
A frase
“Embaixadas dos EUA explodidas no México. Oremos”
— Utilizador de Facebook, 04 de março de 2026
Estão a circular na rede social Facebook vídeos que alegam que várias representações diplomáticas dos EUA no México foram atacadas na sequência da morte de El Mencho, um dos narcotraficantes mais procurados do mundo. “Embaixadas dos EUA explodidas no México. Oremos”, lê-se numa das publicações, que refere que o “cartel mandou um recado”.
No vídeo podem ver-se pelo menos duas grandes colunas de fumo numa via rodoviária.

A 24 de fevereiro, o México mobilizou 10 mil soldados na região oeste do seu território para conter a violência desencadeada pela morte de Nemesio Oseguera Cervantes, o líder do Cartel Jalisco Nova Geração, mais conhecido por El Mencho. O narcotraficante ficou ferido a 22 de fevereiro durante uma operação militar na cidade de Tapalpa, no Estado de Jalisco, e morreu durante o transporte de avião para a Cidade do México, segundo informações avançadas pelo exército.
O narcotraficante era um dos criminosos mais procurados do mundo, sendo que os Estados Unidos ofereciam uma recompensa no valor de 15 milhões de dólares (cerca de 13 milhões de euros) por informações que levassem à sua captura. Nascido em 1966 no estado de Michoacán, El Mencho liderava um gigantesco cartel que se dedicava à comercialização de fentanil para vários países, nomeadamente para os EUA, gerando, dessa forma, receitas de dezenas de milhões de dólares por ano.
O anúncio da sua morte provocou uma reação violenta do cartel, cujos membros bloquearam estradas, incendiaram veículos, atacaram postos de gasolina, estabelecimentos comerciais e bancos, e confrontaram as autoridades em 20 estados mexicanos, gerando um clima de terror também entre a população. Ainda antes de o Governo mexicano ter ordenado o reforço de soldados na região em que se registavam tumultos, já se contavam mais de 60 mortos, entre militares mexicanos e membros do cartel Jalisco Nova Geração.
A 25 de fevereiro, a presidente do México, Claudia Sheinbaum, confirmou que a operação que levou à captura de El Mencho contou com a cooperação dos serviços secretos dos Estados Unidos. Perante a onda de violência, a embaixada dos EUA na cidade do México emitiu um conjunto de recomendações ao pessoal diplomático colocado nos consultados em Tijuana e Monterrey e aos funcionários do governo que trabalhassem nos estados de Guerrero, Michoacán e Quintana Roo.
No entanto, as representações diplomáticas norte-americanas não foram atacadas. Não há qualquer notícia publicada ou informação oficial das autoridades norte-americanas referindo um eventual ataque ou incidente grave nestas representações diplomáticas antes, durante ou depois da fase mais violenta dos tumultos no México.
O vídeo em causa, difundido nas redes sociais, foi gravado na cidade de Puerto Vallarta, no estado de Jalisco, um dos mais afetados pelos tumultos, e mostra um incêndio que deflagrou em vários carros. Na imprensa local, são várias as notícias a dar conta dos bloqueios nas estradas daquela cidade, ocorridos no final de fevereiro, bem com dos veículos incendiados. No vídeo que circula nas redes sociais, é possível identificar a fachada do centro comercial Galerías Vallarta.

Acresce que não existe nenhuma representação diplomática norte-americana na cidade. O consulado em Guadalajara fica a mais de 300 quilómetros.
Conclusão
As representações diplomáticas ou consulares dos EUA no México não explodiram nem sequer foram atacadas ou sofreram danos durante a vaga de tumultos que se seguiu à morte do narcotraficante El Mencho. Não há nenhum qualquer notícia publicada ou informação oficial das autoridades norte-americanas quanto a ataques ou danos em representações diplomáticas ou consulares dos EUA no México.
Assim, de acordo com o sistema de classificação do Observador, este conteúdo é:
ERRADO
No sistema de classificação do Facebook, este conteúdo é:
FALSO: As principais alegações do conteúdo são factualmente imprecisas. Geralmente, esta opção corresponde às classificações “falso” ou “maioritariamente falso” nos sites de verificadores de factos.
NOTA: este conteúdo foi selecionado pelo Observador no âmbito de uma parceria de fact checking com o Facebook.