O alerta amarelo para chuva forte não impediu cerca de duas dezenas de manifestantes de se concentrarem este sábado a 100 metros da Base das Lajes para protestar contra a utilização da estrutura por parte dos norte-americanos “fora dos termos do acordo de defesa e cooperação” assinado com o Governo português.
A iniciativa de cidadãos que desenhou o manifesto “Açores fora da guerra de Trump” pretende “afirmar de forma clara que os Açores não podem ser utilizados como plataforma para operações militares” num ataque que consideram não ter “legitimidade legal e internacional”.
Acusam o Governo de “incoerência” e “falta de esclarecimento” face aos voos dos re-abastecedores norte-americanos no dia 27 de Fevereiro.
Com palavras de ordem como “Lajes para a paz, não para bombardear” e cartazes que pediam “Trump fora dos Açores” como plano de fundo, Laura Alves serviu de porta-voz da iniciativa que, ao mesmo tempo, se afirma “crítica e opositora do regime iraniano autoritário” que “viola direitos humanos e não representa a liberdade nem as aspirações do seu próprio povo”.
Ainda assim, afirma que os manifestantes não se deixam “levar por narrativas construídas para justificar a escalada” por parte de “potências externas” que “agravam o conflito” e provocam “vítimas civis em larga escala”.
A solução, defendem, passa por “cessar imediatamente a intensificação do conflito”, “garantir a proteção das populações” e “retomar a via diplomática”. Reforçam que acordo de cooperação e defesa “não contempla operações militares desta natureza”. “Este é um apelo coletivo para que Portugal rejeite a utilização da Base das Lajes em qualquer operação militar que contribua para alimentar esta guerra”, resume.
Questionada sobre a adesão à iniciativa e se esta está alinhada com o sentimento da maioria dos terceirenses face à Base das Lajes e à presença norte-americana na ilha, Laura Alves responde: “Nós acreditamos que aquilo que trazemos aqui representa uma parte significativa da população portuguesa” e considera que é necessário “garantir que todos os lados da conversa são representados”.