Entre jantares de angariação de fundos e várias chamadas telefónicas, o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, acompanhou à distância o início de uma ofensiva contra o Irão que promete marcar o ano de 2026. E já depois de ter aprovado ataque ainda levou hambúrgueres para o avião presidencial e e dançou.
Num espaço de 50 horas, entre sexta-feira e domingo à noite, Trump autorizou a operação “Fúria Épica”, dirigiu-se ao país através de vídeos publicados nas redes sociais, falou com líderes internacionais, deixou avisos de retaliação e, pelo meio, cumpriu com a sua agenda social em Mar-a-Lago.
Sexta-feira, 27 de fevereiro
- 15h38 (20h38 em Lisboa)
O líder norte-americano deu a ordem final para avançar com a operação “Fúria Épica” enquanto seguia a bordo do avião presidencial Air Force One para Corpus Christi, no Texas.
“Operação Fúria Épica está aprovada, sem cancelamentos. Boa sorte”, terá dito Trump ao Comando Militar, de acordo com o relato de Dan Caine, chefe do Estado-Maior Conjunto, citado pelo Wall Street Journal.
Já em solo texano, confrontado por um jornalista sobre a iminência de um ataque ao Irão, o Presidente norte-americano respondeu: “Prefiro não lhe dizer. Assim teria o exclusivo do século“. Num discurso posterior, admitiu que preferia a “via pacífica”, mas classificou os iranianos como “pessoas muito difíceis”.
Antes de regressar à Flórida, Trump ainda fez uma paragem no restaurante Whataburger, onde cumprimentou funcionários e levou hambúrgueres para o avião presidencial.
- 21h02 (2h02 em Lisboa)
A comitiva de Trump chegou a Mar-a-Lago. O líder dos Estados Unidos marcou presença num baile promovido por uma associação que se dedica a ajudar crianças e jovens em situação de vulnerabilidade. Ao som de God Bless the U.S.A., de Lee Greenwood, acenou aos convidados, dançou e afirmou: “Divertam-se. Eu tenho de ir trabalhar”, despedindo-se dos convidados.
https://observador.pt/2026/03/02/trump-acompanhou-operacao-militar-contra-o-irao-numa-sala-de-crise-improvisada-em-mar-a-lago-paredes-meias-com-um-baile-de-gala/
Donald Trump seguiu, depois, para uma sala de crise improvisada, de onde os mais importantes membros da administração e dos serviços secretos norte-americanos haveriam de acompanhar a operação militar “Fúria Épica”, contra o Irão.
https://twitter.com/WhiteHouse/status/2027838386342334802
As imagens divulgadas pela Casa Branca, nas redes sociais, mostram Trump a falar com a sua chefe de gabinete, Susie Wiles ou, numa outra foto, a olhar para o diretor da CIA, John Ratcliffe.
https://observador.pt/2026/03/02/trump-acompanhou-operacao-militar-contra-o-irao-numa-sala-de-crise-improvisada-em-mar-a-lago-paredes-meias-com-um-baile-de-gala/
Sábado, 28 de fevereiro
- 1h15 (6h15 em Lisboa)
Por ordem do Presidente dos Estados Unidos, o Comando Central norte-americano lançou a ofensiva que tinha como alvo o Irão. De acordo com um funcionário da Casa Branca citado pelo mesmo jornal, Trump permaneceu na sala de crise a assistir ao ataque.
- 2h30 (7h30 em Lisboa)
Através de um vídeo de oito minutos publicado nas redes sociais, Donald Trump anunciou ao mundo que tinha atacado o Irão. “Há pouco tempo, as Forças Armadas dos EUA começaram uma grande operação de combate no Irão. O objetivo é defender o povo americano, ao eliminar ameaças iminentes do regime iraniano, um grupo de pessoas muito más e terríveis”, disse.
https://twitter.com/realDonaldTrump/status/2027651077865157033
A partir daí, o Irão retaliou e atacou vários países aliados dos Estados Unidos.
No seu curto discurso, o líder norte-americano explicou que, “durante 47 anos, o regime [iraniano] desejou morte à América e liderou uma campanha de derrame de sangue”. “Não vamos aturar mais isto. As suas atividades põem em perigo os EUA, as nossas tropas e os nossos aliados em todo o mundo”, acrescentou.
- 4h35 (9h35 em Lisboa)
Trump publicou, nas redes sociais, um link para um artigo que acusava o Irão de interferir nas eleições presidenciais norte-americanas de 2020 e 2024.
Soube-se, também, que ao longo do dia falou com os líderes de Israel, Arábia Saudita, Qatar e Emirados Árabes Unidos, assim como com o secretário-geral da NATO, Mark Rutte, segundo a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt.
Enquanto as munições norte-americanas atingiam alvos iranianos, Trump atendeu chamadas de jornalistas e equacionou diferentes cenários. Disse ao Axios que poderia “ir até ao fim e tomar conta de tudo” ou terminar a operação “em dois ou três dias”.
https://observador.pt/especiais/prazos-da-operacao-militar-a-nova-lideranca-do-irao-e-os-soldados-americanos-mortos-as-contradicoes-dos-telefonemas-de-trump/
- 16h37 (21h37 em Lisboa)
A esta hora, Trump confirmou a morte do Líder Supremo do Irão, Ali Khamenei, considerando tratar-se de “a maior oportunidade” para o povo iraniano recuperar o controlo do país.
“Khamenei, uma das pessoas mais cruéis da História, está morto”, escreveu Trump na Truth Social, acrescentando que os Estados Unidos iriam continuar a bombardear o país continuamente durante a semana e “por tanto tempo quanto necessário”.
Ao final da noite, a imprensa iraniana acabaria por confirmar a morte do ayatollah. A agência iraniana Fars explicou que o Líder Supremo do Irão foi morto no seu gabinete enquanto “desempenhava as suas funções” nas primeiras horas da manhã de sábado, logo depois dos ataques terem começado. Estaria reunido com a sua equipa mais próxima, alguns dos quais também terão sido mortos.
https://twitter.com/AJEnglish/status/2027926887469617652
- Noite
Apesar da escalada militar, Trump manteve os compromissos sociais. Foi fotografado no pátio de Mar-a-Lago e participou num jantar de angariação de fundos para a organização política MAGA Inc.. Segundo as fontes citadas pelo Wall Street Journal, o Presidente não quis cancelar o evento, argumentando que teria de jantar de qualquer forma.
Domingo, 1 de março
- 00h25 (5h25 em Lisboa)
Já depois da meia-noite de domingo, Trump deixou um aviso ao Irão: qualquer retaliação seria respondida com uma força “nunca antes vista“.
Atendeu jornalistas que ligaram para o seu telemóvel e admitiu que o conflito poderia prolongar-se por quatro ou cinco semanas.
O líder norte-americano confessou, numa chamada telefónica ao jornalista Jonathan Karl, da ABC News, que os possíveis sucessores de Khamenei para liderar o Irão identificados por Washington para assumir o poder como Delcy Rodriguez tinha feito na Venezuela, também morreram nos ataques iniciais conduzidos pelos Estados Unidos e por Israel.
https://observador.pt/2026/03/02/sucessor-de-khamenei-nao-vai-ser-nenhum-dos-que-pensavamos-porque-tambem-morreram-no-ataque-disse-trump/
Segundo Trump, revela o jornalista, “o ataque foi tão bem sucedido que eliminou a maioria dos candidatos” a Líder Supremo do Irão. “Não vai ser ninguém que estávamos a pensar porque estão todos mortos. O segundo ou o terceiro da linha [de sucessão] também morreu”, acrescentou.
- 16h06 (21h06 em Lisboa)
Donald Trump publicou, a esta hora, um novo vídeo, antecipando “prováveis” baixas norte-americanas até ao fim do conflito. “É assim que as coisas são”, disse.
- 19h00 (00h00 em Lisboa)
O Presidente dos Estados Unidos regressou à Casa Branca. Não respondeu a perguntas sobre o Irão, mas fez uma pausa para elogiar novas estátuas instaladas no Rose Garden, incluindo uma de Benjamin Franklin. “Estátuas inacreditáveis”, comentou, acrescentando: “Venham vê-las”.