Ainda antes do encontro, e numa medida rara no futebol nacional, o FC Porto tinha requisitado à Liga um acompanhamento mais próximo a todo o processo de revista na entradas dos adeptos azuis e brancos na Luz depois de uma série de queixas de deslocações anteriores ao recinto do Benfica, algo que aconteceu também em sentido inverso quando os encarnados foram obrigados a descalçar-se no Dragão. Alguns exemplos: uso de força excessiva por parte da polícia durante a caixa de segurança até à Luz ou apalpação de zonas íntimas de forma inadequada na altura da revista. Por isso, os dragões tinham previsto cobrir toda a operação do início ao fim com recurso a fotografias e vídeos – e foi isso que levou a um dos episódios deste clássico.
Até à chegada ao estádio, que registou alguns momentos de tensão, foi percetível a saída de um adepto do FC Porto da caixa de segurança para ser assistido pelo INEM sem que fosse identificada a causa da ocorrência. Mais tarde, soube-se que houve mesmo uma Assistente de Recinto Desportivo (ARD) identificada pela PSP devido a uma revista abusiva, neste caso por ter colocado aos suas mãos dentro do sutiã de uma adepta, algo que fará também parte daquilo que ficará como relatório dos delegados da Liga sobre o jogo.
Já no interior do recinto, o clássico ficou marcado pelos vários momentos de uso de pirotecnia, primeiro do lado dos Diabos Vermelhos por duas ocasiões nos minutos iniciais (o que levou mesmo à interrupção do jogo por falta de visibilidade no arranque) e depois na outra claque, No Name Boys. Mais tarde, foi também aí que acabou por ser erguido uma espécie de estendal com adereços do FC Porto, de tarjas a camisolas, que foram depois queimados com o recurso a tochas, em mais um episódio com muito fumo à mistura.
Mais tarde, já nos minutos finais, os ânimos aqueceram mas na zona dos bancos. Primeiro, a expulsão de José Mourinho e de um elemento do banco do FC Porto incendiou os ânimos nas zonas técnicas das duas equipas, com o técnico do Benfica a virar-se depois para Lucho González, adjunto de Farioli, e a fazer o gesto de “pequenino” para o antigo capitão dos dragões, que mais tarde acusou de lhe ter chamado “traidor umas 50 vezes”. No meio da confusão, Pepê foi atingido por isqueiro e ficou deitado na zona técnica, sendo que o objeto foi depois entregue ao quarto árbitro para fazer constar do Relatório de Jogo. Esse momento, ou a parte final, ficou captada na transmissão da BTV mas também o roupeiro dos portistas, conhecido como Jardel, terá sido atingido por uma pedra junto ao banco de suplentes. De acordo com o jornal Record, o delegado da Liga ficou também com o objeto que atingiu o responsável dos dragões.
Por fim, e numa outra nota, houve também um atraso na saída do autocarro do FC Porto do Estádio da Luz, que rumou à Invicta mais de duas horas depois do apito final. Razão? O Conselho de Arbitragem nomeia agora um elemento designado por “mentor” para abordar com o árbitro no final do encontro os principais lances, neste caso o antigo árbitro Lucílio Baptista, e como essa conversa foi tão longa, o delegado portista teve também de ficar à espera para ler e assinar o Relatório de Jogo de João Pinheiro.