A educação duma rapariga não é, em quase nada, diferente da de um rapaz. E isso é uma conquista enorme. E um orgulho! Tem a mesma paridade junto dos pais. As mesmas oportunidades escolares. As mesmas divisões de tarefas. E tem, talvez, até mais sucessos nos estudos.
Mas, a seguir, entra no mercado de trabalho, ainda sem filhos, e a forma como uma mulher é descriminada com “naturalidade”, considerando os salários que aufere ou as posições que ocupa, é grave. E, depois de ter um filho, toda a paridade fica comprometida. Porque cai sobre a mãe a assistência à saúde de uma criança. E a gestão da escola, em tudo o que ela exige. Mais o corrupio, cidade acima-cidade abaixo, a fazer de Uber. E o controle da logística que o dia a dia de todas as actividades acaba por trazer. E os trabalhos de casa, os banhos e o jantar. E a história para adormecer. A lista das compras. E as tarefas relacionadas com a roupa e as refeições. Mais os compromissos do trabalho, claro; todos eles! E, estranhamente, isso é transversal às mais diversas profissões e aos variados extratos sócio-económicos! Mas será que, apesar disso, uma mulher pode ter exactamente as mesmas oportunidades que um homem tem, pode valorizar-se do mesmo modo, pode ir ao ginásio mais vezes ou ter uma vida social (ao menos) assim-assim?…
A educação duma rapariga não é, aparentemente, diferente da de um rapaz. Mas os exemplos que ela vê nas mulheres que admira ensinam-na que a igualdade pode não estar a chegar, ainda, para si. E muitas histórias para crianças dizem-lhe isso mesmo. Como se o mundo não estivesse mudar e uma mulher só pudesse ser a primeira entre as segundas figuras. Ou não fosse grande senão atrás… de um grande homem.
E, no entanto, quais são algumas das qualidades mais preciosas duma mulher? Ser uma força tranquila. E uma alma que se agiganta. Ser elegante, na forma como pensa, e ter garra naquilo em que acredita. Ter uma voz cheia de luz, só sua; mas insubmissa, todavia. Ligar o coração com a cabeça e ver mais longe. Querer amar tudo o que ama, de forma delicada mas perdidamente. E esperar que olhem por si sem ser preciso que se levante e diga “Presente!!” num só grito.