A Bundesliga está a dar passos sólidos para blindar a própria sustentabilidade financeira. Esta quarta-feira, o futebol alemão anunciou que vai implementar regras de investimento nos dois principais escalões profissionais do país: nenhum clube poderá gastar mais de 70% da receita com o plantel, entre contratações, salários e bónus.
A nova regra será introduzida gradualmente a partir de 2026/27 e o objetivo é que esteja totalmente implementada em 2028/29, tendo como objetivo a manutenção da sustentabilidade financeira do futebol na Alemanha e a garantia de que os clubes têm a liquidez necessária para cumprir critérios desportivos, laborais, administrativos, financeiros e de infraestrutura. A mudança foi aprovada esta semana na Assembleia de Membros da Deutsche Fussball Liga e tem como base a estrutura criada pela UEFA para o fairplay financeiro.
“O objetivo é prevenir casos financeiros extremos que possam causar dano à integridade da competição e à estabilidade do clube ou do campeonato. Com esta regra, queremos fortalecer a estabilidade financeira e o planeamento de segurança dos clubes sem reduzir a dinâmica da competitividade nacional e internacional”, pode ler-se no comunicado que foi emitido.
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Tal como acontece a nível europeu e quando os clubes quebram o fairplay financeiro da UEFA, as novas regras da Bundesliga também preveem sanções como multas, perda de pontos ou até a limitação de inscrições de novos jogadores. O plano pretende ainda criar distinções entre os clubes alemães que participam nas competições europeias e os que não o fazem: os clubes que não estejam na Europa terão, portanto, janelas temporárias em que poderão gastar mais do que os tais 70% para beneficiar a competição interna.
“Os clubes alemães operam de forma muito racional se fizermos uma comparação internacional. O facto de só termos problemas financeiros muito raramente sublinha o sucesso do sistema e o profissionalismo que existe na Bundesliga. Ao mesmo tempo, é necessário aprimorar a regulação financeira. Estamos a dar um importante e significativo passo para que todos os clubes assegurem a viabilidade e estabilidade financeira. Os casos extremos que podem causar dano à integridade da competição devem ser evitados. Este é um dos mais abrangentes desenvolvimentos do género na história do futebol alemão”, referiu Hans-Joachim Watzke, o presidente da Deutsche Fussball Liga.
A decisão chega numa altura em que o futebol alemão tem dado provas de uma fortaleza financeira e económica assinalável: em 2024/25, a Bundesliga registou cerca de 242 milhões de euros de lucro, enquanto que a Bundesliga 2 registou quase 30 milhões de euros, sendo que é muito raro encontrar situações de falência de clubes nas últimas décadas.