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(A) :: Trump quer estar envolvido na escolha de sucessor do Irão, critica Espanha "falhada" e está "desapontado" com Reino Unido

Trump quer estar envolvido na escolha de sucessor do Irão, critica Espanha "falhada" e está "desapontado" com Reino Unido

Presidente dos EUA diz que escolha de filho do líder supremo morto este fim de semana seria "inaceitável": "É um peso pluma". Esperava apoio britânico "sem questionar" e ataca Pedro Sánchez.

Mariana Lima Cunha
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Se começou por justificar a guerra contra o Irão com a necessidade de acabar com o programa nuclear do país, Donald Trump assume agora que a ideia é mudar a liderança e o regime iranianos. Esta quinta-feira, o Presidente dos Estados Unidos veio subir a parada e dizer que tem de estar “envolvido na escolha” do próximo líder do Irão, mostrando-se crítico da hipótese de Mojtaba Khamenei suceder ao pai, o líder supremo Ali Khamenei, morto nos ataques do fim de semana.

Ao jornal Axios, Trump foi taxativo. “Eles estão a perder tempo. O filho de Khamenei é um peso pluma. Tenho de estar envolvido na escolha, como com Delcy [Rodríguez] na Venezuela”, disse, recordando a intervenção em que os Estados Unidos capturaram o líder venezuelano, Nicolás Maduro, em janeiro.

“O filho de Khamenei é inaceitável para mim. Queremos alguém que traga paz e harmonia ao Irão”, disse Trump, ameaçando que se o Irão voltar ao mesmo caminho os EUA podem estar de volta à guerra “daqui a cinco anos”. Mojtaba Khamenei tem sido apontado como o sucessor mais provável, numa altura em que o regime iraniano, que continua debaixo de fogo, tem adiado o anúncio da sucessão de Khamenei.

Num dia muito ativo no que toca a declarações públicas e à comunicação social, Trump lançou também uma série de críticas muito duras contra aliados do país, classificando Espanha como um país “falhado” e criticando o Reino Unido por não apoiar “sem questionar” os EUA.

Numa chamada telefónica com o New York Post, Trump resumiu assim a sua visão das coisas: “Há muitos vencedores, mas Espanha é uma falhada” e “muito hostil à NATO”, “e o Reino Unido tem-nos desapontado muito”. Segundo Trump, Espanha não é “uma jogadora de equipa” — “por isso, também não vamos ser jogadores de equipa com eles” — por ter ouvido o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, criticar a guerra contra o Irão e recusar em alinhar num investimento de 5% do PIB em Defesa.

Sobre o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, ironizou: “Bem, não é nenhum Winston Churchill”. “Devia estar a dar-nos, sem perguntas ou hesitações, coisas como bases [aéreas]. Devíamos poder contar com eles. Fiquei muito surpreendido com o Keir. Muito desapontado”.

Numa conferência de imprensa esta quinta-feira, Keir Starmer disse manter a decisão de não se juntar aos bombardeamentos no Irão, defendendo uma via diplomática, e acrescentou que cabe a Trump tomar as melhores decisões para os EUA e a si próprio para o Reino Unido. O Reino Unido anunciou também que vai enviar mais quatro caças para o Qatar, para missões defensivas.

Já numa conversa com o israelita Channel 12, Trump veio exigir que o Presidente israelita, Isaac Herzog, perdoe imediatamente (“hoje”) o primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, para que este se possa concentrar na guerra contra o Irão, deixando cair o caso judicial em que o governante é suspeito de fraude e suborno.

Durante a entrevista telefónica, Trump defendeu que Herzog é “uma vergonha” e que já lhe teria prometido cinco vezes, ao longo do último ano, que concederia o perdão ao primeiro-ministro.

Herzog tem dito que ainda não tomou uma decisão sobre o possível indulto presidencial, uma vez que o ministro da Justiça tem de se pronunciar e dar uma opinião legal. E lembrou no mês passado que Israel é um “Estado soberano e de direito”, numa resposta indireta a Trump.

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