Chegou o fim de semana de (quase) todas as decisões. À entrada para as últimas dez jornadas do Campeonato Nacional, a luta pelos lugares cimeiros continua em aberto, pelo que um fim de semana com dois duelos entre os quatro primeiros pode ser determinante nas contas finais das lutas pelo título e pela Liga dos Campeões. Assim sendo, o FC Porto sabia de antemão que ia sair desta 25.ª jornada da Primeira Liga na liderança isolada, partindo com quatro pontos de vantagem para o Sporting e sete para o Benfica, rival que visita no domingo. Já o Sp. Braga encontrava-se no quarto lugar com mais cinco pontos que o Gil Vicente, pelo que a vitória frente aos leões podia ser determinante na conquista do acesso às competições, que pode transformar-se na entrada nas pré-eliminatórias da Liga Europa caso dragões ou leões ganhem a Taça de Portugal.
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No primeiro clássico da semana, o Sporting levou a melhor frente ao FC Porto, num jogo disputado no Estádio José Alvalade, a contar para a primeira mão das meias-finais da Taça de Portugal, e que terminou com um solitário golo de Luis Suárez (1-0). Para a visita a Braga, que aconteceu a poucos dias da primeira mão dos oitavos de final da Liga dos Campeões, realizada na longínqua cidade de Bodö, perspetivava-se o regresso de Zeno Debast à convocatória, ainda que o belga não devesse de ser opção para Rui Borges. Nesse sentido, o onze inicial do Sporting deveria de ser praticamente o mesmo das últimas partidas, havendo a dúvida Pedro Gonçalves, que podia estar de regresso à equipa depois de ter sido suplente utilizado frente aos dragões. Nos últimos dias, a renovação de Francisco Trincão, até 2030, foi outro dos destaques no seio das hostes verdes e brancas.
“O Sp. Braga não muda a ideia do seu jogo, independentemente dos jogadores que estiverem em campo. Gostam de ter a bola e são uma das equipas com mais posse de bola no Campeonato. São fortes na reação à perda. Vão criar-nos bastantes dificuldades, tal como aconteceu em Alvalade [1-1]. Nós também não mudamos a nossa identidade, podemos é mudar um ou outro jogador, tal como é normal. Defrontaremos uma boa equipa, que é bem trabalhada. Claro que tiveram mais descanso, mas acaba por ser um aspeto subjetivo que não servirá de desculpa. Tiveram mais dias para preparar o jogo e os jogadores estarão mais frescos. Suárez? Tendo em conta que o Fotis [Ioannidis] tem estado indisponível, acaba por se sacrificar um pouco mais o Luis. Felizmente, temos conseguido aliviar esse esforço e ajudá-lo a recuperar um pouco. É um jogador que não é muito propenso a lesões. É um verdadeiro ‘bicho’. Nesse sentido, estamos muito tranquilos. Temos de meter uma velinha para não se aleijar e bater na madeira”, perspetivou o treinador leonino.
Ficha de jogo
Sp. Braga-Sporting, 2-2
25.ª jornada da Primeira Liga 2025/26
Estádio Municipal de Braga
Árbitro: Miguel Nogueira (AF Lisboa)
Sp. Braga: Lukas Hornicek; Gustaf Lagerbielke, Paulo Oliveira (Gabriel Moscardo, 46’), Bright Arrey-Mbi; Víctor Gómez (Mario Dorgeles, 88’), João Moutinho (Gorby Baptiste, 68’), Florian Grillitsch, Diego Rodrigues (Gabri Martínez, 68’); Ricardo Horta, Rodrigo Zalazar e Pau Victor (Fran Navarro, 78’)
Suplentes não utilizados: Tiago Sá; Leonardo Lelo, Demir Tiknaz e Yanis da Rocha
Treinador: Carlos Vicens
Sporting: Rui Silva; Iván Fresneda, Ousmane Diomande, Gonçalo Inácio, Maxi Araújo; Morten Hjulmand, Hidemasa Morita (João Simões, 73’); Geny Catamo (Eduardo Quaresma, 81’), Francisco Trincão, Pedro Gonçalves (Luís Guilherme, 73’); Luis Suárez
Suplentes não utilizados: João Virgínia; Zeno Debast, Nuno Santos, Georgios Vagiannidis, Souleymane Faye e Daniel Bragança
Treinador: Rui Borges
Golos: Inácio (22’), Horta (34’), Suárez (g.p., 45+2’) e Zalazar (g.p., 90+6’)
Ação disciplinar: Morita (38’), Oliveira (41’), Diomande (58’), Lagerbielke (61’), Moscardo (63’) e Maxi (69’)
Do outro lado, o Sp. Braga regressou ao Municipal de Braga depois do polémico jogo frente ao rival V. Guimarães, que terminou com a sua vitória (3-2). Nesse sempre escaldante dérbi do Minho, os bracarenses entraram em discórdia com a Polícia de Segurança Pública (PSP), num caso que deverá ir até às últimas instâncias. Em casa está uma grande tarja preparada pelo clube da casa, em conjunto com os seus adeptos, que retratava a história da cidade de Braga. “Antes de lhe ser dado um nome, já havia terra./ Antes de ser cidade, já havia povo./ Das gentes antigas nasceu Bracara Augusta,/ onde as armas, a lealdade e a terra se tornaram uma só”, lia-se na tarja, que acabou apreendida pela PSP, que invocou questões de segurança. Agora, o Sp. Braga decidiu criar a “Muralha da Liberdade”, que consiste numa tarja de 112 metros de largura e 30 metros de largura que vai ser instalada na parte de fora da bancada nascente do estádio, servindo de “firme homenagem aos sócios e adeptos e uma afirmação clara do que é ser Sp. Braga”, explicou o presidente António Salvador.
Para além dessa homenagem, os adeptos arsenalistas decidiram concentrar-se na Praça do Município da cidade nas horas que antecederam a partida frente ao Sporting e desfilaram até ao estádio, num protesto contra o sucedido e que se intitulava de “Arruada, uma cidade, um clube”. Já no interior do Municipal de Braga, as claques de Sp. Braga (Red Boys e Bracara Legion) e Sporting (Juventude Leonina, Directivo Ultras XXI, Brigada Ultras Sporting e Torcida Verde) uniram-se e, ao minuto 12, colocaram as mãos na cabeça e voltaram-se de costas para o relvado. “Contra a censura e os maus tratos de que os adeptos são alvo”, lia-se no mote lançado para este protesto simbólico que juntou os dois clubes.
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Dentro das quatro linhas, Pote foi mesmo a grande e única novidade de Rui Borges para esta visita a Braga, com o internacional português a surgir no lado esquerdo do ataque, no lugar que tem sido de Luís Guilherme. No banco de suplentes confirmou-se o regresso de Zeno Debast, ao passo que Rafael Nel foi o escolhido para ser relegado para a bancada. No Sp. Braga, Carlos Vicens operou duas mexidas em relação à equipa inicial que defrontou o Nacional no passado fim de semana, com Paulo Oliveira a render o lesionado Adrian Barisic no centro da defesa e João Moutinho a entrar para o meio-campo, saindo Gabri Martínez. Deste modo, os arsenalistas voltaram a alinhar no tradicional 3x4x3, com Rodrigo Zalazar a desempenhar um papel híbrido.
O jogo começou bastante equilibrado e discutido a meio-campo, com as duas equipas a tentarem ter bola, mas a apresentarem dificuldades em chegar ao último terço ofensivo. Depois de uma entrada em falso, o Sporting adaptou-se bem e começou a colecionar oportunidades, com Geny Catamo a evidenciar-se nesse capítulo. Na primeira oportunidade, o moçambicano apareceu à entrada da área a rematar para fora na sequência de um canto (11′), seguindo-se uma grande jogada da direita para o meio, que terminou com o seu remate às malhas laterais (18′). Pouco depois, Geny recebeu na direita, deixou Diego Rodrigues pelo caminho, passou por João Moutinho e rematou forte, com Bright Arrey-Mbi a impedir o golo com o corpo (22′). Contudo, no canto, Pote levantou para o primeiro poste, com Gonçalo Inácio a elevar-se à entrada da pequena área e a cabecear ao poste mais distante para o golo inaugural (22′).
Logo a seguir ao golo, Francisco Trincão isolou Luis Suárez depois de um mau corte da defesa bracarense, só que o cafetero perdeu no duelo com Lukas Hornicek (24′). Pouco depois, o Sp. Braga chegou pela primeira vez à baliza de Rui Silva e… foi feliz. Moutinho desferiu um grande passe para o corredor esquerdo, onde Rodrigo Zalazar recebeu em condução e passou por Geny, cruzando depois para a finalização certeira de Ricardo Horta, com um remate fortíssimo que ainda bateu no poste (34′). A fechar a primeira parte, Suárez conquistou um penálti por corte com o braço de Arrey-Mbi e, na conversão, atirou rasteiro e colocado para o lado direito de Hornicek, que ainda adivinhou o lado, mas não conseguiu evitar o 1-2 (45+2′).
Ao intervalo, Vicens retirou Paulo Oliveira que, depois de ter visto o amarelo, arriscou ser expulso numa falta por trás sobre Luis Suárez, colocando Gabriel Moscardo como central pela direita. Na primeira oportunidade da etapa complementar, o Sporting desbloqueou pela direita em contra-ataque, com o colombiano a receber dentro da área e a tentar servir Pedro Gonçalves, só que Florian Grillitsch chegou primeiro e cortou para a canto, quase acertando na sua baliza (50′). A partir daí, o Sp. Braga assumiu as despesas da partida, com o leão a juntar as linhas e a tentar aproveitar as transições rápidas. Num lance de recuperação junto à área leonina, Víctor Gómez cruzou da direita para o centro da área, onde Horta apareceu com perigo, mas não chegou a tempo de emendar para a baliza (60′). Pouco depois, João Moutinho abriu o livro e passou por Pote e Maxi Araújo com um toque em habilidade, mas o seu remate saiu sem a direção da baliza (66′).
Já com Gorby Baptiste e Gabri Martínez nos lugares de Moutinho e Diego Rodrigues, Rui Borges respondeu com João Simões e Luís Guilherme, retirando Hidemasa Morita e Pote. Na sequência de um cruzamento largo de Gabri, Gómez recebeu dentro da área e desferiu um cruzamento-remate que quase deu em golo, valendo a intervenção de Rui Silva em cima da linha de golo (75′). Seguiu-se a entrada de Fran Navarro para a frente de ataque, com Pau Víctor a sair, com Borges a passar para uma defesa a cinco, com Eduardo Quaresma a render Geny Catamo. Nos últimos minutos ainda houve tempo para Mario Dorgeles entrar e repetir-se o desfecho de Alvalade. Na última jogada da partida, Ricardo Horta atirou para a baliza, mas um corte com o braço de Gonçalo Inácio resultou num penálti. Na cobrança, Rodrigo Zalazar enganou Rui Silva e fez o empate final (2-2).