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(A) :: Primeiros ataques dos Estados Unidos ao Irão terão custado quase 5 mil milhões de euros

Primeiros ataques dos Estados Unidos ao Irão terão custado quase 5 mil milhões de euros

Estimativa apresentada ao Congresso alarmou legisladores. Com as reservas de armas a esgotar, Pentágono muda de estratégia e aposta em bombas guiadas por laser, que são mais baratas e abundantes.

Manuel Nobre Monteiro
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O Departamento de Defesa dos Estados Unidos terá gastado cerca de 5,6 mil milhões de dólares (cerca de 4,8 mil milhões de euros) logo nos dois primeiros dias da ofensiva militar contra o Irão, de acordo com três responsáveis norte-americanos, citados pelo Washington Post. A estimativa, apresentada ao Congresso esta segunda-feira, está a aumentar a preocupação de vários legisladores devido à rapidez com que as Forças Armadas estão a esgotar as armas norte-americanas.

https://observador.pt/2026/02/28/trump-ameacou-e-cumpriu-comecou-a-guerra-com-o-irao-e-ja-morreram-mais-de-50-pessoas-retaliacao-teve-como-alvo-varios-paises/

Segundo o mesmo jornal, o Governo deverá, ainda esta semana, enviar um pedido adicional de orçamento da defesa que poderá atingir dezenas de milhares de milhões de dólares com o objetivo de financiar a continuação da ofensiva militar no Médio Oriente. A proposta deverá enfrentar oposição de muitos democratas, que já tentaram limitar as novas ações militares contra o Irão.

Em resposta às preocupações, Sean Parnell, porta-voz principal do Pentágono, afirmou que o Departamento de Defesa tem “tudo o que precisa para executar qualquer missão no momento e no local escolhidos pelo Presidente Trump”.

O secretário de Defesa, Pete Hegseth, e o chefe do Estado-Maior Conjunto, Dan Caine, indicaram na semana passada que a estratégia militar está a mudar. Depois de uma fase inicial com grande uso de munições de precisão — que são mais caras e escassas — as forças norte-americanas e israelitas deverão recorrer cada vez mais a bombas guiadas por laser, que existem em maior quantidade. O valor de 5,6 mil milhões de dólares refere-se sobretudo aos ataques realizados antes desta mudança de estratégia.

Até agora, as forças norte-americanas terão atingido mais de três mil alvos no Irão com mais de duas mil munições, incluindo mísseis de cruzeiro Tomahawk e sistemas avançados de defesa aérea.

https://observador.pt/especiais/eua-irao-qual-e-a-estrategia-militar-dos-dois-lados/

Paralelamente, o Pentágono está a transferir equipamento militar de outras regiões do mundo para reforçar as operações no Médio Oriente. Parte de um sistema de defesa antimíssil THAAD está a ser deslocada da Coreia do Sul para a região e intercetores Patriot estão a ser retirados das reservas no Indo-Pacífico e noutros locais para reforçar a defesa contra drones e mísseis balísticos iranianos. Segundo responsáveis, a medida é sobretudo preventiva, caso o Irão aumente o número de ataques de retaliação.

Antes da operação militar, o chefe do Estado-Maior Conjunto dos Estados Unidos já tinha avisado a Casa Branca de que um conflito prolongado com o Irão poderia esgotar as reservas de armas de precisão do país, que já tinham sido reduzidas após anos de apoio militar à Ucrânia na guerra contra a Rússia e outras operações militares norte-americanas em vários países.

Entretanto, analistas ouvidos pelo Washington Post têm demonstrado surpresa com a capacidade de resposta do Irão. Os ataques de retaliação iranianos têm mostrado um nível de sofisticação superior ao esperado, conseguindo em alguns casos atingir ou sobrecarregar partes importantes dos sistemas de defesa aérea dos Estados Unidos e de Israel.

Quase 1300 pessoas já morreram desde o início dos ataques dos Estados Unidos e Israel contra o Irão. De acordo com a agência Reuters, pelo menos 1230 pessoas foram mortas no Irão, incluindo 175 alunos e funcionários mortos em um ataque com mísseis a uma escola primária. Os Estados Unidos afirmam que pelo menos sete militares americanos foram mortos e há ainda centenas de vítimas mortais a registar em todo o Médio Oriente depois dos ataques de retaliação do Irão contra países vizinhos e do conflito entre Israel e o Líbano.