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(A) :: "Nunca usei cocaína nem pressionei ninguém a casar-se". Daryl Hannah critica forma "mentirosa" como é retratada em Love Story

"Nunca usei cocaína nem pressionei ninguém a casar-se". Daryl Hannah critica forma "mentirosa" como é retratada em Love Story

A atriz é retratada na série que conta a história de amor de JFK Jr. e Carolyn Bessete, mas rejeita ter consumido drogas numa herança dos Kennedy ou comparado a morte de Jackie à do próprio cão.

Sâmia Fiates
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Daryl Hannah respondeu à forma como foi representada na série Love Story: John F. Kennedy Jr. & Carolyn Bessette, que estreou na Hulu, plataforma de streaming da Disney, a 12 de fevereiro. Num artigo de opinião publicado no New York Times essa sexta-feira, a atriz, que namorou John F. Kennedy Jr. antes de Carolyn Bessete, nega que tenha consumido cocaína ou tenha comparado a morte de Jackie Kennedy a de um cão, diz que recebeu ameaças desde a estreia da série e acusa a produção de sensacionalismo.

Hannah, que fez sucesso em comédias românticas dos anos 1970 e 1980 e é conhecida pelos papéis em Blade Runner (1982), Splash (1984) ou na saga Kill Bill (2003 e 2004), começa o texto com uma referência à antiga sogra, também uma forma de rejeitar a ideia de que não era aceite pela mãe de John F. Kennedy Jr., tal como a série de Ryan Murphy retrata. “Jacqueline Onassis deu-me uma vez um conselho sábio. Disse-me que enquanto os tabloides, revistas e jornais muitas vezes vendiam mentiras ridículas, não passavam de forro de gaiolas de pássaros no dia seguinte. Na altura, encontrei conforto e consolo nestas palavras. Mas hoje já não acredito que a frase seja verdade”, escreve a atriz, que namorou com o filho de John F. Kennedy entre 1988 e 1995, numa relação amplamente explorada pela imprensa da época.

No artigo de opinião, Hannah chama a produção da Hulu uma “exploração da tragédia”, e destaca que uma das personagens “usa o meu nome e se apresenta como eu. A escolha de retratá-la como irritante, egocêntrica, queixosa e inadequada não foi por acaso”, acusa Daryl Hannah, que recorda uma citação da produtora Nina Jacobson ao site Gold Derby. “Dado o facto de que estamos a torcer por John e Carolyn, Daryl Hannah ocupa um espaço de adversária na narrativa“, disse a produtora, que ainda justificou que a personagem foi criada de forma “séria”, e que tentaram “mostrar respeito pelo facto de que ela tinha mais influência no mundo de John, o que Carolyn não tem”.

Na série, a personagem de Daryl Hannah aparece a dar festas no apartamento de John F. Kennedy Jr. e a usar cocaína a partir de um tabuleiro de prata que era uma herança da família Kennedy. A produção também insinua que a atriz tentou manipular a imprensa para convencer o então namorado a pedi-la em casamento, que foi ao funeral de Jackie Kennedy sem ser convidada, e que terá dito que compreendia a dor do namorado porque sentiu o mesmo quando o seu cão morreu. “A personagem ‘Daryl Hannah’ não representa nem remotamente a minha vida, a minha conduta ou o meu relacionamento com John. As ações e comportamentos que me são atribuídos são falsos. Nunca usei cocaína na minha vida ou dei festas com cocaína. Nunca pressionei ninguém a casar-se. Nunca profanei nenhuma herança de família ou invadi o memorial privado de ninguém. Nunca plantei nenhuma história na imprensa. Nunca comparei a morte de Jacqueline Onassis a de um cão”, escreve a atriz, refutando todas as alegações feitas na série.

Daryl Hannah diz ainda que desde o lançamento da produção recebeu “muitas mensagens hostis e até ameaçadoras vindas de espetadores que parecem acreditar que o retrato é verdadeiro”. A atriz, que permaneceu em silêncio sobre a relação com JFK Jr. por décadas, diz que vem a público agora pela sua reputação. “Como qualquer carreira, fazer um bom trabalho requer uma reputação intacta“, escreve. Hannah também destaca que a família Kennedy “é conhecidamente privada, e sempre honrei o seu direito de privacidade. Saibam que a maioria (se não todos) daqueles que afirmam ter conhecimento íntimo de nossas vidas pessoais são sensacionalistas oportunistas que se aproveitam de fofocas, insinuações e especulações”, conclui.

É a primeira reação pública de alguém que foi retratado na série — outras pessoas que também têm personagens inspirados em si na produção são nomes como o designer Calvin Klein, de 83 anos, e a sua ex-mulher, Kelly Rector, de 68 anos, que não comentaram. Entretanto, o sobrinho de John F. Kennedy Jr., Jack Schlossberg, manifestou-se contra a história no programa “CBS Sunday Morning”. “Bem, se queres conhecer alguém que nunca conheceu ninguém da minha família, que não sabe nada sobre nós, fale com Ryan Murphy”, disse Schlossberg, que criticou a forma como a sua família é mostrada em Love Story. “Eu só gostaria que as pessoas que assistem à série a assistissem com uma letra em mente: F maiúsculo de ficção. O gajo não sabe nada do que está a falar e está a fazer muito dinheiro com uma representação grotesca da vida de outras pessoas.” Murphy já enfrentou críticas parecidas no passado, nomeadamente na série Monster: The Jeffrey Dahmer Story, em que as famílias das vítimas do serial killer alegam não terem sido contactadas antes da produção ser lançada.