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O primeiro-ministro, Luís Montenegro, afirmou nesta sexta-feira que Portugal está “ao lado” dos EUA, por defenderem os países atingidos pelos ataques “indiscriminados” feitos pelo regime iraniano, e “ao lado” de Espanha, nomeadamente por estar a defender Chipre enviando para lá um navio militar.
Respondendo às perguntas dos jornalistas em Huelva, onde nesta sexta-feira houve uma cimeira luso-espanhola, Montenegro começou por dizer que “Portugal privilegia a diplomacia e a negociação como caminho para resolver diferendos e conflitos à escala internacional”.
Ao lado de Pedro Sánchez, que tem sido diretamente criticado por Donald Trump, Montenegro lembrou que “as ameaças e as acusações não são o caminho para a relação entre aliados”. “Portugal não contribuirá para aumentar essa tensão entre aliados, contribuirá para tentar desanuviá-la”, afirmou.
https://observador.pt/2026/03/05/espanha-envia-fragata-para-se-juntar-ao-porta-avioes-frances-charles-de-gaulle-em-chipre/
Relativamente ao Irão, o primeiro-ministro diz que “independentemente da violação grosseira dos direitos humanos naquele país, do processo de adoção nuclear, neste momento temos um país que ataca de forma quase indiscriminada vários países”.
O nosso posicionamento de Portugal é estar ao lado que estão a ser alvos desses ataques e daqueles que os defendem e, por isso, estamos ao lado dos EUA. Como estamos ao lado de Espanha quando Espanha decide apoiar as defesas de um país igualmente amigo, como é Chipre, membro da UE”.
O primeiro-ministro acrescenta que “o princípio de estarmos ao lado daqueles que estão a fazer face à ofensiva do Irão é o princípio que tentamos seguir, sejam essas operações de defesa, realizadas em países vizinhos do Irão seja em países da UE”.
Já Pedro Sánchez disse ter “um enorme respeito pela administração norte-americana e enorme admiração pela sociedade norte-americana”. “Mas a posição do governo de Espanha é clara, que é uma guerra que está fora da legalidade internacional”, sublinhou.
Entre países aliados, é bom ajudar quando se tem razão mas, também, assinalar quando se está a cometer um erro. Para Espanha, isto é um erro absoluto. É por isso que estamos na Ucrânia, que é um caso de um país invadido por outro. Também estamos do lado da causa palestiniana, onde há um atropelo do direito internacional”.
“Somos coerentes na defesa da legalidade em todos os conflitos que existem no mundo”, afirmou o chefe do governo espanhol, acrescentando que “Espanha não pode participar numa guerra ilegal, essa é uma posição que é apoiada pela maioria dos espanhóis e estamos a respeitar o direito internacional”.
Governo “atento” à evolução dos preços dos combustíveis e admite mais medidas
O Governo vai continuar “atento” à evolução dos preços dos combustíveis nas próximas semanas e Luís Montenegro admite mais medidas.
Confirmando o desconto de 3,55 cêntimos no ISP, Montenegro diz que “nós sabemos hoje que é antecipável um aumento dos combustíveis em Portugal, na ordem dos 23,4 cêntimos no gasóleo e 7,5 cêntimos na gasolina”, pelo que o desconto limitará a subida do gasóleo a cerca de 20 cêntimos por litro.
“Continuaremos nas próximas semanas atentos a esse efeito com medidas de natureza nacional e eventualmente de cooperação com países amigos e Espanha é o principal”, afirmou Luís Montenegro, ao lado de Pedro Sánchez numa conferência de imprensa após a cimeira entre os dois países, em Huelva.
https://observador.pt/2026/03/06/gasoleo-deve-subir-25-centimos-por-litro-na-proxima-semana-e-um-aumento-recorde/
O Ministério das Finanças não esclareceu qual será o aumento final após este desconto extraordinário e temporário que já tinha sido anunciado pelo primeiro-ministro, no caso dos preços subirem mais de 10 cêntimos por litro, o que se confirma no gasóleo.
Mas é certo que o desconto fiscal não chega para travar um aumento recorde do preço do gasóleo que continuará a ser de 19 a 20 cêntimos por litro e evita para já qualquer perda de receita, uma vez que o Estado está a abdicar no imposto petrolífero do ganho que teria no IVA.