António José Seguro tomou esta segunda-feira posse como Presidente da República, numa sessão solene na Assembleia da República que teve início às 10h00, em que prestou juramento sobre a Constituição. Neste dia, ainda homenageou Luís Vaz de Camões nos Jerónimos, acenou à população e almoçou com os chefes de Estado convidados para a cerimónia.
Passava pouco das 9h30 quando Seguro entrou na Assembleia da República ao lado de José Pedro Aguiar-Branco. Marcelo Rebelo de Sousa e o Presidente eleito entram juntos no hemiciclo e sentam-se, cada um de cada lado do presidente da Assembleia, na Mesa.
António José Seguro levantou-se para fazer o juramento enquanto Presidente da República, com a mão em cima da Constituição. O plenário levantou-se e todos aplaudiram à exceção do PCP. O novo Presidente da República trocou de lugar com o ex-Presidente, Marcelo Rebelo de Sousa, e os dois deram um abraço e trocaram algumas palavras.
António José Seguro fez o seu primeiro discurso enquanto Chefe de Estado e foi aplaudido de pé por todo o plenário. Falou da nova ordem mundial e do desrespeito pelo direito internacional, apresentando a Europa como solução. Exigiu, ainda, compromissos entre partidos para que país seja “viável“.
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Antes de chegar a Belém, o novo chefe de Estado passou pelo Mosteiro dos Jerónimos para prestar homenagem a Luís Vaz de Camões. António José Seguro depositou uma coroa de flores no túmulo do poeta português, assinou o livro de honra do Mosteiro dos Jerónimos e, depois, partiu para Belém.
No curto trajeto entre os Jerónimos e o Palácio de Belém, Seguro e a sua mulher, Margarida Maldonado Freitas, abriram os vidros do carro para acenar e sorrir às pessoas presentes ao longo do trajeto. A comitiva seguiu em marcha lenta, sob escolta da cavalaria da Guarda Nacional Republicana, para o Palácio.
Seguro entrou no Palácio de Belém a pé na companhia da mulher e dos dois filhos. O novo Presidente da República recebeu a Banda das Três Ordens pelas mãos da secretária-geral da Presidência da República, na Sala das Bicas. Esta é a condecoração que distingue o Presidente da República como grão-mestre de todas as ordens honoríficas.
De seguida, Seguro almoçou com chefes de Estado convidados para a posse e também com o Presidente cessante. Durante a tarde, António José Seguro deslocou-se ao Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas (ISCSP) para um encontro com jovens.
O dia terminou com uma cerimónia que marcou, oficialmente, a despedida de Marcelo Rebelo de Sousa da Presidência. No Palácio Nacional da Ajuda, Seguro condecorou o seu antecessor com o Grande Colar da Ordem da Liberdade numa cerimónia que contou novamente com a presença do Presidente da Assembleia da República e do primeiro-ministro.
Depois, Marcelo cumprimentou uma a uma todas as pessoas que o acompanharam ao longo dos últimos dez anos, antes de ter saído do Palácio sem prestar declarações aos jornalistas — parou apenas para pegar num telemóvel e tirar uma selfie com os profissionais da comunicação social. “‘Selfie’, sim, mas sem palavrinhas”, disse. Até ao carro, repetiu que não iria dizer “nada, nada, nada”, quebrando o silêncio apenas para agradecer aos jornalistas: “Obrigado pela vossa paciência ao longo de dez anos”. Será esta a última palavra de Marcelo? “Sim, é a última palavra”, respondeu o próprio.