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Lisboa. Militante do Chega nomeada por Moedas exonerada de funções após investigação a atividades imobiliárias

Nomeação polémica realizada pelo executivo, Mafalda Livermore é detentora de imóveis arrendados clandestinamente a imigrantes. MP está a investigar também possível usurpação de funções como jurista.

António Moura dos Santos
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A Câmara Municipal de Lisboa procedeu à exoneração da vogal do conselho de administração dos Serviços Sociais da autarquia, Mafalda Livermore, tendo o município confirmado o ato à RTP, citando “uma quebra de confiança institucional” com a visada, proposta pelo Chega para o cargo.

Em causa está uma investigação jornalística realizada pelo canal público no programa “A Prova dos Factos” que revelou que Livermore é proprietária de vários imóveis com habitações clandestinas arrendadas a imigrantes, com as rendas a ser pagas a uma amiga, também ela militante do Chega.

A RTP apurou também nessa mesma reportagem que Livermore está a ser alvo de duas investigações no Ministério Público. Sob análise está o facto de ter aberto empresas de consultoria jurídica, sendo suspeita do crime de usurpação de funções em atividades como jurista porque a sua formação é em criminologia e não em direito, estando a tirar um curso nesta área na Universidade Autónoma de Lisboa. Por este motivo, também já foi alvo de queixas na Ordem dos Advogados.

Em resposta aos jornalistas do canal público, Livermore alegou que os imóveis de que é detentora são arrendados a terceiros, sendo estes que fazem a gestão dos espaços, adiantando que nunca foi chamada a prestar declarações sobre este tema.

Após a emissão da reportagem nesta sexta-feira, 6 de março, Mafalda Livermore colocou o seu lugar à disposição ao vice-presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Gonçalo Reis. No decurso de uma conferência de imprensa realizada nesta tarde de sábado, André Ventura frisou esse ponto, afirmando que foi Livermore quem pediu a saída “em nome da transparência e da integridade” antes de qualquer decisão da câmara e que vai recorrer aos tribunais para esclarecer alegações que considera “falsas”.

https://observador.pt/2025/12/06/moedas-nomeia-influencer-e-candidata-do-chega-para-gerir-servicos-sociais-executivo-diz-que-fez-escolha-com-base-na-competencia/

Entretanto, Carlos Moedas confirmou à RTP que exonerou a vogal das suas funções, dizendo-se “rápido a reagir” neste tipo de situações. O presidente da Câmara Municipal de Lisboa foi alvo de críticas por parte da oposição no município quando decidiu pela nomeação de Mafalda Livermore ao cargo em dezembro de 2025.

Moedas defendeu a sua escolha em declarações ao Correio da Manhã, afirmando que “eventuais questões partidárias ou políticas” não tiveram “qualquer relevância” nesta opção e considerando que “o único critério utilizado nas escolhas realizadas é o da competência”.

Além de ser militante do Chega e de fazer trabalho enquanto influenciadora pelo partido nas redes sociais, Livermore integrou as suas listas para as eleições autárquicas de 12 de outubro, concorrendo como candidata suplente à Assembleia de Freguesia de Alcântara. Além disso, participou ativamente na campanha de Bruno Mascarenhas à liderança da autarquia, sabendo-se posteriormente que iniciou uma relação amorosa com o agora vereador de Lisboa.

De acordo com a revista Sábado, Mascarenhas terá proposto a nomeação de Livermore como moeda de troca para o Chega votar ao lado do executivo em matérias como a alteração do regimento municipal e a aprovação do orçamento municipal.