Chamadas telefónicas a jornalistas, declarações no final de um encontro com republicanos e uma conferência de imprensa. Esta segunda-feira, o Presidente norte-americano multiplicou-se em intervenções públicas sobre a guerra no Irão. As posições de Donald Trump nem sempre foram consistentes; tanto admitiu que a guerra está “praticamente concluída”, como reconheceu que os Estados Unidos da América (EUA) vão continuar a ofensiva até derrotarem totalmente o regime iraniano.
Num momento em que o preço dos combustíveis e do gás natural sobe em todo o mundo incluindo nos Estados Unidos, o Presidente norte-americano veio tentar acalmar os mercados ao declarar à CBS News que a guerra está quase a terminar. O chefe de Estado norte-americano referiu que Washington está “muito adiantado” no plano de quatro a cinco semanas da guerra — e que nunca imaginaria que se conseguissem atingir tantos objetivos militares em tão pouco tempo.
Entre hipérboles e elogios às Forças Armadas norte-americanas, Donald Trump deixou, ainda assim, uma garantia: esta semana não terminará a guerra, mas será “em breve” que as hostilidades com o Irão vão cessar. O líder norte-americano frisou que Washington está a travar os iranianos num “bom timing”. “Estamos muito orgulhosos. Isto vai acabar em breve. Se começar novamente, [o Irão] será atacado com mais força”, destacou Donald Trump, reconhecendo pela primeira vez que o conflito poderá recomeçar.
No teatro de operações, o Presidente dos Estados Unidos elogiou os “ataques mais poderosos e eficientes” de Israel e dos EUA contra a “ameaça” do Irão. “Tivemos grande sucesso, como na Venezuela e em todos os sítios. É um grande êxito”, frisou. Donald Trump relatou que, entre a marinha iraniana, foram destruídos 51 navios. O Presidente dos EUA também mencionou que foram destruídos os locais onde o Irão constrói os seus drones, assim como os mísseis. Trump diz também que o Irão tinha um novo local para desenvolver armas nucleares protegido por granito, para substituir as instalações bombardeadas no ano passado pelos EUA. “Mas estavam a começar a trabalhar noutro local, um local diferente, um tipo diferente de local — e esse estava protegido por granito”, disse o Presidente, que acrescentou que o Irão queria utilizar a “ameaça crescente dos mísseis balísticos para tornar praticamente impossível impedi-los de obter uma arma nuclear”.
Para o futuro, Donald Trump afirmou que está a guardar “importantes alvos para mais tarde” dentro do Irão. Neste sentido, o líder dos EUA referiu que um dos alvos pode ser o setor energético iraniano — o que geraria “danos devastadores”. “Ainda não fizemos isso porque causaria devastação”, sublinhou. Ora, um dos motivos que poderá levar a ataques mias intensos poderá ser o bloqueio do Irão à passagem de petróleo através do Estreito de Ormuz.
Nesta lógica, o líder norte-americano frisou que “não quer o regime terrorista” faça “do mundo refém” e que “ganhe vantagens indevidas”. O Presidente dos EUA prometeu que não vai deixar que o Irão interfira ou interrompa as cadeias de abastecimento de petróleo ou de gás natural. Caso isso aconteça, o território iraniano “será atacado como nunca foi”. “Vamos terminar com eles. Nunca serão capazes de se reconstruirem. É melhor não jogarem este jogo, iranianos”, ameaçou.
O líder da Casa Branca salientou ainda que o fim do regime iraniano vai terminar com os ataques às embarcações no Estreito de Ormuz do Irão e dos seus proxies. No final do conflito, isso vai diminuir o preço de gás e petróleo para as famílias norte-americanas e para todo o mundo, antecipou.
Por conta da subida do preço do petróleo, Donald Trump anunciou que os Estados Unidos vão “aliviar sanções relacionadas com o petróleo” a “alguns países” — que não precisou quais serão. O Presidente norte-americano referiu ainda que algumas sanções poderão nunca mais ser aplicadas, porque vaticina que haverá “tanta paz” que não será preciso. E deixou a garantia de que a marinha norte-americana vai “escoltar” os navios que transitam no Estreito de Ormuz.
Líder Supremo do Irão? Trump está “desiludido”
Em relação à nomeação de Mojtaba Khamenei enquanto novo Líder Supremo do Irão, Donald Trump assumiu que “não está feliz” e está “desapontado” com a eleição. O Presidente norte-americano até admitiu que poderá ser necessário eliminá-lo, tal como aconteceu com o pai Ali Khamenei.
Em relação à sucessão como próximo rosto do regime, Donald Trump “gosta da ideia” de uma solução “interna”. “Provámos isso na Venezuela”, lembrou o Presidente norte-americano, aludindo à nova líder venezuelano, Delcy Rodríguez. Sobre o filho do Xá — Reza Pahlavi —, o chefe de Estado disse que “não esteve” no Irão “durante muito tempo”. O líder norte-americano prefere alguém “dentro do regime”. “A fórmula vai continuar, acho eu.”