Foi um período de hegemonia onde a certa altura quase parecia que bastavam as camisolas para o jogo fazer-se por si. Em 2020/21, na ressaca da paragem de todas as provas devido à pandemia da Covid-19, houve um novo enquadramento no futsal do Sporting por força das contingências desportivas e financeiras mas não foi por isso que o rendimento caiu. Pelo contrário. De segunda Liga dos Campeões da história ao Campeonato, os leões iniciaram aí uma fase de completo domínio nacional da modalidade que culminou com a conquista do inédito tetra entre mais de uma dezena de títulos até 2024. Depois, e em mais uma tentativa de estancar essa superioridade, o Benfica apostou no brasileiro Cassiano Klein, que comandava então o Joinville. Não foi algo imediato mas a trajetória mudou – tanto que, no final de uma decisão na “negra” no Pavilhão João Rocha, os encarnados ganharam mesmo o título. Foi o único troféu da época, valeu por bem mais do que isso.
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Apesar da vitória no Campeonato, o duelo direto com o rival verde e branco, que ficou com Taça de Portugal e Taça da Liga em 2024/25 (perdeu também a Supertaça com o Sp. Braga e caiu nas meias-finais da Liga dos Campeões com o tricampeão europeu Palma Futsal), ainda continuava a pender para o outro lado. Contudo, esse momento decisivo no jogo 5 foi quase como um roubar do mojo que os leões tinham nos dérbis. Toda a realidade mudou, com a goleada do Sporting na Supertaça a não ter depois continuidade nos duelos diretos que se seguiram – vitória e empate do Benfica na Liga, vitória na primeira mão dos quartos da Champions. Agora chegava a decisão da prova europeia no Pavilhão João Rocha, num duelo de 40 minutos com um peso muito superior a isso onde os encarnados tentavam confirmar essa viragem no panorama do futsal e os leões procuravam um momento de afirmação numa época onde todos os objetivos continuavam intactos.
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“Temos de acreditar que é possível. Vamos trabalhar para melhorar, perceber que características este duelo pode ter, como podemos usufruir dele. Já aconteceu várias vezes vencermos com alguma margem e nós acreditamos que conseguimos outra vez. No primeiro jogo estivemos em vantagem, podíamos pelo menos ter segurado o empate mas acabámos por sofrer um golo por demérito próprio. Já analisámos e percebemos o que é que ainda podemos melhorar e ajustar. Acabámos por sofrer um golo ao cair do pano, sabemos que não é normal”, apontara Nuno Dias, técnico dos leões. “Desde que começou a época, o Zicky deve ter cerca de 80 ou 90 minutos feitos. A gestão dele tem de ser cuidada. Dentro das limitações, vamos perceber até que ponto nos conseguirá ajudar. Acredito que, nos minutos em que conseguiremos usufruir da qualidade do Zicky, ele lá estará para nos ajudar”, acrescentou, abordando o regresso “a meio gás” do internacional português.
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“Não digo que existam segredos mas todos os dérbis são uma aprendizagem. Quando uma equipa faz algo bom, temos de aprender e procurar desconstruir. A grande virtude de quem ataca é a criatividade. O grande jogador é aquele que cria e as minhas equipas têm isso, procuram assistir aos jogos e apresentar sempre uma estratégia diferente nos próximos duelos. Queremos sempre as coisas melhores. A parte mental vem do trabalho árduo todos os dias. Temos um jogo decisivo e sabemos o adversário que temos pela frente. Vão ser 40 minutos para jogar com uma intensidade muito alta. Se estiver atrás no marcador, não posso mudar a maneira de jogar, se estiver na frente também não. Vamos olhar para o marcador quando faltarem 20, 30 segundos ou um minuto, durante o jogo temos de nos entregar, ter uma identidade. Talvez por isso os duelos estão a ser tão equilibrados”, destacara Cassiano Klein, treinador dos encarnados.
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Os dados estavam lançados para um dérbi que seria sempre diferente dos 153 anteriores. Por um lado, nunca um duelo entre Sporting e Benfica tinha sido decidido numa eliminatória a duas mãos. Por outro, nunca uma equipa portuguesa tinha eliminado outra do mesmo país na antecâmara da Final Four da Liga dos Campeões, que já tinha antes confirmados Étoile Lavalloise (8-6 no acumulado dos dois encontros com o Semey), Cartagena (9-5 frente ao Kairat Almaty) e Palma Futsal (7-5 diante do Riga). Depois de um duelo eletrizante com 11 golos, foram os leões que recuperaram a vantagem no dérbi, ganhando a segunda mão com a tal diferença que permite que estar na decisão pela sexta época consecutiva (e a nona em… dez anos).
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A partida começou a todo o gás para o Sporting, que precisaram de menos de seis minutos para chegar a um impensável 4-0 de rompante num Pavilhão João Rocha em total ebulição: Bernardo Paçó inaugurou logo no primeiro minuto o marcador numa situação de 5×4 com sucesso depois de ter impedido um desvio para a baliza de Silvestre na baliza contrária, Bruno Pinto fez o 2-0 de penálti num lance em que o 5×4 com Léo Gugiel avançado falhou e Pany Varela cortou com o braço um remate de Zicky Té (3′), Wesley aumentou para 3-0 depois de uma má reposição de bola do guarda-redes contrário (5′) e Tomás Paçó marcou o 4-0 numa grande jogada individual de Zicky Té antes da assistência para o remate de baliza aberta (6′). Cassiano Klein pedia a primeira pausa técnica na sequência de uma entrada falhada onde tudo estava a correr mal.
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No entanto, houve um momento de viragem mesmo sem a possibilidade de utilizar Pany Varela, que tinha sido expulso. Paulatino, aos poucos, também alavancado pela quinta falta do Sporting. Faltava apenas um clique para que o Benfica voltasse a ligar ao jogo, algo que surgiu num remate de fora de Silvestre que fez o 4-1 a sete minutos do intervalo. Os adeptos encarnados que lotavam a bancada dos visitantes (e onde estava também o lesionado Afonso Jesus) voltavam a acreditar e reforçaram essa crença pouco depois, com Arthur a jogar 1×1 descaído da direita para o meio antes do remate que fez o 4-2 com Bernardo Paçó mal batido (16′). Quando todos apontavam um dérbi mais tático e cauteloso, o intervalo chegava com seis golos.
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A emoção não ficaria por aí. Longe disso. E, com menos de um minuto da segunda parte, os encarnados já tinham empatado a eliminatória, neste caso com André Coelho a ganhar uma segunda bola após remate de Arhur para atirar de pé esquerdo em jeito para o 4-3. A presença na Final Four podia cair para qualquer um dos lados, com Sporting e Benfica a manterem o foco nas balizas contrárias num duelo eletrizante que teve o 5-3 de Tomás Paçó na sequência de um lance de estratégia após canto (24′) e o 5-4 na resposta de Peleh a desviar na área após uma grande jogada individual de Silvestre (26′). A toada de parada e resposta mantinha-se de novo com tudo empatado na eliminatória e os encarnados em busca da primeira vantagem.
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Mais uma vez, o “efeito Zicky” fez toda a diferença: Diogo Santos fez o 6-4 em mais um lance estudado a partir de um livre com assistência de Alex Merlim (29′), Bruno Pinto aproveitou a vantagem numérica depois da expulsão por acumulação de Arthur (30′) e Diego Nunes carregou o pivô fazendo a quinta falta da equipa encarnada, que além da desvantagem perdia margem de risco para arriscar em termos defensivos. Foi isso também que fez a diferença nos minutos finais, com o Sporting a gerir bem melhor a vantagem no marcador entre duas grandes defesas de Bernardo Paçó e a carimbar o triunfo por 7-4 que valeu a passagem.
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