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Croácia retoma serviço militar obrigatório. Jovens serão introduzidos de forma "gradual" à vida militar

Abolido em 2008, o serviço obrigatório volta à Croácia com foco na guerra moderna: controlo de drones e técnicas de cibersegurança. País quer formar 4.000 recrutas por ano, invocando a ameaça russa.

Manuel Nobre Monteiro
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A Croácia retomou o serviço militar obrigatório para responder às crescentes preocupações de segurança na Europa e na região dos Balcãs. De acordo com a agência Reuters, centenas de jovens croatas apresentaram-se, nos últimos dias, para cumprir o serviço de carácter obrigatório, que tinha sido abolido em 2008.

O primeiro grupo, com cerca de 800 recrutas, começou a formação em quartéis localizados em três zonas do país. Segundo a mesma agência de notícias, os jovens são encaminhados para as instalações militares mais próximas das suas casas, onde recebem o equipamento e a atribuição de dormitórios. Durante dois meses, estarão sujeitos à disciplina militar.

O chefe do Estado-Maior das Forças Armadas croatas, Tihomir Kundid, explicou que os recrutas “foram retirados do ambiente civil”, mas garantiu que o processo será “gradual” para evitar stress excessivo. Segundo o general, citado pela BBC, os jovens serão introduzidos passo a passo à vida militar.

O programa de formação inclui treino militar tradicional, mas também competências ligadas às novas formas de conflito, como “controlo básico de drones, defesa contra drones e técnicas de cibersegurança e guerra digital”.

A decisão de restabelecer o serviço militar obrigatório foi influenciada pela guerra na Ucrânia. A Croácia está relativamente próxima do conflito — apenas a Hungria separa o país da Ucrânia — e o Governo considera que o contexto de segurança na região mudou significativamente.

O ministro da Defesa croata, Ivan Anusic, afirmou à BBC que a situação na região era estável no passado, mas que nos últimos anos se tornou diferente. “Há quatro anos que estamos a analisar não só a agressão russa na Ucrânia, mas também os agentes da Rússia por toda a Europa a desempenharem as suas funções”, sublinhou, referindo-se às atividades de influência de Moscovo em vários países europeus.

O plano do Governo croata prevê mais três recrutamentos até ao final deste ano, com o objetivo de formar cerca de 4.000 recrutas por ano. Com esta decisão, a Croácia junta-se a outros países da NATO que mantêm ou voltaram a introduzir o serviço militar obrigatório, entre eles a Alemanha e a Grécia. Neste momento, dez países da União Europeia têm serviço militar obrigatório: Áustria, Chipre, Croácia, Dinamarca, Estónia, Finlândia, Grécia, Letónia, Lituânia e Suécia.

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Esta medida pode influenciar outros países da região. Na Eslovénia, o maior partido da oposição defende o regresso do serviço militar obrigatório, enquanto na Sérvia o Presidente, Aleksandar Vucic, anunciou que pretende reintroduzir o serviço militar dentro de um ano, assim como o aumento do investimento nas Forças Armadas.