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Funeral de Lobo Antunes nos Jerónimos em dia de luto nacional. Personalidades da política e da cultura despedem-se do escritor

O funeral de António Lobo Antunes decorreu este sábado no Mosteiro dos Jerónimos, em Lisboa. Depois de uma missa de corpo presente a cerimónia segue para o cemitério de Benfica.

Observador
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Agência Lusa
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As cerimónias fúnebres de António Lobo Antunes decorreram este sábado. Ao final da manhã foi celebrada uma missa de corpo presente, após a qual o funeral seguiu para o Cemitério de Benfica, em Lisboa. Este sábado assinala-se um dia de luto nacional pela morte do escritor.

São várias as personalidades presentes na homenagem. Entre elas o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, que deverá discursar durante a missa. Esta sexta-feira, no velório do escritor, Marcelo depositou o Grande-Colar da Ordem de Camões junto ao caixão e afirmou que gostaria que Lobo Antunes fosse para o Panteão Nacional. “No Panteão, tal como eu o concebo, gostaria, mas quem tem de decidir não sou eu”, afirmou Marcelo aos jornalistas. “É daqueles nomes óbvios de estar há muito tempo no nosso Panteão”, realçou, deixando a decisão para a família.

A missa, que durou cerca de duas horas, foi presidida pelo bispo auxiliar de Lisboa, D. Alexandre Palma. Segundo a RTP, a fadista Kátia Guerreiro recitou poemas e ouviu-se o Coro do Teatro Nacional de São Carlos.

Entre as personalidades que se dirigiram aos Jerónimos, conforme testemunhado pelo Observador, estiveram a ministra da Cultura, Margarida Balseiro Lopes, Paulo Portas, Carlos Moedas, Manuela Eanes, José Ribeiro e Castro, Francisco Louçã, Fátima Campos Ferreira, Rodrigo Guedes de Carvalho e Maria Rueff.

Carlos Moedas revelou, à margem das cerimónias, que a Biblioteca António Lobo Antunes, uma homenagem dos lisboetas ao escritor, vai abrir até ao fim deste ano. “Ainda este ano, nós, lisboetas, vamos homenageá-lo com a abertura da Biblioteca Lobo Antunes em Lisboa […], para honrar aquilo que António Lobo Antunes significa para todos nós”, afirmou o presidente da autarquia lisboeta. O espaço, na freguesia de Benfica, está em obras e a sua construção já tinha sido anunciada antes da morte do escritor.

O velório de Lobo Antunes, que morreu na quinta-feira, aos 83 anos, decorreu na sexta-feira, na Igreja de Santa Maria de Belém, no Mosteiro dos Jerónimos.

António Lobo Antunes nasceu em Lisboa, em 01 de setembro de 1942, licenciou-se em Medicina, pela Universidade de Lisboa em 1969, tendo-se especializado em Psiquiatria, que mais tarde exerceu no Hospital Miguel Bombarda. Optou pela escrita a tempo inteiro em 1985, para combater a depressão que dizia ser comum a todas as pessoas.

O seu primeiro livro, “Memória de Elefante”, surgiu em 1979, logo seguido de “Os Cus de Judas”, no mesmo ano, sucedendo-se “Conhecimento do Inferno”, em 1980, e “Explicação dos Pássaros”, em 1981, obras marcadas pela experiência da guerra e pelo exercício da Psiquiatria, que depressa o tornaram um dos autores mais lidos em Portugal.

Foi Prémio Camões em 2007 e, no ano seguinte, venceu o Prémio FIL de Literatura em Línguas Românicas, tornando-se no primeiro português a conquistar esta distinção.

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