A Cáritas Portuguesa alertou esta terça-feira para situações de pobreza e exclusão que escapam às estatísticas oficiais, como nas pessoas sem-abrigo e reclusos, defendendo “especial atenção e cuidado” perante o aumento de imigrantes em contexto de exclusão.
No seu mais recente relatório sobre Pobreza e Exclusão Social, que é divulgado esta terça-feira e a que a Lusa teve acesso, a Cáritas salienta que “há vários segmentos da população que são particularmente vulneráveis a situações de pobreza e exclusão”.
A Cáritas chama a atenção para “as pessoas com mais baixos níveis de escolaridade, com menor participação no mercado de trabalho, as famílias monoparentais, as pessoas com deficiência e as famílias imigrantes, incluindo as respetivas crianças”.
Por outro lado, refere que as estatísticas oficiais “são um retrato incompleto das situações de pobreza e exclusão em Portugal”, uma vez que têm por base os inquéritos do Censos, “que não incluem as pessoas em situação de sem-abrigo, os reclusos nas prisões, os nacionais e estrangeiros que vivem em alojamentos temporários ou as comunidades nómadas”.
Segundo a organização católica de apoio social, os imigrantes tendem a “permanecer invisíveis” e “o aumento do número de imigrantes em situação de exclusão nos últimos anos merece especial atenção e cuidado”.
“A rede Cáritas espalhada por todo o país é testemunha deste grito de ajuda em último recurso. A sub-representação dos fluxos migratórios nas estatísticas oficiais está naturalmente enviesada para estas situações de maior precariedade”, sublinhou.
De acordo com o relatório, “as estatísticas oficiais tenderão a subestimar a verdadeira extensão da pobreza e da exclusão em Portugal” e essa constatação serve como aleta contra um eventual “conforto na evolução ligeiramente favorável dos indicadores oficiais da pobreza nos anos mais recentes”.
Para a organização da Igreja católica, que trabalha no combate à pobreza e exclusão social, “os mais frágeis são também os mais vulneráveis em situações de calamidade”, seja pela ausência de recursos económicos ou de redes de apoio, dando como exemplos os acontecimentos recentes na região Centro do país.
O relatório indica que em 2024 “a região Centro era a que apresentava o menor rendimento mediano de todas as regiões do país” e que nesse mesmo ano “13,2% dos indivíduos reportaram não ter capacidade financeira para manter a casa aquecida e 25,6% não tinham capacidade para assegurar o pagamento imediato de uma despesa inesperada próxima de 700 euros”.
“Esta última estatística permite perceber como tantas famílias, perante uma sucessão de tragédias naturais, ficaram completamente dependentes de auxílio externo”, salienta o documento.
Segundo a Cáritas, “são ainda muitas as famílias marcadas pela pobreza e exclusão social”, apontando que “a persistência destas situações é intolerável numa economia desenvolvida, que tem os recursos para assegurar uma participação digna de todos na vida em sociedade”.
Defende, por isso, que combater a pobreza “deve ser um eixo prioritário das políticas públicas e da intervenção da sociedade civil”, sublinhando que “progressos adicionais exigirão intervenções mais robustas e mais focadas nos segmentos de maior exclusão”.
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