Todas as equipas que lutam por títulos têm momentos melhores ou menos conseguidos, todas as equipas vão conseguindo perceber as red flags quando as coisas começam a correr pior. No caso do Real, sobretudo neste ano civil de 2026, a realidade quase passou a ser feita por red flags. A vitória na eliminatória do playoff da Liga dos Campeões frente ao Benfica ainda teve o condão de ludibriar o óbvio mas a derrota seguinte para a Liga no Santiago Bernabéu recolocou os merengues numa espiral de crise com poucas soluções à vista – a não ser uma, ganhar. O teste em Vigo frente ao Celta era complicado mas tinha mais em discussão do que os três pontos. Era o espírito de resiliência da equipa que estava em xeque, era a capacidade de inverter o atual rumo com Álvaro Arbeloa que estava em xeque, era um projeto desportivo que estava em xeque. A fronteira entre a redenção e o abismo aparecia como algo demasiado curto perante os desafios seguintes, até pela primeira mão dos oitavos da Champions frente ao Manchester City que heverá também na quarta-feira.
https://observador.pt/2026/03/03/assobios-as-substituicoes-florentino-dimision-e-as-lesoes-que-nao-param-os-sinais-de-crise-eram-reais-em-madrid-e-estao-a-vista/
É complicado perceber onde tudo começou, é demasiado fácil perceber onde foi parar. A goleada sofrida no dérbi com o Atl. Madrid no Metropolitano, no final de setembro, foi um sinal de que nem tudo eram rosas, o desaire no Santiago Bernabéu frente ao Celta Vigo deixou evidente a desconfiança dos adeptos na equipa, a reação de Vinícius Jr. após ser substituído no clássico ante o Barcelona mostrara que a mão de Xabi Alonso no balneário começava a escorregar – e escorregou tanto que, após a derrota na final da Supertaça de novo com os catalães, o grupo seguiu as indicações de Kylian Mbappé e nas ordens do treinador quando chegou o momento de entrega de medalhas aos vencedores. Florentino Pérez, que antes não quisera intervir ao ver um barco cheio de rombos, detonou a “bomba atómica”, despediu o treinador e apostou em Álvaro Arbeloa.
A mudança no comando técnico trouxe tudo menos uma varinha mágica para inverter a realidade. Logo no jogo de estreia, o Real Madrid acabou por ser eliminado da Taça do Rei pelo modesto Albacete. Na partida seguinte, o Bernabéu deu a sentença antes de o caso ter sido “formulado”: assobios a tudo e todos antes e durante o encontro que terminou com uma vitória frente ao Levante, do treinador a jogadores como Vinícius Jr. ou Jude Bellingham, passando pelo próprio presidente, Florentino Pérez. Ainda houve triunfos importantes a evitar um naufrágio maior entre o adensar da lista de pacientes no departamento médico do clube, mas as duas derrotas seguidas na Liga com Osasuna e Getafe deixaram expostos todos os problemas de uma equipa que perdeu jogos, perdeu referências e não tem sequer uma identidade em campo. Nada parecia ajudar o clube em 2025/26, época onde caiu por terra o sonho utópico (que nunca passou disso mesmo) da Superliga Europeia, onde Florentino Pérez admitiu a entrada de capital externo até um máximo de 5%, onde começou a “guerra interna” pela sucessão e onde se mantém o impasse em torno da possibilidade de haver concertos no Santiago Bernabéu, receita prevista aquando da remodelação que continuava “congelada”.
https://observador.pt/2026/03/04/a-lesao-que-perdura-ha-tres-meses-o-dr-milagres-e-o-caso-do-esqui-mbappe-tem-mundial-em-risco-devido-a-problema-no-joelho-esquerdo/
Mais recentemente, não tanto pela grave lesão contraída por Rodrygo que vai tirar ao avançado o resto da temporada e o Campeonato do Mundo mas pelo problema de Mbappé no joelho, o departamento médico e a preparação física da equipa ficaram em xeque. De acordo com o El Mundo, a direção do Real Madrid terá até pedido a Niko Mihic, chefe do departamento médico, e Antonio Pintus, responsável pela preparação física, dois nomes da máxima confiança de Florentino Pérez, pare reverem os planos de treino dos atletas em Valdebebas e também com os seus respetivos personal trainers. Mais do que as sete roturas do ligamento cruzado desde agosto de 2023, são as queixas musculares que mais preocupam os responsáveis merengues. O El Mundo cita fontes internas para dizer que vários jogadores colocaram em causa daquilo que são as tomadas de decisão da área médica, dos diagnósticos aos programas/prazos de recuperação. É isso que estará a fazer com que alguns elementos tenham procurado opiniões fora do clube sobre os seus problemas.
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Mbappé foi mais um desses casos, continuando de fora numa lista onde constavam também Eder Militão, Bellingham, Dani Ceballos, David Alaba e Rodrygo além dos castigados Álvaro Carreras, Dean Huijsen e Mastantuono. Em contrapartida, a convocatória para Vigo tinha muito sangue novo da equipa secundária, com Lamini Fati, Diego Aguado, César Palacios, Manuel Ángel, Cestero, Thiago, Mestre e Álvaro. O encontro não tinha margem de erro mas estava longe de ter a melhor versão do Real para evitar esse “erro”.
“Vai ser uma deslocação complicada, contra uma grande equipa e um treinador que está a fazer um trabalho magnífico. O Celta é uma equipa muito bem trabalhada, está com confiança e a jogar bem. Estamos com uma série de duas derrotas seguidas na Liga e num clube como o Real isso é complicado de gerir pela exigência mas estamos conscientes do que temos pela frente e de que temos de ganhar. O passado já não existe. Adeus à Liga com nova derrota? Ficam 16 jogos ainda por fazer, estamos com quatro pontos de atraso… Depois de duas derrotas o ambiente pode não ser o mais positivo mas o balneário está consciente de que vamos lutar pela conquista do título e que falta ainda muito Campeonato”, apontara Arbeloa antes da partida, sempre numa atitude “politicamente correta” que carecia depois do mais importante: o resultado. E foi isso que voltou a aparecer no epílogo do encontro, com Valverde a “resgatar” a equipa da atual lei de Murphy.
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Depois de uma primeira parte que terminou com um empate a um, entre o golo de Tchouaméni (11′) e uma resposta quase pronta de Borja Iglesias (25′), o Real cresceu na segunda parte, esteve mais perto da vantagem e teve o mérito de nunca deixar de acreditar, chegando ao 2-1 final no quarto minuto de descontos num lance que começou com os galegos a pedirem falta a meio-campo sobre Fernando López antes da jogada que passou pelos três corredores e que terminou com um remate do médio uruguaio que sofreu ainda um desvio e traiu o guarda-redes Ionut Radu, carimbando o regresso aos triunfos dos merengues que ficam assim à condição a um ponto do líder Barcelona, que joga este sábado em Bilbau com o Athletic.
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