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Um mês depois da Kristin, Leiria aprova moção a exigir reposição total de energia e comunicações

Moção aprovada por unanimidade pede às operadoras um plano calendarizado de melhoria das redes. Há ainda freguesias sem comunicações fixas.

Agência Lusa
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A Câmara de Leiria aprovou esta segunda-feira uma moção a exigir a reposição integral da energia e das comunicações em todas as freguesias do concelho, reclamando a melhoria estrutural destas infraestruturas.

A moção, lida pelo presidente do município, Gonçalo Lopes (PS), na reunião do executivo, esta segunda-feira descentralizada na freguesia da Bajouca, onde ainda há pessoas sem comunicações fixas, foi aprovada por unanimidade.

No documento pede-se às entidades responsáveis pela distribuição de energia elétrica e pelas redes de comunicações eletrónicas, além da “reposição integral e definitiva de todos os serviços ainda afetados em qualquer freguesia do concelho”, a “identificação técnica detalhada das causas das falhas prolongadas registadas durante e após a tempestade” e a “apresentação pública de um plano calendarizado de melhoria estrutural e reforço das redes no concelho de Leiria”.

Por outro lado, a moção defende a “concretização de investimento efetivo em medidas de reforço e modernização”.

Neste campo, elenca a “modernização e reforço de postos de transformação, reconfiguração e reforço de linhas de distribuição, enterramento de redes sempre que tecnicamente viável, criação de redundâncias e circuitos alternativos, e implementação de sistemas de monitorização preventiva e resposta rápida”.

O executivo quer, também, que “as entidades responsáveis promovam, com caráter de urgência, reuniões técnicas com o Município de Leiria e com as juntas de freguesia, devendo dessas reuniões resultar propostas concretas de reforço estrutural das infraestruturas, calendarização de investimentos e definição de metas de execução”.

Na moção lê-se ainda que a depressão Kristin, em 28 de janeiro, “provocou impactos profundos em todo o concelho de Leiria, afetando infraestruturas públicas e privadas, habitações, atividade económica e tecido associativo”.

“Diversas freguesias do concelho registaram falhas prolongadas na reposição de energia elétrica e de comunicações eletrónicas, verificando-se áreas sem serviço de telecomunicações e ainda interrupções e instabilidade de serviço”, destaca.

Para a autarquia, “o contexto de crescente frequência e intensidade de fenómenos meteorológicos extremos, associado às alterações climáticas, impõe a necessidade de redes mais robustas, resilientes, modernizadas e preparadas para responder a situações de crise”.

O vereador do PSD João Curado (PSD) notou que “há alguns casos das telecomunicações que são muito difíceis de recuperar”.

“Eu, pessoalmente, tive Internet ontem [domingo], é uma enormidade de coisas que foram destruídas”, declarou, aludindo aos custos de recuperação.

Na resposta, Gonçalo Lopes salientou a necessidade de “remediar o mais rápido possível”, mas “é muito importante”, embora possa demorar um ano ou mais, que a seguir se faça melhor.

O documento vai ser remetido à Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos, Autoridade Nacional de Comunicações, E-Redes (principal operadora da rede de distribuição de energia elétrica em Portugal Continental das redes de alta, média e baixa tensão), operadoras de comunicações eletrónicas com atuação no concelho, e membros do Governo responsáveis pelas áreas da Energia, Ambiente, Infraestruturas e Coesão Territorial.

Pelo menos 19 pessoas morreram em Portugal, seis das quais no concelho de Leiria, desde 28 de janeiro na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que fizeram também várias centenas de feridos, desalojados e deslocados. Mais de metade das mortes foram registadas em trabalhos de recuperação.

Os temporais, que atingiram o território continental durante cerca de três semanas, provocaram a destruição total ou parcial de milhares de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias, com prejuízos de milhares de milhões de euros.

As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo foram as mais afetadas.