setor social.

Marina Ferreira
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O PS vai recomendar ao Governo, através de um projeto de resolução, a suspensão do processo de extinção da Cooperativa António Sérgio para a Economia Social (CASES), entidade da qual o Estado vai retirar a sua participação social, tal como anunciado em novembro do ano passado no âmbito do corte de 20 entidades do Ministério do Trabalho e Segurança Social (MTSS).

Na proposta, anunciada esta terça-feira numa audição pública sobre os setor da economia social organizada pelo PS, encerrada por José Luís Carneiro, secretário-geral do partido, recorda-se que a decisão da saída do Estado da organização foi “tomada sem concertação ou aviso prévio”. O partido apela a que o Executivo “inicie de imediato um processo de diálogo com os cooperadores da CASES para salvaguardar o interesse público, a economia social e os trabalhadores”.

A 3 de fevereiro a decisão que tinha sido anunciada em novembro foi tornada definitiva com a publicação da resolução do Conselho de Ministros que exonera a participação pública do Estado da entidade. Dias antes, a secretária de Estado da Segurança Social, Susana Filipa Lima, já tinha recusado numa audição no Parlamento que houvesse volta a dar em relação à intenção que o Governo anunciou em novembro.

A CASES é uma”cooperativa de interesse público”, tendo como uma das principais funções a certificação de cooperativas em Portugal. Atua também na área do voluntariado desde 2017, fornecendo kits de voluntariado e assegurando a formação de novos voluntários em várias organizações em todo o país. Gere ainda um programa de microcrédito e desenvolve a Conta Satélite da Economia Social em parceria com o INE. Tal como noticiou o Observador, são várias as vozes que nos últimos meses se levantaram contra a decisão do Executivo.

Passados mais de três meses, a incerteza lançada sobre o setor mantém-se. Tal como se mantêm as dúvidas sobre os reais fundamentos da decisão, uma vez que o próprio Governo admite que a CASES contribuiu para o desenvolvimento da economia social e que é assumido que o seu desaparecimento vai agravar os custos de contexto das organizações da economia social que perderão a entidade dedicada e especializada com que têm contado e passarão a ter de interagir com várias entidades”, defende o PS numa nota à comunicação social.

O partido entende que a entidade é há mais de uma década e meia “um interlocutor fundamental destes setores não lucrativos e tem desempenhando, entre outras, funções de credenciação cooperativa, programas de apoio à economia social, produção jurídica e normativa, apoio jurídico às entidades, programas de microcrédito, enquadramento e estímulo ao voluntariado, produção de informação, desde logo na conta-satélite da economia social, entre outros”.

Pede que se “inicie de imediato um processo de diálogo construtivo com os cooperadores, representantes de diferentes modalidades da economia social e do melhor interesse das organizações que a promovem”.

“Materialmente, continua sem haver informação sobre o destino das competências exercidas pela CASES, que o Governo de resto admitiu ainda desconhecer em audição parlamentar recente”, acusa ainda, lembrando que “ficaram em risco, de um dia para o outro, mais de 30 de trabalhadores”.

E acrescenta: “Acima de tudo, vai perder-se uma entidade altamente especializada e qualificada que é reconhecida pelo setor e pelas dezenas de milhares de entidades, de diferentes naturezas, que o compõem.”