O pai de Colt Gray, o adolescente acusado de matar quatro pessoas e ferir outras nove após abrir fogo numa escola secundária norte-americana de Apalachee, em Winder, no estado da Geórgia, em 2024, foi condenado por homicídio em segundo grau, homicídio por negligência e crimes de crueldade contra crianças. A leitura da sentença — alcançada pelo júri esta terça-feira em cerca de duas horas — será feita mais tarde, e Colin Gray, de 54 anos, enfrenta uma pena que pode ir até aos 30 anos de prisão, segundo a AP.
O ataque aconteceu a 4 de setembro de 2024 e Colt, com 14 anos então, foi acusado de 55 crimes e irá ser julgado como um adulto. Já se declarou inocente em tribunal, ao qual voltará em meados de março. As vítimas mortais foram dois estudantes de 14 anos e dois professores, de 39 e 53 anos. E é relativamente a estas mortes que o pai foi considerado culpado. A condenação por homicídio em segundo grau refere-se à morte dos dois menores, uma vez que a lei estatal define como homicídio de segundo grau qualquer conduta que cause a morte de uma criança, considerada um crime de crueldade. A condenação por homicídio por negligência refere-se à morte dos dois docentes.
As autoridades acreditam que o jovem planeou cuidadosamente o ataque com a arma e munições que recebeu de prenda do Natal do pai, apesar de ser conhecida a fragilidade da sua saúde mental. Além disso, as autoridades dizem que Colin sabia da obsessão do filho com tiros em escolas: Colt tinha até um altar dedicado a Nikolas Cruz, que executou um ataque em 2018, na Marjory Stoneman Douglas, na Florida.
Durante o julgamento, o pai foi acusado de ignorar os “avisos suficientes” que recebeu sobre a possibilidade de o filho poder vir a “a ferir e a colocar em perigo” outras pessoas. Uma das pessoas a demonstrar preocupação foi mesmo a mãe do adolescente, Marcee Gray, que revelou, em tribunal, que tinha insistido com o ex-marido para que este tirasse as armas de casa e as mantivesse fora do alcance do filho. Marcee, que não foi acusada, e Colin já estavam separados nos meses antes do ataque, período em que o filho viveu quase sempre com o pai.
“Falamos muito sobre direitos no nosso país. Mas Deus deu-nos o dever de proteger as nossas crianças espero que nos lembremos disso como pais, como membros da nossa comunidade, para proteger as nossas crianças porque esse um dever que temos dado por Deus”, disse o promotor Brad Smith, citado pela AP, após a setença que Colin ouviu com pouca emoção.
https://observador.pt/2024/09/05/colt-gray-o-rapaz-calmo-e-muito-calado-de-14-anos-que-matou-quatro-pessoas-numa-escola-norte-americana/
Colin Gray é o primeiro pai no estado da Geórgia a ser considerado culpado num caso de ataque com tiros cometido por um descendente. Junta-se a James e Jennifer Crumbley que foram condenados a 10 a 15 anos de prisão por um caso idêntico no Michigan.
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