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(A) :: Vídeo prova que terá sido míssil Tomahawk norte-americano a atingir base junto a escola onde morreram 175 pessoas no Irão

Vídeo prova que terá sido míssil Tomahawk norte-americano a atingir base junto a escola onde morreram 175 pessoas no Irão

A escola foi atingida por um tipo de armamento que apenas os norte-americanos, britânicos e australianos possuem. Trump diz que caso está a ser investigado, mas volta a apontar o dedo ao Irão.

Sâmia Fiates
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Um novo vídeo publicado pela agência semi-oficial iraniana Mehr News, e analisado por vários órgãos de comunicação social internacionais, como a BBC, a CNN, o The Guardian ou a Reuters, indica que foi um míssil Tomahawk norte-americano a atingir a escola feminina em Minab, no sul do Irão, no sábado, dia 28 de fevereiro. O ataque, direcionado a uma base naval da Guarda Revolucionária que fica ao lado da escola, resultou na morte de 175 pessoas, a maior parte delas crianças, de acordo com a imprensa estatal iraniana.

Embora os EUA não tenham admitido explicitamente ter atacado a escola ou o quartel adjacente da Guarda Revolucionária iraniana, o país confirmou ter realizado ataques na área — numa reunião no Pentágono liderada por Pete Hegseth a 4 de março. “É claro que nunca temos civis como alvos, mas estamos a investigar”, admitiu o Secretário de Defesa dos EUA em conferência de imprensa, enquanto militares norte-americanos já haviam confirmado à Reuters a suspeita de que o ataque havia sido provocado por um míssil norte-americano. Já numa conferência de imprensa esta terça-feira, Hegseth disse que “sempre que ocorrerem situações que precisem de ser investigadas, iremos investigá-las”, afirmando que “o recurso a fontes abertas não é a forma adequada de determinar o que aconteceu ou deixou de acontecer”.

O míssil que surge no vídeo foi identificado por especialistas em munições ouvidos pelo The Guardian como um míssil Tomahawk, um tipo de armamento desenvolvido pelos Estados Unidos da América que tem vindo a ser usado no atual conflito. “Isso indica que foi um ataque dos EUA, uma vez que não se sabe que Israel possua mísseis Tomahawk”, disse N.R. Jenzen-Jones, diretor da Armament Research Services, uma consultora que fornece análises de munições para governos e ONGs. “Apesar de várias alegações circularem online, a munição em questão claramente não é um míssil Soumar iraniano: o Soumar possui um motor externo característico localizado na parte traseira, na parte inferior da munição”, explica ainda o especialista. De acordo com o New York Times, os EUA também não venderam o armamento ao Irão e apenas dois aliados norte-americanos terão mísseis Tomahawks — o Reino Unido e a Austrália — e nenhum deles perpetrou os ataques do sábado.

No fim de semana, Donald Trump chegou a declarar que o Irão havia sido responsável pelo bombardeamento na escola. “Na minha opinião, com base no que vi, aquilo foi feito pelo Irão… São muito pouco precisos, como sabem, com as suas munições”, disse o Presidente. Na conferência de imprensa da passada segunda-feira, Donald Trump voltou a sugerir que o Irão poderá ser o responsável, porque o país “também tem alguns Tomahawks”.

“Não vi o vídeo”, respondeu logo a um jornalista quando questionado sobre as imagens recentemente divulgadas, mas destacou que o míssil é um dos mais poderosos que existe. “É usado também por outros países. Seja do Irão, que também tem alguns Tomahawks, e desejavam ter mais; ou de outro país, o facto de ser um Tomahawk ainda é genérico. É vendido a muitos outros países”, disse o Presidente norte-americano. Pressionado pelos jornalistas presentes sobre se os EUA poderão ser os responsáveis pelo ataque, Trump disse que o caso está a ser investigado e que está  “disposto a conviver” com “qualquer que seja” a conclusão da investigação.

A cidade de Minab, situada no coração do Estreito de Ormuz, é um ponto importante da força militar iraniana e por isso tinha várias instalações militares dos diferentes braços armados da Guarda Revolucionária. A escola atingida, Shajareh Tayyebeh, pertence a uma rede escolar que está associada à Marinha, pelo que uma grande parte dos estudantes são as filhas dos militares.