(c) 2023 am|dev

(A) :: 2,3%: um sinal positivo, mas insuficiente

2,3%: um sinal positivo, mas insuficiente

Saúda-se o sinal positivo, dado a quem trata, em complementaridade com o Serviço Nacional de Saúde, mais de 90% dos 13 mil portugueses com Doença Renal Crónica. Mas não chega.

António Barros Neves
text

O Governo português acaba de aumentar em 2,3% o preço compreensivo dos tratamentos de diálise, colocando um ponto final em quase vinte anos, sem subidas. Aliás, a última mudança levada a cabo pela tutela tinha sido no sentido descendente e os pedidos feitos nos últimos tempos eram no sentido de se repor o que se perdeu.

Evidentemente, saúda-se o sinal positivo, de escuta das necessidades de quem trata, em complementaridade com o Serviço Nacional de Saúde, mais de 90% dos 13 mil portugueses que sofrem de Doença Renal Crónica e que fazem diálise.

Durante muitos anos, as clínicas que fazem tratamentos de excelência, nem sequer foram recebidas pelo Ministério da Saúde, quanto mais devidamente compensadas pelo trabalho que fazem, mantendo a qualidade, sem uma subida condizente com a subida do preço dos tratamentos, recursos humanos, e muitos outros custos.

O sinal é positivo. Mas não chega.

Nos últimos quarenta anos, as clínicas privadas têm feito um papel que o SNS não consegue fazer, garantindo tratamentos diários, dia e noite, numa rede de proximidade com os doentes e seus familiares.

Muitas vezes, por sentido de dever e para atender às necessidades de cada um, as clínicas vão além dos seus deveres, quando o preço compreensivo fica aquém do que é necessário. Mesmo em situações limite, como a pandemia, o apagão do ano passado ou as recentes tempestades, as clínicas mantiveram-se em funcionamento.

Sem uma revisão mais profunda, todo o sistema pode ruir. Desde logo, os dados internacionais apontam para que cada vez mais doentes com doença renal venham a precisar de hemodiálise o que indica que o número de 13 mil doentes portugueses, têm tendência a aumentar. Mas mesmo sem esse aumento, os valores de hoje, mesmo com o aumento dos 2,3%, não permitem garantir um futuro no qual as clínicas privadas continuem a fazer o seu papel.