O presidente da Câmara Municipal de São Vicente, o único município do Chega na Madeira, disse esta segunda-feira que retirou os pelouros aos outros dois vereadores do partido que votaram contra a sua proposta de reabertura das grutas naquele concelho.
“Fui surpreendido com a posição dos vereadores Fábio Costa e Helena Freitas que votaram contra a proposta na última reunião, que visava cumprir uma promessa eleitoral feita à população de São Vicente, desencadear o processo para a reabertura das grutas”, afirmou José Carlos Gonçalves à agência Lusa.
O responsável deste município na costa norte da Madeira assegurou que conta com o apoio das estruturas regionais, da assembleia municipal, juntas de freguesia e elementos da autarquia, motivo pelo qual atesta não se sentir isolado, afastando o cenário de eleições intercalares para resolver o diferendo.
Segundo o autarca, a vereadora Helena Freitas nem esteve nessa reunião semanal da vereação e passou uma procuração indicando o seu sentido de voto, contra a proposta do presidente.
“Toda a documentação sobre este ponto da ordem de trabalhos, com mais de 90 páginas, foi facultada no início da semana a todos os vereadores. Tiveram tempo para analisar”, sublinhou.
José Carlos Gonçalves argumentou que está sempre disponível para se reunir com os outros elementos da vereação e que nunca foi contactado sobre o assunto.
A vereação de São Vicente é composta por três eleitos do Chega (o presidente e dois vereadores) e dois do PSD.
A Assembleia Municipal integra oito deputados do Chega, seis da coligação PSD/CDS-PP e um do PS.
O presidente do município defende que, face a esta situação, os vereadores do Chega “devem renunciar ao mandato e permitir a sua substituição por os elementos seguintes da lista”.
“Foi uma traição que fizeram, não a mim, José Carlos Gonçalves, mas à população de São Vicente, aos vicentinos, porque a reabertura das grutas é uma promessa eleitoral não só do Chega, mas também do PSD”, sustentou.
O autarca referiu que já se reuniu com o vereador Fábio Costa e este lhe transmitiu que “retirava a confiança política ao presidente da câmara municipal”.
“Nós fomos eleitos para servir os interesses dos vicentinos e não os pessoais”, vincou, acrescentando ainda esperar que eles reconsiderem a sua posição e honrem o compromisso para o qual foram eleitos.
As grutas de São Vicente são um percurso de 700 metros, de génese vulcânica, que têm, segundo os peritos, 890 mil anos e foram abertas ao público em 1996 sob gestão da Naturnorte – Gestão de Equipamentos Coletivos e Prestação de Serviços, uma entidade municipal detida pela Câmara de São Vicente.
Este ex-libris do concelho de São Vicente foi encerrado em 16 de março de 2020, na sequência da pandemia da Covid-19, mas não foi reaberto devido ao risco de abatimento detetado por técnicos.
A Lusa tentou contactar o líder regional do Chega sobre esta situação, não tendo sido possível obter a sua posição sobre o assunto.
José Carlos Gonçalves ainda anunciou uma conferência de imprensa para terça-feira para falar sobre esta situação.