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Mau tempo. Alvaiázere contabilizou 60 milhões de euros de prejuízos

A Câmara de Alvaiázere contabilizou 60 milhões de euros de prejuízos, segundo João Paulo Guerreiro. O autarca afirma que os prejuízos já foram reportados às entidades competentes.

Agência Lusa
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A Câmara de Alvaiázere contabilizou 60 milhões de euros de prejuízos na sequência do mau tempo, disse esta terça-feira à agência Lusa o seu Presidente, que alertou que o município não tem capacidade financeira para recuperar o território.

“Já reportámos a todas as entidades que nos solicitaram, inclusive à CCDR [Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro], a enormidade de danos que tivemos em Alvaiázere, seja em infraestruturas públicas, seja em IPSS [instituições particulares de solidariedade social], associações, mesmo no património cultural, religioso. É um valor muito grande, mais de 60 milhões de euros”, declarou João Paulo Guerreiro.

À margem de uma reunião da Comunidade Intermunicipal da Região de Leiria, que esta terça-feira decorre em Castanheira de Pera, João Paulo Guerreiro adiantou que o município vai agora analisar com a CCDR Centro a forma como a autarquia vai “conseguir recuperar tudo isto”.

“Pensei que, no apuramento de danos, não fosse tanto, pensei que andássemos por cerca da metade deste valor, mas, efetivamente, considerando tudo aquilo que é a necessidade de intervenção na floresta, nos caminhos florestais, nas linhas de água, nas infraestruturas municipais, é um valor realmente muito grande que nós não temos capacidade financeira no município para recuperar”, frisou.

O Presidente da Câmara explicou que, nesta fase, há uma “preocupação muito grande, que são os incêndios rurais”.

“Já somos um território muito vulnerável e estamos muito preocupados com a desobstrução de estradas, com a limpeza das florestas”.

Se não for feito trabalho neste âmbito, o concelho corre o risco de, daqui a três meses, estar “outra vez em catástrofe, em aflição”, advertiu.

“Até agora, é meu entender que os meios disponibilizados não estão a ser suficientemente rápidos, nem suficientemente robustos para podermos dar uma resposta rápida, porque temos aqui uma janela de dois ou três meses para fazer a intervenção”, destacou, realçando a importância da “intervenção na recuperação da floresta, nos caminhos florestais, para que os bombeiros possam atuar em segurança caso venha a haver incêndios”.

Quanto à reconstrução, João Paulo Guerreiro disse ter noção de que “tem de ser feita com mais calma, com mais tempo”, declarando-se confiante de que, quer a CCDR Centro, quer o Governo, “estão sensíveis a esta situação e vão, para além daqueles meios e mecanismos que já estão disponibilizados”, dar “mais meios e mais mecanismos” para que se consiga reerguer o concelho.

“Os alvaiazerenses são muito resilientes, queremos retomar mais fortes do que o que estávamos antes da tempestade do dia 28 de janeiro”, dia em que a depressão Kristin atingiu gravemente o concelho.

A Comunidade Intermunicipal da Região de Leiria integra, além de Alvaiázere, os municípios de Ansião, Batalha, Castanheira de Pera, Figueiró dos Vinhos, Leiria, Marinha Grande, Pedrógão Grande, Pombal e Porto de Mós.

Pelo menos 19 pessoas morreram em Portugal desde 28 de janeiro na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que fizeram também várias centenas de feridos, desalojados e deslocados. Mais de metade das mortes foram registadas em trabalhos de recuperação.

Os temporais, que atingiram o território continental durante cerca de três semanas, provocaram a destruição total ou parcial de milhares de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias, com prejuízos de milhares de milhões de euros.

As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo foram as mais afetadas.