(c) 2023 am|dev

(A) :: O "caos" de Lando, os "limites" de Max e a "oportunidade" de um Russell cada vez mais favorito: o que fica do arranque da F1

O "caos" de Lando, os "limites" de Max e a "oportunidade" de um Russell cada vez mais favorito: o que fica do arranque da F1

O piloto da Mercedes venceu o primeiro Grande Prémio da temporada na Austrália e confirmou a ideia de que é favorito a ser campeão mundial. Lando criticou novas regras, Max mantém-se muito cético.

Mariana Fernandes
text

As primeiras 12 voltas deixaram toda a gente a acreditar que a Fórmula 1 poderia mesmo ter mudado — e para melhor. O arranque do Grande Prémio da Austrália, na madrugada deste domingo, viu Charles Leclerc saltar do quarto lugar para o encalço de George Russell, trocando a liderança com o britânico que tinha a pole-position em vários momentos das voltas iniciais. De repente, via-se o que não se via há muito tempo. 

Mas foi mesmo, novamente, uma questão de tempo. Se é certo que Leclerc e Russell aproveitaram os novos modos boost e overtake para dar um entusiasmo inesperado ao primeiro Grande Prémio de 2026, numa clara utilização das manobras que substituíram o DRS e que são fruto da divisão 50/50 entre eletricidade e combustão no motor, também é certo que bastou uma bandeira amarela para que tudo se tornasse mais habitual.

https://twitter.com/F1/status/2030516878439768387

A Mercedes tirou os dois carros de pista depois de uma avaria no Red Bull de Isack Hadjar, aproveitando o safety-car, enquanto que a Ferrari optou por manter os dois carros a correr. Quando Charles Leclerc e Lewis Hamilton pararam, mais de dez voltas depois, George Russell e Kimi Antonelli já tinham cimentado as respetivas posições e já não permitiram grandes aventuras à competição mais direta. No fim, George Russell confirmou o favoritismo e venceu o Grande Prémio da Austrália, seguido de Kimi Antonelli e Charles Leclerc, enquanto que Lewis Hamilton cruzou a meta no quarto lugar.

Depois deste parágrafo, a pergunta é óbvia: onde andaram a McLaren e a Red Bull? Oscar Piastri nem sequer arrancou, depois de se despistar na volta de reconhecimento, e Lando Norris não foi além do quinto lugar, logo à frente de Max Verstappen, que teve um domingo de recuperação após arrancar do fundo da grelha. Depois do final da corrida, Norris tornou-se o principal crítico da nova versão da Fórmula 1 e deixou bem claro que não concorda com as mudanças nos regulamentos.

https://twitter.com/F1/status/2030496063111475552

https://twitter.com/F1/status/2030497984345960936

“É o caos. Vai acontecer um grande acidente, o que é uma vergonha. Estamos a conduzir e à espera de que algo aconteça, de que algo corra terrivelmente mal. Não é uma boa posição para se estar. Dependendo do que acontece, podemos ter um diferencial de velocidade de 30, 40, 50 km/h. Quando alguém bate em alguém a essa velocidade, vais voar, vais por cima da vedação e vais ter muitos danos tanto em ti como nos outros. E isso é uma coisa muito horrível de se pensar”, defendeu o atual campeão do mundo.

Já Max Verstappen, ainda que não tão duro como Lando Norris, manteve as reservas face às novas regras. “Adoro correr, mas tudo tem limites. Sei que há alguém na FIA e na Fórmula 1 que vai ouvir-nos e só espero mesmo que exista alguma ação, porque não sou o único a dizê-lo, mais pessoas dizem o mesmo. Quer sejamos pilotos ou fãs, queremos apenas o melhor para o desporto. Não foi assim, mais uma vez. Apesar de tudo, sinto-me orgulhoso da equipa e só queria desfrutar um pouco mais da própria condução”, atirou o neerlandês.

https://twitter.com/F1/status/2030509345809576343

Por fim, de forma natural, George Russell foi mais comedido na avaliação da estreia do novo regulamento. “Os comentários do Lando? Se tivesse sido ele a ganhar acho que não estaria a dizer o mesmo. Não estávamos contentes com a rigidez dos carros no ano passado, com os saltos, toda a gente tinha dores nas costas e toda a gente se queixava disso. Toda a gente é muito rápida a criticar. Precisamos de dar uma oportunidade. Somos 22 pilotos. Quando tivemos os melhores carros, com a menor degradação de pneus e quando fomos mais felizes, toda a gente dizia que as corridas eram lixo. Agora os pilotos não estão perfeitamente felizes e toda a gente diz que foi uma corrida incrível. Não podemos ter tudo, acho que temos de dar uma oportunidade e ver o que acontece com mais algumas corridas”, explicou o inglês.

Num ponto de vista mais geral e tal como era expectável, os dois Aston Martin desistiram mesmo, com Fernando Alonso e Lance Stroll a retirarem um carro que ainda não está pronto para terminar uma corrida de Fórmula 1, enquanto que o estreante Arvid Lindblad, piloto britânico de apenas 18 anos da RB, surpreendeu ao terminar no oitavo lugar nos primeiros quilómetros na categoria rainha do automobilismo. Noutras estreias, Valteri Bottas abandonou na Cadillac, com Sergio Pérez a terminar na última posição, e Nico Hulkenberg nem sequer arrancou na Audi, com Gabriel Bortoleto a resgatar pontos para a equipa com uma nona posição.

https://observador.pt/especiais/max-a-correr-atras-de-lando-russell-como-favorito-a-surpresa-e-a-desilusao-sete-respostas-sobre-o-ano-em-que-tudo-muda-na-f1/