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(A) :: 175 viagens, 59 países, milhares de selfies e tudo em 3652 dias. Os dez anos do "Presidente dos afetos" em imagens

175 viagens, 59 países, milhares de selfies e tudo em 3652 dias. Os dez anos do "Presidente dos afetos" em imagens

Fotogaleria dos 10 anos de Marcelo Rebelo de Sousa ao longo de 3652 dias de proximidade, presença mediática e diplomacia que marcaram o “Presidente dos afetos” em dois mandatos.

João Porfírio
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Em 3652 dias de presidência, Marcelo Rebelo de Sousa construiu uma marca política singular em Portugal: proximidade constante com os cidadãos, forte presença pública e um estilo comunicativo que lhe valeu o epíteto de “Presidente dos afetos”. Desde a tomada de posse em março de 2016, o chefe de Estado privilegiou o contacto direto — nas ruas, em praias, feiras ou cerimónias — transformando a Presidência numa presença quase quotidiana no espaço mediático e social do país, com tudo o que isso tem de bom e mau.

Ao longo de dois mandatos, Marcelo atravessou momentos críticos da vida nacional. Entre eles estiveram os devastadores incêndios de 2017, a pandemia de Covid-19, várias crises políticas e a dissolução da Assembleia da República por duas vezes, que conduziu a eleições antecipadas.

Em 5 de dezembro de 2021, Marcelo decidiu dissolver o parlamento depois de a Assembleia ter chumbado o Orçamento do Estado para 2022, apresentado pelo governo de António Costa. A decisão levou à convocação de eleições legislativas antecipadas em 30 de janeiro de 2022, que acabaram por dar maioria absoluta ao Partido Socialista também de António Costa.

A segunda dissolução aconteceu em 9 de novembro de 2023, após a demissão de António Costa no contexto de uma investigação judicial que afetava membros do governo e o próprio primeiro-ministro. Marcelo optou por dissolver o parlamento e convocar eleições legislativas para 10 de março de 2024 que deram a vitória a Luís Montenegro.

Um dos episódios mais sensíveis do segundo mandato de Marcelo Rebelo de Sousa foi o caso das gémeas, que ganhou grande visibilidade pública em 2023 e 2024. A polémica envolveu o acesso de duas crianças luso-brasileiras a um tratamento caro no Serviço Nacional de Saúde, com diligências que teriam incluído contactos do filho do Presidente e o próprio pai através da sua casa civil. O caso levou a audições parlamentares, durante as quais o filho de Marcelo foi chamado a depor, mas acabou por não prestar declarações perante os deputados. Apesar de Marcelo ter negado qualquer intervenção irregular, o episódio tornou-se um dos momentos mais embaraçosos da sua presidência, suscitando debate sobre transparência, influência e igualdade no acesso à saúde.

A dimensão internacional também marcou o seu percurso. Em dez anos, realizou 175 viagens oficiais a 59 países, reforçando relações diplomáticas e mantendo uma atenção particular ao mundo lusófono e às comunidades portuguesas emigrantes. Visitas a países africanos de língua portuguesa, ao Brasil (uma delas polémicas, ao não ser recebido por Bolsonaro, já que se encontrou primeiro com Lula) e a várias comunidades na Europa e na América tornaram-se momentos recorrentes da sua agenda externa.

No plano político interno, conviveu com diferentes equilíbrios parlamentares e governos, desde a chamada “geringonça” liderada por António Costa até à maioria absoluta socialista saída das legislativas de 2022, assistindo ao crescimento do Chega que acabou por se tornar na segunda força do Parlamento.

A popularidade do Presidente assentou em grande medida na sua omnipresença e na facilidade de comunicação com os cidadãos. Banhos de multidão, selfies e abraços tornaram-se imagem de marca, refletindo uma presidência muito mediática. Esse estilo também gerou críticas de quem considera que a exposição constante diluiu a distância institucional tradicional do cargo.

Passada uma década, os dois mandatos de Marcelo Rebelo de Sousa ficam associados a um período intenso da história recente portuguesa, marcado por crises, mudanças políticas e desafios globais, e por uma presidência que privilegiou a empatia e a proximidade. 175 viagens, 59 países e 3 652 dias depois, o “Presidente dos afetos” deixa um retrato singular da forma como ocupou o Palácio de Belém.

Recordamos nestas imagens os dois mandatos do Presidente Marcelo Rebelo de Sousa.