Era a primeira parte de um jogo de 180 minutos que oferecia um passaporte para o sítio onde todos querem estar: o Estádio Nacional do Jamor, ali nos últimos dias de maio, já com o Campeonato encerrado e o sol que já quer ser de verão a iluminar a final da Taça de Portugal. Na primeira mão da meia-final, Sporting e FC Porto cruzavam-se em Alvalade e procuravam dar mais um passo para chegar a um dos crónicos objetivos da temporada.
De um lado, os leões queriam ficar ainda mais perto da reconquista da Taça de Portugal carimbada na temporada passada. No segundo lugar do Campeonato, sem sequer ter chegado à final da Taça da Liga e com as ambições sempre relativas na Liga dos Campeões, a equipa de Rui Borges recebia o FC Porto com a ideia clara de que era urgente estar no Jamor.
Ficha de jogo
Sporting-FC Porto, 1-0
Meia-final da Taça de Portugal
Estádio José Alvalade, em Lisboa
Árbitro: Cláudio Pereira (AF Aveiro)
Sporting: Rui Silva, Iván Fresneda, Diomande, Gonçalo Inácio, Maxi Araújo, Hjulmand, Morita (João Simões, 66′), Luis Guilherme (Pedro Gonçalves, 66′), Trincão (Daniel Bragança, 85′), Geny Catamo (Nuno Santos, 85′), Luis Suárez
Suplentes não utilizados: João Virgínia, Vagiannidis, Eduardo Quaresma, Faye, Rafael Nel
Treinador: Rui Borges
FC Porto: Diogo Costa, Alberto Costa (Victor Froholdt, 45′), Bednarek (Kiwior, 45′), Pablo Rosario, Francisco Moura, Alan Varela, Seko Fofana (Oskar Pietuszewski, 73′), Rodrigo Mora (Gabri Veiga, 64′), William Gomes, Terem Moffi (Deniz Gül, 64′), Pepê
Suplentes não utilizados: Cláudio Ramos, Prpic, Zaidu, André Miranda
Treinador: Francesco Farioli
Golos: Luis Suárez (gp, 62′)
Ação disciplinar: cartão amarelo a Geny Catamo (30′), a Alberto Costa (45+2′), a Hjulmand (45+3′), a Alan Varela (64′), a Gabri Veiga (90+2′)
“Favoritismo? Nestes jogos é 50/50, seja em casa ou fora. Defender algo que é nosso é o que nos motiva, queremos disputar a final novamente. A final da Taça é muito especial, já o disse, e a motivação é que somos o Sporting. As equipas conhecem-se cada vez mais e melhor, não deixam de ser jogos especiais. São equipas competitivas, que querem ganhar a competição. No calor do momento, na paixão do jogo, pode perder-se a razão e isso pode sair caro em qualquer equipa. Às vezes é a inspiração individual que resolve estes jogos”, disse o treinador leonino na antevisão.
Do outro lado, os dragões queriam ficar ainda mais perto de uma conquista da Taça de Portugal que, a dada altura, pode significar uma dobradinha. Na liderança do Campeonato, sem sequer ter chegado à final four da Taça da Liga e com a Liga Europa como uma espécie de objetivo de que ninguém fala, a equipa de Francesco Farioli visitava o Sporting com a ideia clara de que é possível terminar a temporada com a quase hegemonia interna.
“Estamos numa fase em que o nível de conhecimento é algo, o jogo é sempre tático e o que faz a diferença é a qualidade técnica. Deverá ser a chave do jogo amanhã. Preparo a equipa que vai jogar contra um emblema agressivo, já disse antes que eles não vão esperar por nós. Não vamos mudar de identidade. Este é um tipo de jogo que as pessoas querem ver, clubes que atuam cara a cara, com partes em que uma equipa estará por cima, é natural. Mas sabemos como queremos jogar”, explicou o técnico italiano, que esta temporada ganhou em Alvalade para o Campeonato e empatou com os leões no Dragão há menos de um mês.
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Assim, esta quarta-feira, Rui Borges não surpreendia e repetia o onze que venceu o Estoril na semana passada, com Geny Catamo, Trincão e Luis Guilherme no apoio a Luis Suárez e Pedro Gonçalves a começar no banco. Já Francesco Farioli optava pelo que ninguém esperava: Kiwior, Victor Froholdt, Gabri Veiga, Oskar Pietuszewski e Deniz Gül eram todos suplentes, com Pablo Rosario, Seko Fofana, Rodrigo Mora, William Gomes e Terem Moffi a saltarem para a titularidade.
Numa primeira parte que não teve golos, mas durou praticamente uma hora, entre muitas paragens e dez minutos de descontos, Sporting e FC Porto voltaram a repetir o que já tinha acontecido no clássico do mês passado e desenharam um jogo com poucas oportunidades, muita agressividade e ausência total de momentos memoráveis no que ao futebol propriamente dito diz respeito.
Ainda assim, os dragões entraram claramente melhor, com os leões a terem muitas dificuldades para ultrapassarem a linha do meio-campo nos minutos iniciais. O perigo da equipa de Francesco Farioli aparecia essencialmente a partir da direita, onde Alberto Costa e William Gomes davam muito trabalho a Maxi Araújo e o brasileiro ia conseguindo repetir a jogada de autor, puxando para dentro para depois rematar em jeito de pé esquerdo.
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A equipa de Rui Borges cresceu a partir do quarto de hora inicial e equilibrou o jogo, subindo as linhas e aproximando-se da baliza de Diogo Costa. Fresneda teve a melhor oportunidade da primeira parte nesta fase, com um remate cruzado de fora de área que passou ao lado (17′), e Geny Catamo atirou por cima logo a seguir e na conclusão de um pontapé de canto estudado (20′). A partir daí, porém, pouco se jogou: em interrupções consecutivas, Fresneda, Bednarek e Pepê tiveram de ser assistidos, Alvalade assumiu a instabilidade nas bancadas e os ânimos iam ficando cada vez mais intensos nos bancos de suplentes.
Bednarek foi mesmo substituído, por problemas físicos e permitindo a entrada de Kiwior, e tanto os últimos minutos como os descontos da primeira parte trouxeram dezenas de passes errados, muitas precipitações e a ideia clara de que as equipas queriam apostar no futebol direto, com poucos passes e velocidade absoluta, deixando para trás uma versão mais organizada. Ao intervalo, Sporting e FC Porto estavam empatados sem golos.
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Francesco Farioli voltou a mexer no início da segunda parte e trocou Alberto Costa, que também teve muitas dificuldades físicas antes do intervalo, por Victor Froholdt, com Pepê a recuar para a direita da defesa. O Sporting pareceu entrar ligeiramente por cima, com Geny Catamo a rematar à figura de Diogo Costa logo nos instantes iniciais (46′), mas o FC Porto depressa respondeu com um pontapé de longe de Alan Varela que acertou em cheio no poste (48′).
A partida parecia algo melhor e os lances de pseudo perigo dos primeiros dez minutos da segunda parte foram desde logo mais do que os da primeira, com Diomande a cabecear para as mãos de Diogo Costa (53′) antes de Rodrigo Mora rematar ao lado (53′). Já depois da hora de jogo, o marcador foi mesmo desbloqueado: Alan Varela evitou o golo de Fresneda em cima da linha, Hjulmand foi carregado em falta por Seko Fofana no interior da grande área e Luis Suárez, na conversão da grande penalidade, não falhou (62′).
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Farioli fez duas substituições logo depois do golo sofrido, lançando Gabri Veiga e Deniz Gül, e Rui Borges respondeu com João Simões e Pedro Gonçalves. Os leões pareciam demonstrar capacidade para gerir o resultado, oferecendo a iniciativa aos dragões e mantendo uma organização defensiva que permitia não sofrer demasiado e sair de forma apoiada e cautelosa quando tinham a bola.
Oskar Pietuszewski entrou para os últimos 20 minutos e o jogo foi perdendo clarividência, com a equipa de Francesco Farioli a tentar ter bola, mas sem grande qualidade, e o conjunto de Rui Borges a procurar as costas da defesa contrária. Daniel Bragança e Nuno Santos renderam Trincão e Geny Catamo já perto do fim e a verdade é que já nada mudou até ao apito final, com Luis Suárez a ter ainda um remate perigoso que passou ao lado já nos descontos (90+1′).
No fim, o Sporting venceu o FC Porto em Alvalade e colocou-se em vantagem na meia-final da Taça de Portugal. Num clássico duro, com mais de 30 faltas, dezenas de paragens e muitas confusões, Luis Suárez ganhou a primeira batalha de uma autêntica guerra de trincheiras que vai obrigar a muito sacrifício para definir quem fica com o passaporte para o Jamor.
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