O empreendimento turístico Na Praia, localizado perto de Troia, no concelho de Grândola, sofreu um incêndio durante a madrugada, tendo várias corporações de bombeiros sido chamadas ao local. A Polícia Judiciária também já esteve presente, para investigar as origens do incidente.
Segundo fonte do Comando Sub-Regional de Emergência e Proteção Civil do Alentejo Litoral, o alerta para o incêndio foi dado aos bombeiros às 04h40, sendo que, cerca das 14h30, o fogo já se encontrava dominado, tendo obrigado à mobilização de 90 efetivos e 35 meios terrestres.
A mesma fonte confirmou ao Observador ao início da tarde que o fogo não causou feridos, sendo que no local estiveram operacionais de várias corporações de bombeiros do Alentejo Litoral, Península de Setúbal, Alentejo Central e Baixo Alentejo, apoiados pela GNR e pelo Serviço Municipal de Proteção Civil de Grândola.
Entretanto, a Polícia Judiciária confirmou à agência Lusa que foi chamada para fazer uma avaliação, sendo que vários elementos do Departamento de Investigação Criminal da PJ de Setúbal “estiveram no local, esta manhã, a realizar perícias para tentar perceber a origem do incêndio”.
Trata-se de um resort hoteleiro de luxo financiado por Sandra Ortega, a herdeira espanhola do grupo Inditex, responsável por marcas de roupa como a Zara, a Massimo Dutti ou a Pull & Bear. O projeto conta com 113 quartos, 45 suítes e cinco ‘villas’, com os preços por noite a começar nos 1350 euros.
Num comunicado enviado à Lusa, José António Uva, promotor português do projeto, adiantou que “apenas um edifício do hotel ficou parcialmente afetado” pelo incêndio, tendo afetado “alguns quartos” situados na parte central do hotel que se encontrava “na fase final de acabamentos”.
“O restante empreendimento, como as unidades de alojamento individuais, zonas públicas, o restaurante e a zona de serviços não sofreram quaisquer danos”, acrescentou, admitindo, contudo que devido a este incêndio, a abertura prevista para junho “será adiada”.
“Após a necessária avaliação junto das autoridades públicas e parceiros, começaremos já amanhã os trabalhos para o completo restabelecimento da zona afetada de forma a podermos realizar a abertura do hotel o mais breve possível”, afiançou.
O projeto teve início após Ortega ter comprado três lotes de terrenos de 340 hectares na Península de Troia à Sonae Capital por 50 milhões de euros em 2016, como noticiou o jornal Eco na altura. As obras tiveram início em 2021, mas o empreendimento cedo reuniu polémica devido à sua edificação numa área ecologicamente sensível e que tem sido alvo de uma cada vez mais intensa pressão turística.
Mesmo prometendo em entrevistas que o projeto tinha também como objetivo a “requalificação ambiental da paisagem”, os responsáveis viram a obra embargada em 2023, por força de uma providência cautelar movida pela associação ambientalista Dunas Livres no Tribunal Administrativo e Fiscal de Beja.
O grupo, secundado por outras associações como a Quercus, a Zero e a Geota, citou “impactos muito significativos sobre os sistemas ecológicos, além de riscos costeiros, pressão sobre recursos hídricos, solos, ar e paisagem” para opôr-se ao projeto de Ortega.
A providência foi entretanto indeferida pelo mesmo tribunal, ação para a qual contribuiu uma declaração da Câmara Municipal de Grândola afirmando como o empreendimento turístico Na Praia tem interesse público para o município.