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Última guarda a ver Epstein com vida fez movimentações suspeitas de dinheiro e pesquisou o nome do recluso antes de ele morrer

Novos documentos revelados levantam mais questões sobre a morte de Epstein. Além de ter feito movimentações suspeitas de dinheiro, guarda pesquisou duas vezes sobre o recluso antes do suicídio.

Miguel Pinheiro Correia
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Jeffrey Epstein morreu na cela em agosto de 2019. Considerou-se, desde então, o suicídio como causa de morte, mas sempre foram surgindo questões quanto à forma como teria conseguido suicidar-se. Agora, as perguntas assumem nova importância com a revelação de documentos por parte do Departamento de Justiça dos Estados Unidos da América. Neles, surge a informação que a última guarda prisional a ver Epstein com vida fez movimentações de dinheiro consideradas suspeitas nos 12 meses antes do suicídio.

Tova Noel fez um depósito final de cinco mil dólares (mais de quatro mil euros) na sua conta bancária apenas quinze dias antes da morte de Epstein, escreve o Telegraph. Tanto ela como outro colega foram acusados de falsificar os registos sobre a verificação do recluso — sendo suspeitos de terem dito que o tinham ido ver (como faziam, por rotina), quando poderão não ter ido.

No total, desde outubro de 2018, Tova fez 12 depósitos de dinheiro, todos identificados como “atividade suspeita” pelo seu banco à FBI em novembro de 2019.

Os guardas Tova e Michael Thomas foram despedidos depois de terem sido acusados de falsificar os registos de verificação de Epstein na noite anterior ao suicídio. Imagens de videovigilância confirmam que a dupla não verificou o estado do empresário por oito horas, apesar de a sua cela ficar a apenas quatro metros da secretária dos guardas. As acusações contra os dois não tiveram seguimento criminal e caíram.

Guarda prisional pesquisou duas vezes nome de Epstein antes da sua morte. “Não me lembro de ter feito isso”, defende

Mas as questões, sobretudo sobre a guarda Tova, não se ficam pelas movimentações suspeitas de dinheiro. De acordo com outras informações dos documentos agora revelados sobre o caso Epstein, a guarda pesquisou o nome do empresário poucos minutos antes de ele ter sido encontrado morto.

“Novidades sobre Epstein na prisão”, terá pesquisado a guarda duas vezes, às 5h42 e às 5h52. Menos de 40 minutos depois, o seu colega encontrou o empresário morto na cela. O FBI destacou esta pesquisa entre as 66 páginas de documentos retirados dos exames realizados ao computador dos guardas na prisão.

Questionada pelo Departamento da Justiça, em 2021, a guarda recusou ter feito esta pesquisa. “Não me lembro de ter feito isso” disse, sugerindo que poderia ter surgido algum artigo sobre Epstein automaticamente no seu computador. Confrontada com o histórico de pesquisas, disse que era incorreto.

Tova não chegou a ser interrogada, sob juramento, sobre as movimentações suspeitas de dinheiro.

No dia antes de ter sido encontrado morto, Epstein, às 19h49, regressou à cela acompanhado pela guarda prisional após uma visita do seu advogado. Segundo as imagens de videovigilância, a dupla não fez a visita à cela que teria de acontecer às 22h, mas assinou na mesma o registo a dizer que a tinha feito.

Em 2023, o Departamento de Justiça identificou Tova como a mancha laranja misteriosa que apareceu, captada pela videovigilância, perto da cela de Epstein, às 22h40. O vídeo mostraria “uma guarda prisional, que achamos ser Tova Noel, a levar roupas de cama ou de prisioneiro” à cela de Epstein, acrescentando que esta foi “a última vez que um guarda prisional se aproximou da única entrada [daquela zona das celas]”.

Tova confessou ter visto Epstein vivo “pouco depois das 22h”, mas que nunca lhe levou “lençóis”, pelo que não sabia porque teria o recluso lençóis a mais na sua cela. Michael Thomas estaria a dormir entre as 22h e a meia-noite.

Há outros documentos do Departamento de Justiça que incluem notas do FBI de um interrogatório com um recluso anónimo que acusou os guardas de discutirem uma forma de encobrir a morte de Epstein depois do suicídio. Em cinco páginas de um relatório redigido à mão, o recluso sugere que quando acordou, na manhã seguinte à morte de Epstein, ouviu polícias a gritar: “Respira! Respira!”.

No pequeno-almoço, prossegue o recluso anónimo, toda a ala da prisão terá ouvido alguém a dizer “tu mataste aquele tipo”. Ao que alguém terá respondido: “Se ele morreu, vamos ter que encobrir isso”. Quando foi questionada, Tova negou ter estado envolvida na morte de Epstein.