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(A) :: Pressões e elogios dos partidos na reação ao discurso inaugural de Seguro

Pressões e elogios dos partidos na reação ao discurso inaugural de Seguro

Hugo Soares vê Seguro "muito alinhado" na vontade de estabilidade. Ventura disse existirem "condições políticas para trabalhar em prol do país" com novo Presidente. Carneiro mostrou "total apoio".

Miguel Pereira Santos
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Inês André Figueiredo
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Sai Marcelo Rebelo de Sousa, entra António José Seguro. Depois do discurso do novo Presidente da República, pontuado por muitos avisos e apelos, os líderes partidários mostraram na sua maioria disponibilidade para contribuir para a estabilidade e para as reformas exigidas pelo novo chefe de Estado, sem deixar de lembrar os dois mandatos de Marcelo Rebelo de Sousa.

O PSD reagiu à cerimónia através do seu líder parlamentar que destacou “a nota pela estabilidade” trazida por Seguro e a clareza da vontade para “transformar a vida das pessoas”. Além disso, elogiou “a visão global” do novo Presidente da República que se traduz numa atenção redobrada aos “territórios mais desertificados do interior do país”. Sobre a vontade de evitar eleições antecipadas, Hugo Soares concluiu que Seguro trouxe ao Parlamento “uma mensagem muito alinhada com o Governo e com o PSD”.

Por sua vez, José Luís Carneiro destacou como Seguro defendeu a carta das Nações Unidas e a importância de se responder às necessidades do país, em particular nos salários e habitação. Recordou os compromissos que o PS apresentou ao Governo para responder a várias áreas — uma referência às cartas sem resposta — e mostrou “concordância com a abordagem de construção de um país mais coeso” preconizada pelo novo chefe de Estado. “As mensagens do Presidente da República têm total apoio por parte do PS porque configuram ambição do país”, vincou.

Carneiro defendeu ainda a necessidade de estabilidade como um “fator essencial para o desenvolvimento” do país, mas notou que a mesma tem “de responder aos objetivos de desenvolvimento nacional”. Recordando que a última crise política não teve a ver com o chumbo do documento, realçou: “O Orçamento do Estado não é o alfa e ómega de uma vida do país”.

André Ventura apresentou-se numa postura colaborante, na reação à tomada de posse de Seguro, desejando ao novo Presidente um “mandato positivo” e contou inclusivamente que ambos concordaram “trabalhar em conjunto para assegurar um mínimo de estabilidade”, no sentido de “fazer as reformas que o país precisa”. “Temos condições políticas para trabalhar em prol do país”, reconheceu, elogiando Seguro por ter mantido a promessa de dar primazia à reforma da Saúde.

Apesar desse compromisso, lembrou que o Chega discorda de “quase tudo” o que Seguro defende e prometeu continuar a fazer “o escrutínio político” da ação do Presidente, agora que o Palácio de Belém tem um novo inquilino. Sobre a vontade de Seguro evitar eleições antecipadas, Ventura elogiou o novo Presidente mas lembrou que existe “um limite” a esse desígnio. “O princípio é bom mas esbarra na realidade parlamentar muitas vezes”, defende, lembrando que o chumbo do OE pode significar que o Governo perdeu o seu apoio no Parlamento.

Mariana Leitão sublinhou algumas das “preocupações” enunciadas por Seguro no discurso inaugural que a Iniciativa Liberal partilha. A líder da IL vincou nomeadamente que o novo Presidente disse “não quer ser uma força de bloqueio”. Além disso, a liberal afirmou que “há todas as condições para que haja a estabilidade” preconizada no discurso de Seguro e igualmente para realizar as reformas que o mesmo pediu nos três anos que restam a esta legislatura, que considera ser “tempo suficiente” para as pôr em marcha.

Rui Tavares foi o único líder partidário a destacar a “menção explícita” que Seguro fez a uma “linha vermelha” nos valores democráticos.“Esperamos que todos os cidadãos estejam conscientes do papel que têm a desempenhar na defesa da democracia”, realçou. Para o porta-voz do Livre é claro que o país “quer estabilidade” e relativamente à posição sobre o chumbo do Orçamento não quer “adivinhar” o que poderá ou não acontecer, mas espera que “o país não acrescente instabilidade à instabilidade que já existe no mundo”.

Paulo Raimundo acompanhou o diagnóstico de António José Seguro sobre situação do país, mas admitiu que não viu serem nomeadas as “causas dos problemas”. Depois, também respondeu aos apelos para estabilidade: “A estabilidade política pode ter muita importância no discurso, mas só vale se tiver consequências na vida das pessoas.”

Paulo Núncio considerou que Seguro teve “um primeiro bom discurso” com uma “análise realista” à situação internacional e nacional. O líder parlamentar do CDS destacou o entendimento sobre a “estabilidade política”, considerando importante que o “Governo tenha três anos e meio para governar e apresentar os seus resultados”.

O líder do Bloco de Esquerda José Manuel Pureza disse esperar que Seguro “cumpra e faça cumprir a Constituição” e assegurou que “o País espera” firmeza na defesa da Carta das Nações Unidas. Além disso, Pureza também destacou a mensagem do novo Presidente relativa à “luta contra as desigualdades e a pobreza”, esperando também “uma posição firme e clara contra o pacote laboral”. Sobre a mensagem de Seguro relativa à estabilidade, Pureza defendeu que esta “decorre da qualidade da vida das pessoas” e que “o resto é aritmética eleitoral”.

Inês Sousa Real viu no discurso de Seguro uma garantia do início de “um novo ciclo de estabilidade” em que existirão preocupações nomeadamente com a violência contra mulheres e a economia verde. Além disso, a líder do PAN mostrou-se confiante que o novo Presidente levará a um “maior diálogo do Governo com as forças políticas representadas no Parlamento”.