A desigualdade manifesta-se desde a infância e molda escolhas, expectativas, trajetórias de vida.
Promover a igualdade exige, por isso, uma intervenção consistente ao longo de todo o ciclo de vida, assegurando que, entre outros direitos, o acesso à educação, ao emprego, à participação social não é condicionado pelo género ou por outros fatores estruturais. Esta abordagem integrada é essencial para assegurar que cada pessoa possa desenvolver plenamente o seu potencial e contribuir para o progresso coletivo.
Neste contexto, torna-se particularmente relevante enfrentar as assimetrias persistentes nas áreas STEM (Ciências, Tecnologias, Engenharias e Matemáticas), sobretudo nas Tecnologias de Informação e Comunicação, que desempenham um papel central na economia digital. Apesar dos progressos alcançados, as mulheres continuam significativamente sub-representadas nestes domínios. Dados do Eurostat indicam que apenas uma em cada quatro especialistas em TIC é mulher (2024) e que apenas três em cada dez diplomados em cursos STEM pertencem ao sexo feminino (2023). Esta realidade traduz um desafio estrutural limitativo da igualdade de oportunidades e da capacidade de inovação e competitividade do país.
A aposta do atual Governo em medidas dirigidas às mulheres, nestas áreas, procura precisamente corrigir desequilíbrios históricos, combater estereótipos e ampliar o acesso das jovens mulheres a setores estratégicos para o futuro. Aquela aposta materializa-se com o “Programa Nacional das Raparigas nas STEM”, formalizado pela Resolução do Conselho de Ministros n.º 175/2025 que prevê medidas estruturantes como a criação de uma Rede de Embaixadoras e Mentoras — mulheres de mérito que servirão de modelos de referência para inspirar percursos de sucesso — e a atribuição de prémios para alunas com notas mais elevadas na conclusão de mestrados naquelas áreas científicas. É uma estratégia focada em programas de liderança feminina tendentes a romper o «teto de vidro» nas TIC e a criar uma Aliança Internacional de cooperação em políticas de igualdade.
Estes incentivos a uma participação mais equilibrada na ciência e na tecnologia, reforçam simultaneamente a justiça social e o dinamismo económico, num mundo cada vez mais orientado pela inovação.
Paralelamente, a igualdade salarial e a eliminação de discriminações no mercado de trabalho permanecem como desafios centrais.
As disparidades remuneratórias acumulam-se ao longo da vida, com impacto direto na autonomia económica, na proteção social e na participação cívica. São um “desastre” para a igualdade de género, geram dependência económica, tornando as mulheres mais frágeis e suscetíveis a violência, travam o crescimento económico e a eficiência (trabalhadoras desmotivadas por essa disparidade reduzem a sua produtividade) e aumentam a polarização social e política.
Políticas que promovam transparência, fiscalização eficaz e incentivos à igualdade são fundamentais para reduzir estas assimetrias e consolidar um modelo de desenvolvimento mais equilibrado.
Uma democracia plena pressupõe a garantia efetiva de direitos, segurança e dignidade para todas as pessoas. A igualdade constitui um fator determinante de coesão social, fortalecendo a confiança nas instituições e promovendo um sentimento de pertença.
Investir na igualdade é construir um país mais justo, mais inovador e mais resiliente, onde o desenvolvimento é um projeto partilhado e não um privilégio de alguns.