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As 'cidades secretas' de mísseis iranianos escondidos nas montanhas

Instalações subterrâneas iranianas têm sido uma das maiores preocupações nos ataques de Israel e EUA nos últimos dias. Imagens de satélite mostram já sinais de destruição à superfície.

João Paulo Godinho
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Khorramabad (província do Lorestão), Tabriz (província do Azerbaijão Oriental), Bakhtaran e Kenesht (província de Kermanshah). Estas são, segundo o jornal espanhol El País, algumas das ‘cidades de mísseis’ desenvolvidas pelo Irão e estão, simultaneamente, entre as maiores esperanças do regime de Teerão na atual guerra com Israel e EUA e entre os alvos das forças militares destes dois países.

Dono de um dos maiores arsenais de mísseis do Médio Oriente — com uma capacidade superior a 3.000, de acordo com uma estimativa de 2022 do Comando Central dos EUA —, o Irão encontrou nos últimos anos estratégias alternativas para tentar colmatar as suas lacunas em termos de meios aéreos. Sem dispor de caças modernos e recorrendo ainda a obsoletos MiG-29 e Tomcat F-14 — que ganharam fama no filme Top Gun, de 1986 —, o regime de Teerão dispunha de lançadores móveis e inúmeras rampas de lançamento fixas.

Como Israel e os EUA visaram parte significativa destas estruturas nos 12 dias de ataques em junho de 2025, o Irão suporta agora a sua resposta nas ‘cidades de mísseis’ que foi construindo para albergar mísseis. No fundo, constituem bases subterrâneas escavadas nas montanhas do Irão a grandes profundidades, podendo chegar até aos 500 metros abaixo do solo.

https://twitter.com/IDF/status/2029129175953482217

Uma vez que não dispõe de armas nucleares ou mísseis balísticos com alcance suficiente para atingir o território dos EUA, é nestes mísseis e em drones leves, baratos e de forte impacto que residem as maiores expectativas de Teerão para atacar alvos inimigos no Médio Oriente.

Contudo, segundo informações citadas pelo jornal espanhol, alguns dos mísseis poderão já ter capacidade de visar países da Europa oriental, como aqueles que se encontram guardados nas instalações de Tabriz. Este é o segundo maior complexo de mísseis iranianos e que Israel disse ter bombardeado no fim de semana. Khorramabad, por sua vez, já tinha sido atacada por Telavive em junho e terá novamente sido visada por Israel e EUA, face ao armazenamento e capacidade de lançamento de mísseis terra-terra e de cruzeiro, como o Shahab-3, capaz de visar alvos a quase 2.000 quilómetros de distância.

Já na província de Kermanshah, a cerca de 500 quilómetros da capital, destacam-se as bases de Kenesht e Bakhtaran, ambas próximas da fronteira ocidental do Irão e cujo posicionamento estratégico permite atingir alvos em Israel e na região do Golfo Pérsico. Além disso, sem uma localização publicamente conhecida, é reportada a existência de mais ‘cidades de mísseis’ sediadas na região de Teerão.

https://twitter.com/CENTCOM/status/2028153060782973175

Por isso, como reporta o New York Times, estas instalações militares estão entre os principais objetivos de EUA e Israel, tendo já sido atacados alvos nas regiões de Teerão, Isfahan, Kermanshah, Tabriz e Shiraz. Imagens de satélite mostram já grandes sinais de destruição em instalações de apoio à superfície destas estruturas escondidas.

Numa publicação nas redes sociais no domingo, o Comando Central dos EUA revelou que tinha usado bombardeiros furtivos B-2 para atacar “instalações reforçadas de mísseis balísticos” com bombas penetrantes de quase uma tonelada. No dia seguinte, o general Dan Caine, chefe do Estado-Maior Conjunto, admitiu que este tipo de armamento era necessário, face aos alvos subterrâneos, tendo capacidade para perfurar rocha ou betão armado antes da detonação.

Também as Forças de Defesa de Israel adiantaram esta quarta-feira ter atingido instalações de armazenamento, produção e lançamento de mísseis balísticos Ghadr, em Isfahan (no oeste do país), numa série de ataques conduzidos pela Força Aérea israelita.

Após os ataques israelitas e norte-americanos, o Irão já respondeu em múltiplas frentes, ao atingir nos últimos dias Israel, Bahrein, Catar, Emirados Árabes Unidos, Kuwait, Jordânia e Arábia Saudita com alguns dos seus mísseis e drones.