Inicialmente, o casal Clinton rejeitou prestar depoimentos sobre as ligações a Jeffrey Epstein. Mais tarde, quando Bill e Hillary foram pressionados, acederam, mas insistiram que as audições fossem à porta aberta. Os depoimentos acabaram por decorrer à porta fechada, mas, esta segunda-feira, a Comissão de Supervisão da Câmara dos Representantes divulgou os vídeos dos depoimentos prestados por Bill e Hillary Clinton sobre a alegada ligação a Jeffrey Epstein.
Os depoimentos foram prestados individualmente, na semana passada, em Chappaqua, Nova Iorque, onde o casal vive. O antigo Presidente dos EUA e a antiga secretária de Estado da administração Obama foram ouvidos por legisladores democratas e republicanos em dias diferentes, durante cerca de quatro horas e meia cada um.
https://observador.pt/2026/02/27/nao-vi-nada-nem-fiz-nada-de-mal-bill-clinton-testemunha-sobre-o-pouco-que-sabe-sobre-os-crimes-de-epstein-e-garante-que-os-denunciaria/
Cada um foi ouvido durante cerca de quatro horas e meia, por legisladores democratas e republicanos. Bill Clinton surge em várias fotografias divulgadas nos ficheiros — porém, aparecer nos ficheiros não é um sinal de alguma atividade ilícita.
https://youtu.be/rgJrYKAl6T0
Bill Clinton negou ter testemunhado crimes de Epstein
O antigo Presidente norte-americano foi ouvido na sexta-feira passada, naquela que foi a primeira vez em que testemunhou perante um comité congressional, nota a ABC News.
Numa declaração inicial, frisou que não tinha conhecimento de qualquer irregularidade cometida por Jeffrey Epstein. E destacou que espera que o seu envolvimento na investigação possa “prevenir que algo como isto volte a acontecer”.
Clinton declarou que Epstein era apenas um “conhecimento superficial”, mas que a relação entre os dois “terminou anos antes de os seus crimes serem conhecidos”, citou a BBC. A ABC News nota que Clinton explicou que o ponto de contacto entre Epstein e o antigo Presidente terá sido através de Larry Summers, que foi secretário do Tesouro de Bill Clinton.
Summers demitiu-se na semana passada da Universidade de Harvard, na sequência do escândalo Epstein. Em novembro, abandonou vários cargos em conselhos de administração, incluindo na OpenAI, quando vieram a público os emails trocados com Epstein.
https://observador.pt/2026/02/25/ex-presidente-de-harvard-demite-se-apos-divulgacao-de-mensagens-para-epstein/
Os legisladores questionaram Clinton sobre se alguma vez testemunhou algum abuso sexual de Epstein a “mulheres ou raparigas”. O antigo Presidente respondeu “não”, dizendo também não se lembrar de “ter alguma vez” visto Epstein a receber massagens de jovens mulheres ou raparigas. Também negou ter alguma vez discutido atos sexuais com Epstein.
Apesar de dizer que “nunca viu” Epstein fazer “alguma coisa suspeita”, Clinton admitiu considerá-lo “estranho”.
https://youtu.be/siiAk6WXc0M
Bill Clinton negou atividade sexual em fotografia do jacuzzi
O antigo Presidente dos EUA surge em várias fotografias dos ficheiros Epstein. Numa delas, foi fotografado num jacuzzi, ao lado de uma mulher, cujo rosto foi tapado quando a imagem foi divulgada.
Bill Clinton foi questionado sobre a mulher no jacuzzi. “Esqueci-me que estava alguém no jacuzzi”, respondeu Clinton, dizendo desconhecer quem é a mulher. “Estavam mais pessoas na piscina.”
https://observador.pt/2025/12/12/epstein-divulgadas-fotografias-que-mostram-trump-clinton-bill-gates-e-outras-figuras-influentes-ao-lado-do-milionario/
Clinton negou ter tido atividade sexual no momento da fotografia. “Sentei-me no jacuzzi durante cinco minutos, ou o que seja, levantei-me e fui para a cama”, respondeu. O antigo Presidente norte-americano disse estar “quase certo” de que a fotografia terá sido tirada num hotel, durante uma viagem ao Brunei, durante uma conferência da Cooperação Económica Ásia-Pacífico, em 2000.
Questionada sobre a imagem, Hillary Clinton respondeu não estar no depoimento “para dar opiniões”. “Estou aqui para responder a questões específicas na melhor das minhas capacidades.”
Hillary Clinton ficou furiosa após ter sido divulgada fotografia do depoimento
Um dos maiores momentos de tensão do depoimento de Hillary Clinton aconteceu devido a uma fotografia. Mas não uma imagem incluída nos ficheiros Epstein.
A republicana Lauren Boebert, do Colorado, partilhou uma fotografia do depoimento com o influenciar conservador Benny Johnson, nota a CNN internacional. Mais tarde, a fotografia chegou às redes sociais, que escreveu que “Clinton não parece feliz” na imagem.
https://twitter.com/bennyjohnson/status/2027067846417690630
“Consideramos isto inaceitável”, declarou a advogada de Hillary Clinton quando percebeu que a fotografia tinha chegado ao X. “Consideramos isso pouco profissional e injusto. Esperamos que o depoimento seja conduzido de acordo com as regras e em conformidade com as expectativas”, acrescentou.
“Estou farta”, explodiu Hillary Clinton. “Se vão fazer isso, para mim acabou. Podem julgar-me por desrespeito até ao fim dos tempos. Isto não é um comportamento habitual”, disse exasperada, levantando-se da cadeira. O depoimento foi interrompido durante algum tempo após a troca de palavras acesa.
Casal disse não se lembrar de Epstein na Casa Branca
Tanto Bill como Hillary Clinton foram questionados sobre se se recordavam de Jeffrey Epstein ter estado na Casa Branca — há uma fotografia do antigo Presidente com Jeffrey Esptein e Ghislaine Maxwell.
“Não sabia nada sobre ele”, declarou Hillary Clinton, que disse não se lembrar de ter conhecido Epstein. Porém, explicou que, durante a preparação para o depoimento, foi informada de que o antigo investidor esteve na Casa Branca, na altura em que era primeira-dama.
“Nem ela nem eu nos lembrávamos de ter apertado a mão dele há tantos anos”, disse Bill Clinton. Ao mesmo tempo, contestou o facto de a mulher também ter sido chamada a prestar declarações. “Portanto, não acho que isso tenha sido correto. Por outro lado, acho que deveriam estar a falar comigo”, admitindo que realmente fez “as viagens de avião” com Epstein. “Vocês têm o direito de fazer essas perguntas.”
Trump deve ser chamado a testemunhar sobre Epstein? “Ele conheceu-o bem”
Ao longo das horas em que foi ouvido, Bill Clinton foi questionado sobre se Donald Trump deveria ser chamado a testemunhar sobre a relação com Epstein. “Cabe-vos a vós decidir. Mas ele conheceu-o bem”, declarou.
Clinton recordou que teve uma conversa com Donald Trump, algures entre 2002 e 2003, sobre Epstein. “[Trump] nunca me disse nada que me fizesse pensar que estivesse envolvido em algo impróprio. (…) Só me disse ‘erámos amigos e depois deixámos de ser devido a um negócio sobre um terreno’.”
A conversa terá decorrido enquanto Trump e Clinton jogavam golf, durante um evento de solidariedade. Bill Clinton disse que Trump lhe afirmou que teve “uns grandes tempos” com Epstein ao longo dos anos. O antigo Presidente foi questionado sobre se Trump especificou algumas atividades desses tempos — Clinton negou que houvesse “alguma entoação sexual” na conversa.
Quando está “preocupado com ser descoberto”, Trump “acusa outra pessoa de fazer aquilo que fez”
Hillary Clinton acusou Donald Trump de estar a tentar desviar as atenções sobre as ligações a Epstein. “Tendo observado o Presidente Trump de forma próxima desde que concorri contra ele [nas presidenciais de 2016], ele tem uma questão comportamental”, declarou.
“Sempre que está preocupado com ser descoberto acusa outra pessoa de fazer aquilo que ele realmente fez. É um padrão com ele. Não é surpreendente para mim que, de repente, o que prometeu durante a campanha revelar, tudo sobre os ficheiros [Epstein]”, explicou. “E depois quando o pessoal dele começou a olhar para os ficheiros e quão potencialmente incriminatórios em relação a ele eram, de repente já não era esse o foco, o foco era culpar os democratas, dizer que era uma farsa, para se continuar, que não havia nada para ver ali.”
“É um padrão típico do comportamento do Presidente Trump, que fala mais alto do que todas as palavras que ele diz e de todas as publicações que faz na Truth Social.”
As perguntas sobre a teoria da conspiração “Pizzagate”
Um dos momentos insólitos do depoimento de Hillary Clinton está ligado a questões feitas sobre a teoria da conspiração “Pizzagate”. Esta é uma teoria que supostamente ligava uma rede de pedofilia ao círculo interno de Hillary Clinton, que supostamente seria gerida a partir de uma pizzaria em Washington D.C.
“O ‘Pizzagate’ foi totalmente inventado”, disse Clinton. “Foi uma alegação ultrajante que acabou por magoar várias pessoas, levando um jovem perturbado a aparecer com a sua espingarda de assalto e a disparar contra uma pizzaria local. Não acredito que se esteja sequer a referir-se a isso”, atirou à republicana Lauren Boebert.
“Esperava muitas questões interessantes hoje, mas o ‘Pizzagate’ não estava na minha lista”, rematou.
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