Acompanhe o nosso artigo em direto sobre a guerra no Médio Oriente
Um drone do tipo Shahed que na madrugada de segunda-feira atingiu a base aérea britânica de Akrotiri, em Chipre, não foi lançado do Irão, confirmou nesta quinta-feira o Governo britânico.
Um porta-voz disse que a investigação inicial das peças recuperadas do aparelho indica “que se tratava de um drone do tipo Shahed, que não foi lançado do Irão”, e que caiu antes de o primeiro-ministro, Keir Starmer, autorizar os Estados Unidos a usar as bases britânicas para fins defensivos.
A mesma fonte indicou que o drone atingiu um hangar do aeródromo – e não uma pista, como afirmado anteriormente –, e causou “danos mínimos“, sem provocar vítimas.
A informação coincide com aquela dada anteriormente pelo ministro da Defesa britânico, John Healey, e por uma fonte governamental cipriota citada pela agência France-Presse (AFP), que disse que o drone que tinha sido lançado do Líbano, “provavelmente” pela milícia pró-iraniana Hezbollah.
Healey chegou esta quinta-feira a Chipre para tentar acalmar o descontentamento do governo da ilha mediterrânea e membro da União Europeia (UE), salientando que “a longa amizade entre o Reino Unido e a República de Chipre permanece sólida face às ameaças iranianas”, escreveu na rede social X.
O ministro encontrou-se com o homólogo cipriota, Vasilis Palmas, com quem disse ter discutido “o reforço das defesas aéreas” pelo Reino Unido, de forma a garantir “a segurança comum”.
Em causa está a defesa das duas bases aéreas britânicas localizadas na antiga colónia de ataques de retaliação do Irão após a ofensiva militar dos Estados Unidos e de Israel iniciada no sábado contra o Irão.
O Governo trabalhista britânico foi criticado pelas autoridades cipriotas e pela oposição britânica por ter demorado a enviar reforços para proteger as duas bases do Reino Unido na ilha.
Além do ataque com drones que atingiu a base de Akrotiri na noite de domingo para segunda-feira, outros dois drones que também tinham como alvo a mesma base aérea foram intercetados na segunda-feira.
Numa entrevista na quarta-feira à noite à estação pública BBC, o embaixador de Chipre no Reino Unido, Kyriacos Kouros, disse estar “desapontado” com a pouca informação partilhada com a população cipriota após os disparos de drones, e apelou às autoridades britânicas para que “cooperassem mais” com as autoridades locais, a fim de garantir que “tais incidentes não se repitam”.
De acordo com Healey, que fez um balanço dos meios mobilizados, caças britânicos Typhon e F-35 da Royal Air Force estão a participar na proteção da região e helicópteros Wildcat, armados com mísseis Martlet antidrone, são esperados em Chipre “nos próximos dias”.
Por outro lado, o contratorpedeiro britânico “HMS Dragon”, cujo envio foi anunciado na terça-feira pelo primeiro-ministro Keir Starmer, só poderá zarpar de Portsmouth (sul de Inglaterra) “na próxima semana” e deverá demorar vários dias a chegar ao Mediterrâneo Oriental, revelou a imprensa britânica.
“O único navio que estamos a enviar, o ‘HMS Dragon’, ainda está em Portsmouth. Não é suficiente“, criticou na quarta-feira a líder da oposição conservadora Kemi Badenoch, interpelando Keir Starmer no parlamento.
A Turquia também se viu involuntariamente envolvida no conflito em curso, após as defesas aéreas da NATO no território turco terem intercetado na quarta-feira um míssil balístico iraniano sobre o Mediterrâneo Oriental, tendo destroços da munição antiaérea caído no sul do país sem causar vítimas.
Segundo um responsável turco, o alvo era provavelmente uma base militar em Chipre.
O Estado-Maior das Forças Armadas do Irão negou esta quinta-feira ter lançado um míssil contra a Turquia.
Espanha anunciou esta quinta-feira o envio de uma fragata para Chipre para missões de “proteção”, que acompanhará o porta-aviões francês “Charles de Gaulle” e outros navios da marinha grega.
A Itália também anunciou esta quinta-feira o envio de meios navais para defender Chipre, tal como os Países Baixos.
Israel e Estados Unidos lançaram a 28 de fevereiro uma ofensiva ao Irão para “eliminar as ameaças iminentes do regime iraniano”, tendo matado o líder supremo iraniano, o ayatollah Ali Khamenei, e grande parte dos altos responsáveis da Guarda Revolucionária.
O Conselho de Liderança Iraniano dirige o país após a morte de Khamenei.
[Depois de anos em fuga, o guru é finalmente detido. Mas o movimento de yoga e as escolas em todo o mundo continuam a funcionar. Ouça o último episódio de “Os segredos da seita do yoga”, o novo Podcast Plus do Observador. Uma série em seis episódios, narrada pela atriz Daniela Ruah, com banda sonora original de Benjamim. Pode ouvir aqui, no site do Observador, e também na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music. E pode ouvir aqui o primeiro episódio, aqui o segundo, aqui o terceiro e aqui o quarto e aqui o quinto episódio]