Quando Victor Froholdt inaugurou o marcador logo no décimo minuto, marcando o quinto golo da época e participando em remates certeiros pela terceira ronda consecutiva entre dois golos e uma assistência, o FC Porto parecia ter encontrado a sua zona de conforto. Quando Oskar Pietuszewski deu um nó cego no 1×1 com Nico Otamendi a cinco minutos do intervalo e fez o 2-0, tornando-se o mais novo de sempre a marcar pelos dragões em clássicos, o FC Porto parecia ter o regresso às vitórias “controlado”. Afinal, tudo mudou. E se aquela jornada do Campeonato que podia mudar o filme da prova acabou exatamente como começou, os atuais registos dos azuis e brancos mostram uma quebra nesta fase da temporada… sem “impacto”.
É preciso recuar mais de quatro décadas para encontrar o último encontro frente ao Benfica em que o avanço de dois golos não culminou depois numa vitória, algo que aconteceu apenas por quatro vezes ao FC Porto: empate a dois em 1943/44, derrota por 3-2 em 1953/54, derrota por 3-2 em 1972/73 e agora empate a dois em 2025/26. Com isso, os dragões não conseguiram fugir também naquela que tem sido uma “regra” em jogos grandes da Primeira Liga, com quatro empates em cinco duelos entre Benfica, FC Porto e Sporting (só mesmo o triunfo dos azuis e brancos em Alvalade funcionou como uma exceção).
Com o primeiro empate como visitante do Campeonato, depois de 11 vitórias e uma derrota frente ao Casa Pia (a última igualdade como forasteiro tinha sido em Vila do Conde, em fevereiro de 2025), o FC Porto leva uma série de apenas três vitórias nos últimos sete encontros. Mais: comparando o registo dos azuis e brancos entre a primeira e a segunda voltas, a equipa que perdera apenas dois pontos em 51 possíveis com quatro golos consentidos leva agora sete pontos perdidos apenas em oito encontros com seis golos sofridos. No entanto, e apesar desse cenário, o conjunto de Farioli conseguiu manter o avanço na frente.
“Entrámos muito bem no jogo, com a energia certa de querer mudar um pouco o jogo do ano passado. Entrámos com a atitude certa, muito fortes, com personalidade, a ganhar muitos duelos. Entrámos também bem na segunda parte mas não soubemos gerir o jogo depois, faltou maturidade. Com o empate continua tudo igual. A confiança no trabalho continua lá. Como sabem, este é o estilo de jogo que o mister Farioli implementou desde que chegou. Fico contente por dar confiança nesse aspeto. Mas a nossa construção foi sempre à procura de agredir e não de mastigar o jogo. Foi isso que tentámos fazer, não soubemos gerir bem o tempo do jogo a meio da segunda parte”, comentou Diogo Costa à BTV.
“Continua tudo igual, é continuar a acreditar no nosso trabalho. O FC Porto é uma equipa trabalhadora, procura sempre esforçar-se mais do que o adversário. Não conseguimos vencer, estamos um pouco frustrados por isso, acho que merecíamos muito mais do que o empate. Continuamos na luta. Penálti no lance com Pavlidis no fim? Estou tranquilo, não há qualquer penálti”, acrescentou o capitão dos dragões.