Outrora grandiosa e capaz de dominar as águas do Golfo Pérsico, a agora envelhecida marinha iraniana sofreu um duro golpe nos últimos dias. A operação militar levado a cabo pelos EUA na região destruiu mais de uma dezena e meia de navios iranianos (incluindo petroleiros, porta-helicópteros, fragatas ou corvetas) bem como o quartel-general da frota naval iraniana no porto de Bandar Abbas, no sul do país. Também um submarino da frota do Irão foi destruído, deixando a marinha da República Islâmica em ruínas.
Os Estados Unidos definiram a destruição das capacidades navais do Irão como uma das prioridades da operação “Fúria Épica”, lançada às primeiras horas de sábado, e têm visado insistentemente os navios iranianos. Na segunda-feira, o Comando Central das Forças Armadas Norte-Americanas (CENTCOM) garantia que todos os 11 navios iranianos estacionados no Golfo de Omã tinham sido destruídos. Na mais recente atualização, feita esta terça-feira à noite pelo comandante do CENTCOM, o almirante Brad Cooper, os EUA elevaram para 17 o número de navios afundados (contabilidade na qual se inclui um submarino).
De acordo com o jornal Gulf News, entre os navios iranianos atacados está o petroleiro IRIS Makran, afundado no porto de Bandar Abbas; o IRIS Shahid Bagheri, o mais recente porta-helicópteros e porta-drones, destruído logo no início da operação militar; várias fragatas da classe Jamaran, incluindo a IRINS Jamaran, atingidas e afundadas no cais de Chah Bahar, perto da fronteira com o Paquistão; fragatas das classes Alvand e Bayandor, como a IRIS Sahand, a IRIS Sabalan, a IRIS Bayandor e a IRIS Naghdi, que terão sido ter sido afundadas ou danificadas, com base em imagens de satélite e relatórios de analistas. Também várias corvetas terão sofrido danos significativos.
No que diz respeito aos submarinos, a limitada frota iraniana sofreu também pesadas baixas. Um submarino da classe Fateh foi afundado perto de Bandar Abbas, segundo o CENTCOM, que acrescenta que os submarinos iranianos da classe Kilo foram igualmente visados, sendo que o ficou em melhor estado está agora com o casco danificado e inoperacional.
As forças americanas também destruíram grande parte do quartel-general da frota naval iraniana no porto de Bandar Abbas.


A dimensão da destruição da marinha iraniana é visível em imagens de satélite, que mostram a diferença no porto de Bandar Abbas, no Golfo de Omã, antes e depois do ataques dos EUA. Imagens do Google Earth, publicadas pelo jornal The Telegraph, capturadas a 22 de fevereiro mostram muitos navios da Marinha iraniana atracados e intactos em Bandar Abbas. Uma outra imagem, captada pela Planet Labs, uma empresa de imagens de satélite, mostra a mesma área envolta em fumo negro, consequência dos bombardeamentos norte-americanos.
https://observador.pt/especiais/ataque-retaliacao-e-contagio-o-que-esta-em-risco-no-estreito-de-ormuz-e-quem-e-mais-afetado-em-11-respostas/
Secretário da Defesa diz que a (envelhecida) marinha iraniana foi “dizimada”
Esta quarta-feira, o Secretário da Defesa dos EUA vangloriou-se dos resultados da ofensiva contra marinha do Irão. Hegseth disse que a marinha daquele país “repousa no fundo do Golfo Pérsico” e que está “ineficaz, dizimada, destruída”. No entanto, especialistas em segurança ouvidos pelo Telegraph sublinham que a destruição da frota iraniana não é um feito particularmente relevante: a maior parte dos navios estavam envelhecidos, com alguns a terem entrado para o arsenal iraniano nas décadas de 50 e 60 do século XX, e mal conservados (situação para a qual também contribuíram as sanções contra o Irão, que impediam por exemplo a substituição de peças). As corvetas da classe Bayandor, IRIS Bayandor e IRIS Naghdi, ambas destruídas esta semana, foram lançadas em 1964.
A forte investida das forças norte-americanas contra os meios navais do Irão (na qual foram usados os bombardeiros B-2, caças furtivos F-35 e mísseis Tomahawk) terá servido não só para neutralizar parte da capacidade de lançamento de mísseis iranianos como para tentar impedir que Teerão respondesse aos ataques através do bloqueio do estreito de Ormuz, uma rota comercial crucial, por onde passa um quinto das exportações mundiais de petróleo e parte significativo dos carregamentos de gás natural liquefeito. Aparentemente, o objetivo não terá sido alcançado, dada a disrupção no estreito, onde dezenas de navios espera autorização para atravessar. Esta quarta-feira, a Guarda Revolucionária do Irão garantiu que tem “controlo total” sobre o estreito de Ormuz.
[Depois de anos em fuga, o guru é finalmente detido. Mas o movimento de yoga e as escolas em todo o mundo continuam a funcionar. Ouça o último episódio de “Os segredos da seita do yoga”, o novo Podcast Plus do Observador. Uma série em seis episódios, narrada pela atriz Daniela Ruah, com banda sonora original de Benjamim. Pode ouvir aqui, no site do Observador, e também na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music. E pode ouvir aqui o primeiro episódio, aqui o segundo, aqui o terceiro e aqui o quarto e aqui o quinto episódio]