Três anos depois da estreia, Portugal começou esta terça-feira o caminho rumo a mais um Campeonato do Mundo feminino. Posicionada no Grupo B3 da fase de qualificação europeia, por conta da descida para o 18.º lugar do ranking europeu, abaixo das 16 seleções que disputam a Liga A, a Seleção Nacional tem como adversárias a Letónia, a Finlândia e a Eslováquia, posicionando-se como a principal favorita a terminar na primeira posição que, assim como o segundo e o terceiro lugares, dá acesso ao playoff de qualificação, frente aos segundos, terceiros e quartos lugares dos grupos da Liga A. Para já, o início da campanha rumo ao Brasil tem como pano de fundo o território nacional, com as Navegadoras a defrontarem a Eslováquia no sábado, em Barcelos, já depois de terem recebido a Finlândia, num jogo que estava previsto para o Estádio Capital do Móvel, mas que teve de ser transferido para a Vizela por conta do estado do relvado.
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No lote de 25 convocadas, Francisco Neto optou por apresentar três grandes novidades, com Pauleta, Daniela Areia Santos e Nádia Bravo a chegarem à Seleção pela primeira vez. Em sentido inverso, ficaram de fora Bárbara Lopes, Érica Cancelinha, Inês Meninas (por lesão), Maísa Correia, Maria Alagoa e Raquel Ferreira, juntamente com Telma Encarnação que, depois de integrado a convocatória inicial, foi considerada inapta pelo departamento médico da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), tendo sido substituída por Alícia Correia. Nesse sentido, o selecionador nacional optou por manter a base que se consolidou nos últimos anos, de forma a manter a consistência que tem sido apanágio no seio das Navegadoras.
“Acima de tudo, esperamos uma casa bem composta, com uma energia positiva muito grande e que seja contagiante para as nossas jogadoras. Aquilo que pedimos às jogadoras foi exatamente isso: muita energia, bom espírito e alegria. Depois, queremos aquilo que nos tem caracterizado nos grandes jogos: muita organização, muita competitividade e muita vontade de vencer. Vamos defrontar a Finlândia, um adversário que está um lugar abaixo de nós no ranking, o que diz tudo da sua qualidade. Tal como Portugal, esteve presente no último Europeu. É uma equipa que tem vindo a crescer muito, que nos últimos anos começou a exportar jogadoras para a Liga inglesa e para a Liga sueca, o que fez com que as suas jogadoras crescessem bastante. Será, com certeza, um jogo muito difícil contra uma equipa forte, mas em nossa casa queremos vencer. Toda a gente gosta de ganhar. Já passámos por momentos melhores e piores e sabemos que os ciclos não duram para sempre”, perspetivou Neto.
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Para este jogo inaugural da qualificação, o grande destaque foi Carole Costa, que voltou a ser titular com Diana Gomes numa defesa a quatro e chegou às 187 internacionalizações, registo que lhe permitiu igualar a colega de clube Ana Borges, que continua a recuperar de lesão, no topo da lista das jogadoras com mais jogos pela Seleção Nacional. Na baliza, Francisco Neto voltou a apostar em Inês Pereira, com Catarina Amado e Joana Marchão a fazerem os corredores e Andreia Jacinto, Andreia Faria e Tatiana Pinto a equilibrarem o jogo português no meio-campo. No ataque à baliza adversária, Francisca Nazareth jogou no apoio a Jéssica Silva e Diana Silva. Na Finlândia, Paulina Nyström, Lotta Lindström e Katariina Kosola foram as jogadoras mais adiantadas.
A primeira parte arrancou com o jogo muito discutido a meio-campo e sem ocasiões de perigo, com o primeiro momento a pertencer a Portugal, com Jéssica a roubar a bola a Anna Koivunen e a servir Diana, mas um corte da defesa finlandesa impediu o golo (28′). Pouco depois, Jacinto atirou cruzado para uma grande defesa da guarda-redes (36′), antes de Jéssica Silva e Diana Silva voltarem a desequilibrar dentro da área, numa jogada que terminou com um corte da defesa perante o remate da avançada do Benfica (41′). Na etapa complementar, as Navegadoras continuaram a colecionar oportunidades, com Faria a cruzar para Diana, que obrigou Koivunen a mais uma defesa (51′). Logo a seguir, um cruzamento de Marchão quase resultou num autogolo (57′) e, depois do canto, Kika finalizou por cima em boa posição (58′). Na resposta, Adelina Engman obrigou Inês a aplicar-se com um remate dentro da área (65′).
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Na reta final do jogo, Neto lançou Carolina Santiago e Ana Capeta, retirando Diana e Jéssica, colocando, mais à frente, Dolores Silva e Lúcia Alves nos lugares de Faria e Marchão. A cinco minutos do fim, Kika Nazareth voltou a aparecer sozinha em zona perigosa, mas o seu remate saiu ao lado (85′). Já no tempo de compensação, Lúcia Alves inspirou-se e inaugurou o marcador com um grande remate de longe (90+1′). No lance seguinte, já com Fátima Pinto em ação, Portugal trabalhou bem um contra-ataque e fechou as contas, com Kika a servir Santiago para o remate certeiro (90+4′). Na resposta, Engman sofreu um toque de Fátima dentro da área portuguesa e, na cobrança do castigo máximo, Eveliina Summanen atirou colocado para a direita, mas Inês Pereira adivinhou e parou o remate (90+7′).