(c) 2023 am|dev

(A) :: O regresso do canibal que pinta os sonhos em tons de arco-íris: Pogacar começa temporada com mais uma vitória dominadora e a fazer história

O regresso do canibal que pinta os sonhos em tons de arco-íris: Pogacar começa temporada com mais uma vitória dominadora e a fazer história

Na mítica chegada a Santa Caterina, Pogacar voltou a coroar-se como o grande herói de Siena. Esloveno atacou a 80 quilómetros da meta para se tornar no maior vencedor de sempre da Strade Bianche.

Tiago Gama Alexandre
text

Foram precisos mais de quatro meses para se voltar a ver Tadej Pogacar em ação. São 147 os dias que separaram o triunfo do esloveno da UAE Team Emirates-XRG de mais uma participação na Strade Bianche, clássica que serve de preparação para a Milão-Sanremo, o primeiro Monumento da temporada que, como não podia deixar de ser, tem em Pogacar um dos candidatos à vitória, ainda que o terreno não lhe seja totalmente favorável e faça com que este seja, a par da Paris-Roubaix, a única grande clássica que ainda não conquistou. Ainda assim, a prova italiana permanece como uma pedra no sapato de Tamau, já que leva cinco edições sem conseguir fazer melhor que o terceiro lugar de 2025 e de 2024, enquanto no Monumento dos paralelepípedos ousou ombrear com Mathieu van der Poel na estreia.

https://twitter.com/StradeBianche/status/2029987880417013949?s=20

Contudo, 2026 pode ser mais um ano de glória para Tadej Pogacar. Aos 27 anos, o campeão do mundo está a apostar tudo para chegar à vitória na Milão-Sanremo e, nas últimas semanas, tem feito tempos recordes na Cipressa, a mítica subida da Toscana que pode ser decisiva antes da chegada à Via Roma de Sanremo. A escalada tem um total de 5,58 quilómetros com uma pendente média de inclinação de 4,2%, sendo que Pogacar já conseguiu fazê-la em 8.51 minutos, a uma média de 37,8 km/h. Esse registo fez com que o esloveno melhorasse em seis segundos o tempo que alcançou na edição de 2025 do Monumento, em que acabou por ser batido ao sprint por Van der Poel (Alpecin-Premier Tech) e Filippo Ganna (Ineos Grenadiers).

Para este sábado, o foco de Tadej Pogacar passava por estender o domínio na Strade Bianche, a clássica dos sterrato, e onde o esloveno tem o seu nome imortalizado. Afinal, nos últimos dias, o setor Colle Pinzuto passou a denominar-se de setor Tadej Pogacar. “Estou muito bem e animado para começar a temporada aqui na Strade Bianche. Não é segredo que todos os anos espero ter um bom desempenho em todas as corridas, especialmente na Strade. Os adeptos esperam-no, a equipa espera-no e existe uma certa pressão para começar bem, como sempre. Não é nada de novo e espero que as minhas pernas correspondam a essas expetativas. Temos um bom ambiente na equipa. Estamos aqui com um objetivo: vencer a corrida. Da minha parte não importa quem seja”, explicou o esloveno antes da partida.

https://twitter.com/laflammerouge16/status/2030204068434419815?s=20

Com Afonso Eulálio (Bahrain-Victorious) a partir como o único representante português, a Emirates partiu a corrida sensivelmente a meio do percurso, numa altura em que a fuga estava prestes a ser neutralizada. Pouco depois, Tadej Pogacar decidiu acelerar a 79 quilómetros da meta e acabou por seguir a solo, depois de Tom Pidcock (Pinarello Q36.5) — com um problema mecânico —, Isaac del Toro (Emirates) e do “menino” Paul Seixas (Decathlon CMA CGM), em estreia como segundo ciclista mais jovem desta Strade Bianche, terem ficado para trás. Com o grupo perseguidor unido, Pogacar entrou nos últimos 50 quilómetros com uma vantagem de 1.25 minutos. Já com Del Toro e Seixas juntos na perseguição, o canibal chegou ao último setor de terra batida com 1.15 de avanço e a sua 27.ª vitória em Itália praticamente no bolso.

https://twitter.com/StradeBianche/status/2030280179856122011?s=20

Chegado à Via de Santa Caterina, Pogacar levantou os braços pela primeira vez em 2026, terminando com uma vantagem de um minuto para Paul Seixas, que deixou Isaac del Toro (+1.09) para trás na subida final. Romain Grégoire (Groupama-FDJ United) foi quarto e Gianni Vermeersch (Red Bull-Bora-hansgrohe) completou o top 5, ambos a 2.04. Deste modo, Tadej Pogacar juntou esta vitória às que já tinha alcançado em 2025, 2024 e 2022 e tornou-se no maior vencedor de sempre da Strade Bianche, superando as três vitórias de Fabian Cancellara. Para além disso, o esloveno é o primeiro a vencer três edições consecutivas. No total, o canibal tem agora 109 vitórias como profissional na sua carreira.

https://twitter.com/Eurosport_ES/status/2030308037596942376?s=20