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(A) :: Trump e a falta de chá e de Xá da Pérsia

Trump e a falta de chá e de Xá da Pérsia

Acredito que o conflito no Irão acabe depressa. Ao ritmo a que irão (lá está) à vida os candidatos a novo aiatola, pode ser que o stock esgote rápido. E que Pedro Sánchez não se chegue à frente.

Tiago Dores
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Ajudem-me, que as aulas de Geografia estão lá mais para trás do que a malta do 8.º ano que fumava nas traseiras do pavilhão C. Que nome se dá a uma porção de terra rodeada de água e comunistas por todo o lado?… Ah, é isso! Portugal, claro. Atlântico a oeste e sul, Espanha de Pedro “Costa II” Sánchez a norte e leste. Tinha a resposta debaixo da língua. Mesmo ao lado do comprimido de cianeto, a postos para o caso de o actual regime espanhol de Costa II ensaiar uma brincadeira idêntica à de Filipe II.

Por estes dias, na sequência natural das suspeitas sobre as muito fraternas amizades com a Venezuela de Maduro e o Irão de Khamenei, Sánchez proibiu os americanos de usarem as bases aéreas espanholas para operações relacionadas com a intervenção no Irão. Mas de que estavam à espera os americanos? Quer dizer, prendem e matam duas das maiores referência de estadista para o líder do governo espanhol e estão à espera de quê? De um comportamento digno de chefe de um Estado europeu e moderno? Levam com o comportamento digno de chefe de um estado comunista e retrógrado — passe a redundância — e já vão com sorte.

O que, ainda assim, pode ter um lado positivo. Lembram-se quando, no tempo de Sócrates (o nosso; não me refiro à Grécia Antiga), a propósito da discussão sobre o hipotético TGV que hipoteticamente ligaria Lisboa a Madrid, se dizia que, com este projecto, Lisboa e a zona em redor seria a praia de Madrid? Neste momento, estou convencido de que se os espanhóis deixarem Pedro Sánchez “cozinhar” só mais um bocadinho, não só estão fritos, como não é Lisboa que se torna a praia de Madrid, mas sim Madrid que se torna a Havana de Lisboa.

O que, óbvio, faria as delícias de todos aqueles democratas que lamentam não ter tido oportunidade de visitar Cuba enquanto Fidel Castro era vivo. E faria os lamentos dos que, entre esse democratas, fossem pré-diabéticos e se deslocassem a Badajoz na clássica busca por caramelos: se houvesse gás ou electricidade para fazer os caramelos, por certo não haveria açúcar. Ou vice-versa. Ou vice-versa e vice-versa, que ainda seria o mais provável.

À conta destas brincadeiras de Pedro Sánchez, os americanos falam em cancelar os acordos comerciais com Espanha. Sendo que o Reino Unido vai por um caminho que termina em idêntico precipício. E mesmo os franceses, a menos que seja para se renderem num ápice, é sempre melhor não contar com aquela trupe. Quer isto dizer que, com jeito, e sem termos de fazer rigorosamente nada, ainda saímos disto como um dos maiores aliados dos Estados Unidos da América no velho continente. Tudo à conta de tiros nos pés dados por essa Europa fora. Coisa que nós jamais faríamos. Não por convicção geopolítica — que essa não nos assiste — mas porque se fossemos espreitar de novo os paióis de Tancos cheira-me que voltávamos a não encontrar nem um chumbinho de 4,5mm.

Chumbo, mas do mais grosso, anda a voar pelo Médio Oriente. Bastante mais no sentido lança-mísseis americano-moleirinha de aiatola do que no sentido contrário, felizmente. Quer dizer, falo por mim. E pelos iranianos em geral. Não falo por aqueles “liberais” ocidentais que têm manifestado profundo pesar pela morte do carniceiro Ali Khamenei, naquilo que depreendo seja a forma dos defensores das mutilações para “transformar” meninos em meninas e meninas em meninos demonstrarem solidariedade para com um dos seus mais queridos.

E o luto ainda deve durar, porque Trump avisou que a operação militar vai demorar umas semanas, dada a complexidade da situação. E é nesta análise que se percebe que esta administração americana tem as suas falhas. Porque a questão iraniana, em verdade, é simples. Resume-se a dois meros pontos, que são quase um e o mesmo ponto. Sob esta tenebrosa ditadura fundamentalista, o problema da Pérsia é, no fundo, a falta de chá. Que adveio da falta do Xá. Portanto, temos sempre a questão da “falta”, não é?, e depois temos chá, Xá, tomato, tomahto.

Enfim, é ter esperança que, nos próximos dias, os aspirantes a novo aiatola deixem de tirar senha para ocupar o cargo que deverá ser deixado vago a um ritmo alucinante. E que Pedro Sánchez não se chegue à frente. Já não digo nada. Proibir a força aérea norte-americana de usar a base de Morón, a mim, parece-me coisa do moron.