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Curdos. A ambiciosa e arriscada aposta dos EUA e de Israel para derrotarem a República Islâmica e o regime dos ayatollahs

"Seria fantástico" para Trump que os curdos iniciassem uma revolta no Irão, que ajudaria a derrotar o regime dos ayatollahs. Grupo étnico mantém reservas e não esquece histórico de abandono dos EUA.

José Carlos Duarte
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São o quarto grupo étnico mais numeroso no Médio Oriente. Estão presentes em países como a Turquia, a Síria, o Iraque e o Irão. Há décadas que desejam ter um Estado próprio. Marginalizados em várias das sociedades em que vivem, os curdos voltaram a ganhar protagonismo por causa da guerra que Israel e os Estados Unidos da América (EUA) iniciaram contra a República Islâmica. A CIA está a planear apoiar os curdos para abrirem uma nova frente terrestre em solo iraniano e o Presidente norte-americano, Donald Trump, veio, esta quinta-feira, declarar apoio a esta iniciativa: “Seria fantástico se eles quisessem fazer isso”.

Ao longo dos anos, a República Islâmica destratou os curdos e viu-os como uma ameaça à estabilidade do regime, um padrão que vem desde os tempos da monarquia do Xá. Além disso, em termos religiosos, este grupo étnico é maioritariamente sunita e não xiita, como a generalidade da população iraniana. No Irão, esta minoria vive especialmente no noroeste do país, perto da fronteira com o Iraque. Seria a partir daí que, de acordo com o plano norte-americano, os movimentos curdos começariam uma ofensiva terrestre contra o Governo dos clérigos xiitas.

“Durante décadas, este regime [da República Islâmica] atacou-nos, matou o nosso povo e levou a cabo atos de genocídio contra nós”, disse, em entrevista à Sky News, Karim Parwizi, comandante militar e membro do Partido Democrático do Curdistão iraniano. “Agora que o regime está cada vez mais fraco, vemos a oportunidade de finalmente alcançarmos a nossa liberdade”, declarou. Entre as forças curdas, a vontade de derrubar o regime iraniano cresce. Contudo, a relação com os Estados Unidos não é linear — e muitos recordam outras vezes na História em que foram instrumentalizados por Washington.

Uma ofensiva terrestre seria um pesadelo para o Irão, que teria de mobilizar meios para duas frentes. No que pode ser encarado como um aviso, as tropas iranianas já atacaram alvos militares curdos esta quarta-feira. No pior dos cenários, a Guarda Revolucionária enfrentaria uma guerra civil que mergulharia o país no caos e na desordem. Ainda que já tenham circulado informações de que alguns membros curdos teriam começado uma operação militar, várias vozes vieram negar que já esteja em marcha. Mas deixam a porta aberta para entrarem num conflito com a República Islâmica.

Esperar para ver, mas prontos para atacar. Esta é, para já, a posição de vários grupos curdos sobre uma eventual entrada na guerra contra a República Islâmica. É também bastante complicado haver uma posição comum entre os movimentos do grupo étnico, dado que existe uma variedade de atores com objetivos diferentes e com distintos níveis de confiança nos Estados Unidos e Israel. A animosidade contra os ayatollahs une-os, mas permanecem as dúvidas sobre o futuro sucesso de uma suposta ofensiva, a forma de atuação no terreno das tropas curdas e as garantias norte-americanas.

Trump e Israel pressionam lideranças curdas a juntarem-se ao conflito. E acenam com região autónoma curda no Irão

Meses antes de os primeiros bombardeamentos atingirem território iraniano, a CIA já tinha testado o terreno. Segundo avançou a CNN Internacional, as secretas norte-americanas tinham começado a apoiar os grupos curdos no Irão e no Iraque há algum tempo. Entretanto, a presidência norte-americana iniciou contactos diretos com líderes curdos, oferecendo-lhes apoio militar e logístico para se juntarem aos combates como a República Islâmica.

Em simultâneo, Israel intensificou os contactos com os curdos no Iraque e no Irão durante os últimos meses. Telavive vê naquele grupo étnico um aliado estratégico em várias partes do Médio Oriente. De acordo com o Axios, o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, tem levado a cabo uma operação de charme para que se juntem à ofensiva contra a República Islâmica. “É a perceção generalizada, e certamente a visão de Netanyahu, de que os curdos vão revoltar-se”, confidenciou uma fonte conhecedora dos planos àquele jornal.

Com o empurrão israelita, segundo a imprensa norte-americana, Donald Trump falou ao telefone com os líderes das principais fações curdas no passado domingo. Telefonou a Masoud Barzani, do Partido Democrático do Curdistão do Iraque, a Bafel Talabani, da União Patriótica do Curdistão no Iraque, e a Mustafa Hijri, do Partido Democrático do Curdistão do Irão. A Casa Branca confirmou estes contactos — a porta-voz da presidência, Karoline Leavitt, esclareceu que o Presidente Trump tem “estado em contacto com muitos aliados e parceiros na região desde os últimos dias”.

Bafel Talabani também confirmou a existência da chamada telefónica com o Presidente norte-americano. O líder da União Patriótica do Curdistão referiu que Donald Trump explicou “os objetivos dos Estados Unidos” na guerra contra o Irão e que “discutiu o apoio conjunto para construir uma parceria forte entre os Estados Unidos e o Iraque”. O Axios apurou que as chamadas com os líderes curdos correram bem, mas os dirigentes manifestaram algumas reservas sobre envolverem-se  numa invasão terrestre ao Irão.

Nos bastidores, o primeiro-ministro israelita está a aliciar os líderes curdos com a ideia de que uma região autónoma dominada pelo grupo étnico, onde poderão falar a sua própria língua, praticar as suas tradições e contar com as suas próprias instituições. No nordeste do Iraque, perto da fronteira com o Irão, já existe a Região Autónoma do Curdistão, que tem alguma autonomia política face ao governo central em Bagdade e inclusivamente goza de representação parlamentar. A solução seria criar algo idêntico, gerando ainda uma espécie de corredor territorial curdo entre os dois países.

Não é claro se o primeiro-ministro israelita se coordenou com outros líderes da oposição iraniana para este plano. De qualquer forma, a concretizar-se, seria mais um passo na formação de um Curdistão no Médio Oriente — uma ambição que, desde o colapso do Império Otomano na sequência da Primeira Guerra Mundial, tem marcado o movimento nacionalista curdo.

Curdos iranianos não querem ser “carne para canhão” e precisam dos aliados no Iraque

Antes de qualquer decisão que pode mudar o rumo do conflito e pode ter implicações para os grupos nacionalistas, os dirigentes curdos têm exigido aos israelitas e aos norte-americanos várias garantias. Neste momento, dentro do Irão, as tropas curdas praticamente não têm armas. Os militares leais à República Islâmica estão muito mais bem preparados para um confronto, mantendo superioridade em número e equipamentos e dispondo ainda de uma cadeia de comando hierarquizada.

O líder do braço armado do Partido da Liberdade do Curdistão (de cariz transnacional), Hanna Hussein Yazdanpanah, admitiu que o regime iraniano é “brutal”. “A arma mais avançada que temos são [espingardas] Kalashnikov”, lamentou o comandante, citado pela BBC, reconhecendo as vulnerabilidades militares que os grupos curdos enfrentam neste momento dentro do Irão. Isso poderá, sinalizou o responsável curdo, mudar com o apoio israelo-americano. Ou seja: a vontade de enfrentar o regime dos ayatollahs está lá, faltam as capacidades.

Nas regiões do Irão onde espera que haja combates, as tropas curdas exigem uma no-fly zone parcial— isto é, uma zona do espaço aéreo iraniano onde os aviões militares do regime ficariam proibidos de voar. Segundo apurou o jornal Washington Post, Donald Trump terá oferecido, durante as chamadas telefónicas que manteve com líderes curdos, uma “ampla proteção aérea dos Estados Unidos”. Mas não é claro que seja o suficiente para os curdos iniciarem uma ofensiva. Esta quinta-feira, em entrevista à Reuters, o líder norte-americano fechou-se em copas e salientou que não poderia comentar os supostos apoios.

Apesar de serem aliados, os curdos iranianos e iraquianos mantêm diferentes níveis de inimizade em relação à República Islâmica. Nas palavras de Karim Parwizi, o comandante do Partido Democrático do Curdistão iraniano, os curdos que vivem no Irão vivem “sob constante ameaça”. “O regime não precisa de uma desculpa para nos atacar. Durante os últimos 47 anos, temos sido atacados”, disse. Ainda assim, não têm forças sozinhos para começarem uma guerra. “O problema é que as fações curdas iranianas não têm suficiente poder militar e podem terminar como carne para canhão”, admitiu ao Axios uma fonte israelita.

A solução está a oeste. Os curdos iraquianos — mais fortes e organizados na Região Autónoma do Curdistão —, não se alinham ideologicamente com a República Islâmica e solidarizam-se com os correligionários do outro lado da fronteira. No entanto, nos últimos anos, têm adotado uma postura pragmática com o Irão, evitando provocar Teerão. O Governo central em Bagdade também tem pedido estabilidade e exige que o território iraquiano não seja usado para atacar países vizinhos.

"O regime não precisa de uma desculpa para nos atacar. Durante os últimos 47 anos, temos sido atacados."
Karim Parwizi, comandante do Partido Democrático do Curdistão iraniano

Dito isto, numa eventual ofensiva militar, os curdos iranianos dependeriam do apoio dos aliados iraquianos, que têm muito mais a perder numa operação contra o Irão. Além das potenciais baixas em combate, a liderança curda iraquiana receia uma retaliação direta de Teerão e das milícias pró‑iranianas, assim como o colapso de uma estabilidade política já frágil no Iraque, país marcado por tensões entre xiitas, sunitas e curdos que ainda tem viva na memória a guerra que assolou o país em 2003. Além disso, o envolvimento direto poderia transformar o Iraque num dos principais palcos do conflito. 

Desejando evitar uma ofensiva em território iraniano e tentando exercer pressão em Bagdade, o ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão, Abbas Araghchi, falou ao telefone com o primeiro-ministro iraquiano (de quem é próximo), Mohammed Shia al-Sudani. De acordo com a versão de Teerão após a chamada, o chefe do Executivo do Iraque garantiu que em “nenhuma circunstância ia permitir qualquer ameaça ao Irão desde o território iraquiano”.

Oficialmente, no Governo da região iraquiana do Curdistão, adota-se a mesma linha, mantendo uma postura cautelosa e neutra. O vice-primeiro-ministro, Qubad Talabani, assinalou que a zona autónoma “não faz parte desta guerra”. No entanto, os dirigentes oficiais não controlam diretamente as milícias e grupos armados curdos perto da fronteira, com algumas a garantir, segundo o New York Times, que estão apenas à espera da luz verde da CIA e da Mossad para iniciar uma ofensiva.

"O regime não precisa de uma desculpa para nos atacar. Durante os últimos 47 anos, temos sido atacados."
Karim Parwizi, comandante do Partido Democrático do Curdistão iraniano

Começar uma revolta que se estenderia a outras partes do Irão: o plano israelo-americano

As consequências e riscos de entrada de uma guerra estão a ser calculados ao milímetro pelos movimentos curdos iraquianos. Ciente dos riscos e apesar de se demarcar de uma eventual ofensiva, o Ministério da Administração Interna da Região Autónoma do Curdistão fortaleceu a presença militar junto da fronteira com o Irão, onde outros grupos armados também têm vindo a acumular homens.

Por sua vez, o Presidente norte-americano veio, esta quinta-feira, confirmar que seria “fantástico” que as tropas curdas abrissem uma nova frente da guerra com o Irão e deixou no ar que os Estados Unidos as apoiariam militarmente. No entanto, nos dias anteriores, os rostos da administração Trump vieram negar publicamente o apoio a uma revolta curda. O secretário da Defesa, Pete Hegseth, destacou, esta quarta-feira, que nenhum dos objetivos da guerra consiste em “dar armas a nenhuma força”. “Estamos conscientes de que outras entidades possam estar [a pensar em] outras coisas, mas os nossos objetivos não estão centrados nessa componente.”

O que Pete Hegseth veio dizer nas entrelinhas já tinha sido sugerido pelo secretário de Estado, Marco Rubio: é Israel o atual responsável por armar e providenciar apoio militar às tropas curdas. O chefe da diplomacia norte-americana garantiu que Washington não estava “a armar os curdos”, acrescentando: “Mas nunca se sabe com os israelitas”. Um dirigente israelita confirmou ao Axios que a Mossad está a apoiar os curdos — mas assegurou que a CIA também o faz.

Mesmo que Israel seja o principal país a armar os grupos curdos, isso não significa que o faça sem coordenação com os Estados Unidos. Esta operação militar no Irão é conjunta e os dois aliados pretendem desencadear uma revolta nas regiões de maioria curda no noroeste do Irão. Nessa parte do país, há províncias onde a população curda representa uma clara maioria. Na mesma medida, geograficamente, é a mais próxima da Região Autónoma do Curdistão.

Uma das finalidades da ofensiva terrestre passaria por dividir as áreas de atenção da Guarda Revolucionária. Concentrada em lançar ataques aéreos contra os aliados dos Estados Unidos no Médio Oriente, os militares iranianos teriam de se dividir em duas frentes e lidar com a ameaça das tropas curdas no terreno. Isso obrigaria os centros de decisão em Teerão a repartir recursos e a duplicar esforços de comando e coordenação.

À CNN Internacional, uma fonte conhecedora dos planos explicou também que as tropas curdas abririam o precedente para uma revolta popular no Irão — que é, aliás, um dos objetivos declarados de Donald Trump e Benjamin Netanyahu neste conflito, de modo a assistir-se a uma transição do poder. Enfrentando as forças leais ao regime, o motim curdo seria o tiro de partida para novos protestos que, esperam Telavive e Washington, se alastrariam a todo o Irão.

Sobre este ponto, subsistem várias dúvidas se seria suficiente para iniciar uma revolta popular. É verdade que, durante os protestos em janeiro de 2026, nas regiões com maioria de curdos realizaram-se manifestações em massa contra o regime. Contudo, muitos iranianos xiitas podem não se identificar com a revolta de uma minoria étnica distinta e sunita.

Militarmente, a eventual perda de controlo de algumas áreas no oeste do Irão pela República Islâmica poderia funcionar ainda como uma zona tampão que passaria para as mãos dos curdos — e que permitiria às tropas israelitas e norte-americanas concentrar mais meios para atacar outras regiões do território iraniano.

A oposição da Turquia e a memória dos curdos

O plano é arriscado e ambicioso — e pode criar desavenças com um país em concreto: a Turquia, um Estado-membro da NATO. Para Israel, os turcos não são um problema: as relações com Ancara são praticamente inexistentes. Contudo, os norte-americanos mantêm uma sólida aliança com o Presidente Recep Tayyip Erdoğan — um chefe de Estado que despreza as milícias curdas.

https://observador.pt/especiais/pkk-toma-decisao-historica-e-poe-fim-a-40-anos-de-revolta-turquia-tem-de-dar-o-passo-seguinte-para-alcancar-a-democracia/

Na Turquia, país acolhe o maior de número de curdos no mundo, o grupo separatista Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) lançou vários ataques armados e colidiu de frente com o poder central em Ancara, ambicionando a criação de um Estado autónomo, algo que foi sempre rejeitado pelo Governo turco. Depois de mais de 40 anos de conflito, o PKK declarou, em 2025, um cessar‑fogo e iniciou um processo de dissolução, numa decisão que Recep Tayyip Erdoğan apresentou como uma vitória política.

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O ressurgimento da questão curda, ainda que agora centrado no Irão e a centena de quilómetros de distância, preocupa as autoridades de Ancara. O Axios relata que Donald Trump “está a falar com toda a gente” sobre o assunto — quer com “líderes turcos”, quer com Recep Tayyip Erdoğan. No entanto, o ministro da Defesa turco, Yasar Guler, veio assegurar, esta quinta-feira, que a Turquia está a monitorizar as “atividades dos grupos que se alimentam do separatismo étnico, que afetam não apenas a segurança do Irão, mas também a paz e a estabilidade da região“.

O ceticismo que se mantém em algumas milícias curdas para a entrada numa guerra deve-se também à memória histórica da forma como foram tratados no passado pelos norte-americanos. À CNN Internacional, uma fonte do Governo autónomo do Curdistão resume os receios: “Um dia Trump diz que vai derrubar o regime, no dia a seguir já diz alguma coisa diferente. A direção não é clara. Não há dúvidas de que o povo curdo se opõe de forma esmagadora à República Islâmica. É opressora. Receberiam de bom grado apoio norte-americano para acabar com a sua influência maligna. Mas eles receiam novamente ser abandonados”.

"Um dia Trump diz que vai derrubar o regime, no dia a seguir já diz alguma coisa diferente. A direção não é clara. Não há dúvidas que o povo curdo se opõe de forma esmagadora à República Islâmica. É opressora. Receberiam de bom grado apoio norte-americano para acabar com a sua influência maligna. Mas eles receiam novamente ser abandonados."
Fonte do Governo autónomo do Curdistão

Em 1991, tal como estão a fazer neste momento, os Estados Unidos encorajaram uma revolta curda no Iraque durante a Guerra do Golfo. O resultado? O regime de Saddam Hussein foi bem sucedido em esmagar o motim, o que resultou na morte de milhares de curdos e fugas em massa de civis. Décadas depois, existe o receio de que isto volte a acontecer, desta vez no Irão.

Mais recentemente, na Síria, os Estados Unidos da América contaram durante anos com o apoio das tropas curdas para combater o autoproclamado Estado Islâmico. Em 2019, Donald Trump ordenou a retirada das tropas de Washington da região fronteiriça com a Turquia. Essa decisão deixou membros curdos a enfrentar o Daesh praticamente sozinhos, ao mesmo tempo que o Governo turco lançou uma ofensiva contra grupos armados curdos.

Para além disso, após a queda de Bashar al‑Assad, a Síria viveu um breve período de pacificação entre o novo Governo e as forças curdas. Essa trégua, no entanto, foi curta. Com apoio explícito da Turquia, o novo Presidente, Ahmed al‑Sharaa, lançou em 2026 uma grande ofensiva contra as forças curdas no nordeste do país. Os Estados Unidos nada fizeram e consentiram esta operação militar — o que foi visto como uma traição pelos curdos.

Em várias operações militares norte-americanas no Médio Oriente, os curdos serviram como um aliado circunstancial para os Estados Unidos. Sonhando com a criação de um Estado há muito desejado em troca, os sacrifícios por este grupo étnico foram muitas vezes em vão. No Irão, em 2026, norte-americanos e israelitas estão a tentar convencer os curdos de que a história será diferente desta vez e que não os vão abandonar.